Lula e Dilma separados por Gilberto Carvalho

Carlos Chagas

Aconteceria o quê, caso num time de futebol, um craque fizesse as maiores críticas ao técnico, chamando-o de incompetente e responsabilizando-o pela péssima performance no campeonato? Seria imediatamente afastado e demitido, mesmo chamando-se Neymar, Kaká ou Romário. Ordem e respeito são necessários em qualquer organização coletiva.

Passaram-se 24 horas da escandalosa entrevista concedida pelo Secretário-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, não apenas criticando, mas anarquizando Dilma Rousseff, e nada aconteceu. Está para acontecer, é claro, mas até agora, nada.

Falando à BBC-Brasil, o maior representante do Lula no governo disse que o diálogo da presidente com a sociedade civil “foi deficiente nos últimos quatro anos”. Ainda que diante da contradição de ser ele o encarregado de dialogar com a sociedade civil, a pontaria foi certeira no parágrafo seguinte: Dilma não manteve as mesmas relações que o ex-presidente Lula com os principais atores na economia e na política e não conseguiu atender as demandas dos movimentos sociais. Foi mais cruel: “a reforma agrária e a questão indígena avançaram pouco. A reforma urbana não foi o que os movimentos esperavam.” No final, ainda vibrou o tiro de misericórdia: “não avançamos porque faltou competência e clareza”. A quem, cara pálida?

DEMISSÃO?

Admite-se que o PSDB ou o cidadão comum assim se pronunciassem, até com muita razão. Mas alguém com gabinete ao lado da presidente da República, o mínimo a esperar seria a carta de demissão. Ou a própria, sem carta.

Gilberto Carvalho representa o Lula no Palácio do Planalto. Não dá para aceitar que sua entrevista aos ingleses não tenha sido do conhecimento prévio do ex-presidente. Com a respectiva autorização.

As críticas do ministro marcam óbvia alteração nas relações entre o criador e a criatura. Faz muito que se registram sinais do distanciamento entre Dilma e Lula, apesar das tentativas de ambos para permanecer unidos. Agora, porém, abrem-se as portas senão do rompimento, ao menos da separação.

O PERDÃO

Vem de tempo imemoriais a evidência de que é mais difícil perdoar o perdão do que perdoar injúrias e traições. A presidente Dilma mostra-se disposta a esquecer que José Sarney votou em Aécio Neves, mas o ainda senador faz questão de não desmentir o voto, flagrado por um fotografo indiscreto. Não quer obscurecer o episódio, muito pelo contrário.

One thought on “Lula e Dilma separados por Gilberto Carvalho

  1. e vai acontecer o quê? o PSICOPATA-fujão manda o sacrista-anacronizado bodejar e ele obedece.

    mas, pensando bem,

    quando é que o BARBA-DELATOR-DEDODURO e o seu sacrista, o anacronizado, vão processar o Delegado Tuma Júnior? O Brasil inteiro, ansioso, quer ver o Júnior, sem delação premiada, nas barras dos tribunais.

    e a Rosemary dos vôos ardentes, a Rosemary do bebarrão, cadê-la?

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