Lula e Dilma: desencontros?

Carlos Chagas

A passagem do ex-presidente Lula por Brasília, esta semana, levantou uma especulação que, sendo possível, mantém-se  blindada em todos os setores do PT e adjacências:  andam tensas as relações entre ele e a presidente Dilma. A conversa de mais de três horas que mantiveram não teria servido para aplainar arestas, mas, ao contrário, para acentuá-las.

É claro que os conselhos do antecessor constituem lei para a sucessora. Deveram-se a eles essa blitz que Dilma desenvolve pelo país, com ênfase para São Paulo, estabelecendo um diálogo direto com os prefeitos municipais. Também parecem da lavra do Lula as indicações para que a presidente tenha passado a  dialogar mais com os partidos da base do governo e com líderes parlamentares.

Nesse aspecto, porém, é que se localizam  as supostas divergências. Dilma hesita em ceder às cada vez mais acentuadas reivindicações fisiológicas dos políticos. Lula entende que ela deveria ser mais tolerante e flexível, estando em jogo as eleições do ano que vem e, com elas, a reeleição.

Como para desfazer a impressão de desavenças, o ex-presidente não hesitou, ainda na capital federal, terça-feira, em proclamar pela milésima vez não admitir outra solução além do segundo mandato de Dilma. Foi enfático ao dizer que não aceita sua candidatura presidencial.

BRASÍLIA NÃO, MAS SÃO PAULO?

Em meio a rumores de desencontros entre eles surgiu como cortina-de-fumaça na toca dos companheiros a hipótese de Lula candidatar-se  ao governo de São Paulo. Lembraram-se, até, dois episódios da História: Rodrigues Alves governou São Paulo depois de deixar o palácio do Catete, sendo depois novamente eleito presidente da República. Outro que fez o caminho da capital federal para a estadual foi Itamar Franco.  Da possibilidade de disputar o palácio dos Bandeirantes, o ex-presidente não fala. Até anda sugerindo Alexandre Padilha, ministro da Saúde. Mas se a disputa exigir sua apresentação, quem sabe?…

CADEIA À VISTA

É cedo para prognósticos, depois de apenas dois dias de exame dos embargos dos mensaleiros já condenados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, nos corredores da mais alta corte nacional de justiça fluem rumores a respeito da negativa de todos os recursos,  mesmo os infringentes, se é que serão apreciados. O presidente Joaquim Barbosa consolidou sua liderança, mesmo sob reclamos de Ricardo Lewandowski e de  Dias Toffoli.   Confirmando-se essa impressão, setembro poderá ser um mês de amargura para os réus com pena de cadeia  definida.

BOM SENSO

Aguarda-se que o plenário do Senado confirme a Comissão de Constituição e Justiça, aprovando  emenda à Constituição  apresentada por Jarbas Vasconcelos, que considera cassados os mandatos dos parlamentares condenados por improbidade administrativa imediatamente após comunicada a condenação pelo Supremo Tribunal Federal.  Faltará a segunda votação e, depois, igual liturgia na Câmara. Ficará solucionado, assim, o impasse constitucional.

DEVER CUMPRIDO

Emocionou-se o já agora ex-Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, com as palavras de despedida dos ministros Joaquim Barbosa e  Celso Mello, além do advogado Marcelo Leonardo. Foram oito anos de presença constante no Supremo Tribunal Federal, primeiro como sub-procurador, depois como titular. Os oradores foram unânimes em reconhecer-lhe a independência, o brilho e a permanente defesa do Estado de Direito Democrático. Gurgel agradeceu falando de novas idéias e de  novos tempos com os quais conviveu. 

 

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