Lula a Dilma: O que você fizer está bem feito

Carlos Chagas

Surpresa no encontro da presidente Dilma com o ex-presidente Lula, ontem, em São Paulo: em vez de sugerir e até de orientar a sucessora, como fez quando da formação do ministério, há pouco mais de um ano, o antecessor praticamente saltou de banda e, com todo o carinho, saiu-se com a observação de “o que você fizer está bem feito”. Quer dizer, trocar ministros torna-se problema cada vez mais da exclusiva alçada de Dilma, sempre com menor ingerência do Lula, por vontade própria.

O diálogo poderá não ter sido exatamente esse, já que a reunião verificou-se a dois, sem testemunhas, mas é por aí que o ex-presidente se conduz diante da presidente. Ele afasta as miudezas e as fulanizações, ainda que por isso mesmo mantenha-se como um conselheiro essencial. A idade vem aprimorando sua percepção sobre o papel a desempenhar, além do respeito sempre maior a respeito da performance de sua criação. Aliás, no relacionamento entre eles, desmente-se aquela máxima da inexorabilidade de a criatura voltar-se contra o criador. No caso deles, é ao contrário.

Quanto à reforma do ministério, nada de ponta-pé inicial. Aproxima-se o apito final. Não deve demorar muito para que a chefe do governo anuncie a nomeação de Aloísio Mercadante para a Educação, designando também o novo (ou a nova) ministro da Ciência e Tecnologia e o titular definitivo do Trabalho, ocupado por um interino desde a saída de Carlos Lupi. Especula-se, também, sobre a substituição de Mario Negromonte, nas Cidades, sendo que ele já prepara o pretexto para sair: gostaria de um cargo ligado especificamente à Bahia, onde pretende candidatar-se a senador em 2014.

Ilações não faltam sobre outras mudanças, todas fervilhando nos partidos vitimados por sucessivos ataques de nervos, mas se alguém além de Dilma sabe o que vai acontecer, desde ontem é o Lula. Mais ninguém, sequer o vice-presidente Michel Temer, escalado para tornar-se o segundo a saber das coisas, no momento que já não tarda.

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CALENDÁRIO DAS ELEIÇÕES

Delineia-se aos poucos o calendário para as eleições municipais de outubro. A partir de julho estarão liberados os comícios e demais aspectos da propaganda de rua, inclusive os abomináveis carros de som que atormentam a paciência de todos nós. Antes, até 30 de junho, terão de ser obrigatoriamente realizadas as convenções dos partidos para a escolha dos candidatos a prefeito e vereador, completando-se a seguir os entendimentos para as coligações partidárias.

A partir de 15 de agosto abre-se a temporada de propaganda eleitoral gratuita pelo rádio e a televisão, estendendo-se até 5 de outubro, 48 horas antes da eleição marcada para domingo, 7 daquele mês. Prazo maior será fixado para as cidades mais populosas, onde haverá segundo turno para prefeito. Caberá aos partidos, aos candidatos e às emissoras e redes de televisão e rádio estabelecer a intrincada teia de transmissões, já que a maioria dos 5.975 municípios precisará receber os sinais das cidades melhor aparelhadas tecnicamente. Em suma, muita confusão necessária, em nome da democracia.

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TRÊS VEZES, ESTE ANO

Afastando-se a pirotecnia dos Maias e de Nostradamus, que previram o fim do mundo para o dia 21 de dezembro, seria bom prestar atenção numa coincidência, porque em 2012 o dia 13 cairá três vezes numa sexta-feira: hoje, em abril e em julho. Além do que, em dezembro, o dia 21 também…

Como o sol só se extinguirá daqui a alguns bilhões de anos, a vida no planeta tem tudo para desmentir videntes e profetas, a menos que o fim do mundo aconteça antes, por obra e graça de nós mesmos. Por falar nisso, será que adianta ficar explodindo cientistas nucleares iranianos para evitar que o Irã se torne uma potência nuclear? Valesse essa abominável prática e até hoje estaríamos imaginando ser a Terra o centro do Universo, e ainda por cima, chata e não redonda…

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AÉCIO NÃO GOSTOU

Reagiu o senador Aécio Neves à versão certamente espalhada por José Serra de haver o ex-governador mineiro recomendado ao PSDB que pegasse leve com Fernando Bezerra e o Partido Socialista. Sem maiores explicações, Aécio saiu-se com crítica veemente à presidente Dilma, acrescentando não ser advogado do ministro da Integração Nacional.

A disputa entre os tucanos para a indicação do candidato presidencial promete muito mais, agora que parece clara a disposição de Serra de rejeitar a candidatura a prefeito de São Paulo. Está de olho, mesmo, no palácio do Planalto. Se o Lula perdeu três vezes, elegendo-se na quarta, ele colheu apenas duas derrotas. Por enquanto…

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