Lula disse aos senadores da base aliada que Palocci é imprescindível ao governo, na chefia da Casa Civil. Mas será mesmo? Tudo indica que não.

Carlos Newton

Atualmente, Antonio Palocci Filho mais parece um estorvo, um estranho no ninho ou um zumbi estranhamente obeso, que perambula pelo Palácio do Planalto a assustar as autoridades e os serviçais. Se o governo Dilma Rousseff, ou melhor, se o governo Lula/Rousseff quiser mesmo manter a indispensável aliança com o PMDB, será melhor tirar Palocci da intermediação.

Relato da colunista Dora Kramer (que não foi desmentido pelo Planalto nem pela Vice-Presidência) mostra que Palocci está totalmente fora do eixo. Na terça-feira, por exemplo, o chefe da Casa Civil só faltou provocar o rompimento da aliança do PT com o PMDB. Vamos ao texto escrito pela jornalista do Estadão:

Quando Palocci telefonou para Temer transmitindo o recado da presidente Dilma Rousseff de que os ministros do PMDB seriam todos demitidos se o partido insistisse em contrariá-la na votação, Temer confrontou.

“Não precisa demitir, porque amanhã cedo mesmo todos entregarão os cargos”, disse o vice-presidente.

Palocci insistiu, referindo-se especificamente ao ministro da Agricultura, Wagner Rossi, indicação pessoal de Temer, o que foi interpretado pelo vice como ameaça.

Disse isso ao ministro e terminou assim o telefonema. Palocci voltou a ligar desculpando-se, mas Michel Temer continuou perplexo. Com a rudeza da abordagem e também com o fato de ter sido tratado como subordinado de Palocci e não como o vice-presidente a quem deveria ser conferida a prerrogativa de falar diretamente com a presidente.

Como se vê, isso não é maneira de proceder politicamente. Palocci jamais poderia tratar assunto de tal importância por telefone, dizendo-se porta-voz de uma determinação da presidente Dilma Rousseff. Foi não só uma inabilidade, mas também uma descortesia. Depois, teve de ligar de novo para pedir desculpas.

É claro que Palocci não estava mentindo quando disse que se tratava de uma ordem da presidente. Ele não seria tão irresponsável a ponto de pregar uma mentira dessas. Ou seria? Mas se a presidente realmente lhe mandou transmitir esse “recado”, tudo fica ainda pior, porque demonstra que ela não tem mesmo condições de tocar um governo fruto de coligação. Não se mantêm alianças através de ameaças, isso decididamente não funciona, em regime de democracia plena.

Lula procede como se Palocci fosse uma espécie de preceptor/conselheiro da presidente Dilma. Mas fica óbvio que o chefe da Casa Civil não está desempenhando a função a contento. Se recebeu da presidente essa missão de peitar e humilhar o vice-presidente Michel Temer, devia imediatamente aconselhá-la a não proceder assim, ao invés de simplesmente “cumprir” a ordem equivocada. Afinal, que conselheiro é esse, que se omite na hora H? Além de enriquecido ilicitamente, seria também omisso e trapalhão? Na verdade, faz sentido. Tudo indica que, hoje, no Planalto, Palocci mais atrapalha do que ajuda.

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