Lula deu a senha para a campanha sucessória

Carla Kreefft

O recente discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de certa forma, dá o tom do que poderá ser a campanha eleitoral de 2014. A sinalização não foi boa para pré-candidatos petistas aos governos estaduais.

Lula prestigia PMDB

O líder petista afirmou que a prioridade é a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Lula ainda disse que é preciso ter cuidado para não “truncar” a aliança com o PMDB. Ou seja, a possibilidade de a cúpula nacional petista exigir o sacrifício das executivas estaduais já está colocada. Nos Estados onde o PMDB bater o pé e exigir o apoio do PT, muito provavelmente, os petistas terão que abrir mão de candidatura
própria.

No Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o PT já manifestou publicamente o desejo de concorrer ao Executivo estadual. Também nesses Estados, o PMDB pretende ter chapas. Em ambos os casos, na última eleição, o PT saiu em apoio ao candidato peemedebista. Em Minas, especificamente, o nome do vice na chapa do candidato a governador do PMDB era filiado ao PT. Agora, os petistas cariocas e mineiros querem alguma compensação. Eles acreditam que é momento de o PMDB empenhar o apoio.

Mas, a visão dos peemedebistas é bem diferente. Independentemente dos resultados que saíram das urnas em 2010, lideranças regionais do PMDB avaliam que está passando da hora de o partido ganhar força nos Executivos estaduais. E a avaliação tem nome e razão.

O PARTIDO DOS PREFEITOS

O PMDB é o partido que mais consegue eleger prefeitos. A capilaridade da legenda é algo que desperta a inveja de todas as outras siglas. Ter na figura do prefeito um cabo eleitoral é uma grande vantagem, sem dúvida.

Mas prefeito não administra sozinho. Nos bastidores, a informação que corre é de fácil entendimento. Os prefeitos peemedebistas têm esbarrado na resistência dos governadores de outros partidos em relação às suas demandas. Em Minas Gerais, por exemplo, os prefeitos peemedebistas precisam negociar com o governador Antonio Anastasia, que é tucano. Em São Paulo, a situação não é diferente.

Assim, o PMDB começa a entender que eleger prefeito é bom, mas eleger governador é necessário. O partido teme ficar na condição de refém administrativo de legendas como o PSDB e, até mesmo, o PT, que é um aliado. Portanto, o esforço peemedebista em 2014 não ficará concentrado apenas nas bancadas de deputados e senadores.

Lula já teria tomado conhecimento da reclamação do partido de Michel Temer. O ex-presidente teria dito a alguns dos mais próximos que é melhor segurar os peemedebistas nos Estados do que ter que enfrentá-los na oposição no Congresso Nacional a partir de 2015 ou, pior ainda, ter que disputar com eles, em 2018, a vaga que hoje é da presidente Dilma.

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