Lula é investigado por tráfico de influência para a Odebrecht

Thiago Bronzatto e Filipe Coutinho
Época

Quando entregou a faixa presidencial a sua pupila, Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, o petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou o Palácio do Planalto, mas não o poder. Saiu de Brasília com um capital político imenso, incomparável na história recente do Brasil. Manteve-se influente no PT, no governo e junto aos líderes da América Latina e da África – líderes, muitos deles tiranetes, que conhecera e seduzira em seus oito anos como presidente, a fim de, sobretudo, mover a caneta de seus respectivos governos em favor das empresas brasileiras. Mais especificamente, em favor das grandes empreiteiras do país, contratadas por esses mesmos governos estrangeiros para tocar obras bilionárias com dinheiro, na verdade, do Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, presidido até hoje pelo executivo Luciano Coutinho, apadrinhado de Lula.

Como outros ex-presidentes, Lula abriu um instituto com seu nome. Passou a fazer por fora (como ex-presidente) o que fazia por dentro (como presidente). Decidiu continuar usando sua preciosa influência. Usou o prestígio político para, em cada negócio, mobilizar líderes de dois países em favor do cliente, beneficiado em seguida com contratos governamentais lucrativos. Lula deu início a seu terceiro mandato. Tornou-se o lobista em chefe do Brasil.

Nos últimos quatro anos, Lula viajou constantemente para cuidar de seus negócios. Os destinos foram basicamente os mesmos – de Cuba a Gana, passando por Angola e República Dominicana. A maioria das andanças de Lula foi bancada pela construtora Odebrecht, a campeã, de longe, de negócios bilionários com governos latino-americanos e africanos embalada por financiamentos do BNDES.

BNDES BANCA TUDO

No total, o BNDES financiou ao menos US$ 4,1 bilhões em projetos da Odebrecht em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba durante os governos de Lula e Dilma. Segundo documentos obtidos por Época, o BNDES fechou o financiamento de ao menos US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já como ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana – sempre bancado pela empreiteira. Há obras como modernização de aeroporto e portos, rodovias e aquedutos, todas tocadas com os empréstimos de baixo custo do BNDES em países alinhados com Lula e o PT.

A Odebrecht foi a construtora que mais se beneficiou com o dinheiro barato do banco estatal. Só no ano passado, segundo estudo do Senado, a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior – 42% do total financiado pelo BNDES.

Há anos o banco presidido por Luciano Coutinho resiste a revelar os exatos termos desses financiamentos com dinheiro público, apesar de exigências do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e do Congresso. São os segredos mais bem guardados da era petista.

LULA É INVESTIGADO

Moralmente, as atividades de Lula como ex-presidente são, no mínimo, questionáveis. Mas há, à luz das leis brasileiras, indícios de crime? Segundo o Ministério Público Federal, sim. Época obteve, com exclusividade, documentos que revelam: o núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília abriu, há uma semana, investigação contra Lula por tráfico de influência internacional e no Brasil. O ex-presidente é formalmente suspeito de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com representantes de governos estrangeiros onde a empresa toca obras com dinheiro do BNDES.

Eis o resumo do processo: “TRÁFICO DE INFLUÊNCIA. LULA. BNDES. Supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.

CÓDIGO PENAL

Os procuradores enquadram a relação de Lula com a Odebrecht, o BNDES e os chefes de Estado, a princípio, em dois artigos do Código Penal. O primeiro, 337-C, diz que é crime “solicitar, exigir ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem, a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público estrangeiro no exercício de suas funções, relacionado a transação comercial internacional”. O nome do crime: tráfico de influência em transação comercial internacional.

O segundo crime, afirmam os procuradores, refere-se à suspeita de tráfico de influência junto ao BNDES. “Considerando que as mencionadas obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”, diz o documento.

QUEBRAS DE SIGILOS

A investigação do MPF pode envolver pedidos de documentos aos órgãos e governos envolvidos, assim como medidas de quebras de sigilos. Nas últimas semanas, Época obteve documentos oficiais, no Brasil e no exterior, e entrevistou burocratas estrangeiros para mapear a relação entre as viagens internacionais do ex-presidente e de integrantes do Instituto Lula com o fluxo de caixa do BNDES em favor de obras da Odebrecht nos países visitados.

A papelada e os depoimentos revelam contratos de obras suspeitas de superfaturamento bancadas pelo banco estatal brasileiro, pressões de embaixadores brasileiros para que o BNDES liberasse empréstimos – e, finalmente, uma sincronia entre as peregrinações de Lula e a formalização de liberações de empréstimos bilionários do banco estatal em favor do conglomerado baiano.

A Odebrecht tem receita anual de cerca R$ 100 bilhões. É uma das principais empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, que desmontou um esquema de pagamento de propinas na Petrobras. Segundo delatores, a construtora tinha um método sofisticado de pagamento de propinas, incluindo remessas ao exterior trianguladas com empresas sediadas no Panamá. A empreiteira, que foi citada pelo doleiro Alberto Youssef e por ex-funcionários do alto escalão da Petrobras, nega as acusações.

(matéria enviada pelo comentarista Jorge Conforte)

6 thoughts on “Lula é investigado por tráfico de influência para a Odebrecht

  1. Segundo a advogada da empresa, através de entrevista hoje ao jornal Folha de São Paulo, “há uma armação contra a Odebrecht”. Sinceramente, caros leitores, com quem está a verdade dos fatos?

    O Brasil precisa ser passado a limpo, mas, com esses absurdo imperdoável denominado de “acordo de leniência”, creio que tudo continuará como antes no quartel de Abrantes.

  2. O Exército de Lula (do Ucho-Info)

    (*) Ipojuca Pontes –

    O Dr. Lula da Silva, considerado patrocinador e “figura carismática” da esquerda sul-americana, anda cada vez mais desarvorado. Não é para menos. O velho malandro já percebeu que o brasileiro não engole mais suas patranhas de provedor da luta de classes e “patrono da causas populares” – um mito que se esfrangalhou desde que a nação entendeu, pela exacerbação dos escândalos em evidência, que o finório politiqueiro não passa de um abastado burguês do tipo “novo rico”, aboletado em apartamento de luxo, com triplex em balneário da moda, a se fartar de taças de Romanée-Conti (vinho de banqueiros internacionais, US$ 12.500 a garrafa) e proteger amigas dispendiosas (ainda que mantidas com as rebarbas da grana pública).
    De fato, mais que desarvorado o doutor Lula, diante da adversa realidade política e social que se lhe apresenta como irreversível, tornou-se um caso clássico de histeria, manifesta nas suas encenações de arroubos e gestos convulsivos e na contínua explosão da voz roufenha a proferir ameaças radicais – sintomas inequívocos do que o psiquiatra Charcot chamava de “simulação neurótica”. No resumo da opereta, fingindo não perceber a crescente escala de indignação que toma conta do país contra os seus atos criminosos, o manda-chuva do PT, na sua insensatez autista, parece repetir a fala do tirano Muammar Kaddafi antes de morrer a pauladas pelas mãos da população líbia enfurecida depois de anos de privações, mentiras e muita demagogia: “Mas vocês… Esperem!… Por que vocês querem me matar?”.
    Recentemente, num ato público em que se apresentava como “defensor da Petrobras”, empresa falida pela ação fraudulenta do partido de sua propriedade, o PT, Lula, para intimidar os manifestantes contrários, ameaçou colocar o “Exército de Stédile” nas ruas, vale dizer, os milhares de militantes profissionais do MST, CUT e da famigerada UNE, além dos milhares de milicianos recrutados em Cuba, Venezuela, Haiti, Angola e Guiné Equatorial, todos a compor um exército armado de milicianos que se aloja no Brasil mantido pela grana bilionária saqueada dos cofres de empresas como a Petrobras.
    (Aliás, a propósito dos milhares de milicianos do Haiti que entraram no Brasil pelas portas escancaradas do governo petista do Acre, muitos deles foram flagrados, de porrete em mãos, nas manifestações de rua em “defesa da Petrobras”, na frente da ABI, no Rio de Janeiro).
    Mas, a verdade é que hoje, diante da decidida vontade da população brasileira, o “Exército de Stédile”, no fundo comandado por Lula, é um exército de merda, exército de merda, repito, e covarde. Tal qual o exército dos 127 guerrilheiros comandados por Guevara nas selvas do Congo, posto a correr, vergonhosamente, pelos 70 soldados do coronel irlandês Mike Hoare, em 1965.
    De minha parte, penso que não há o que temer do aparato miliciano açulado por tipos como Stédile, um tigre de papel. Temível é a tropa de petistas e simpatizantes escalada para tomar conta do STF, nomeadamente Luís Roberto Barroso, Lewandowski, Dias Toffoli, Rosa Weber, Teori Zavascki e, na ante-sala da Suprema Corte, o advogado Luiz Edson Fachin, venerado pela CUT e o MST, uma gente capaz de livrar a cara de Zé Dirceu com menos de um ano de cadeia e defender Cesare Battisti, o terrorista condenado à prisão perpétua na Itália por matar quatro pessoas, entre elas duas crianças.

    (*) Ipojuca Pontes, ex-secretário nacional da Cultura, é cineasta, destacado documentarista do cinema nacional, jornalista, escritor, cronista e um dos grandes pensadores brasileiros de todos os tempos

  3. Excerto do link:
    http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/lula-diz-que-denuncias-contra-ele-sao-insinuacoes-e-que-elite-e-masoquista-1q3o9ixntdc1mjrgo7w7d37p8

    Lula diz que denúncias contra ele são ‘insinuações’ e que elite é ‘masoquista’

    “As revistas brasileiras são um lixo. Não valem nada. Peguem todos os jornalistas da Veja e da Época e enfiem um dentro do outro que não dá 10% da honestidade deste aqui (referindo-se a ele mesmo)”, disse o ex-presidente. “Cada um que olhe para o seu rabo. Se alguém acha que alguém que chegou onde cheguei, que fez o que eu fiz, vai baixar o rabo e a crista por conta de insinuações está enganado. Tem que olhar para o próprio rabo”.

    O ex-presidente provocou a oposição e disse estar pronto para a disputa política em favor da presidente Dilma.

    “Estou quietinho no meu canto. Não me chame para a briga porque eu vou brigar e sou bom de briga. Está feita a provocação. Tenho evitado muitas coisas porque sou ex-presidente e quero que a Dilma governe, mas vou começar a ajudar o país outra vez, a desafiar aqueles que não se conformam com o resultado da democracia. Tem de saber que, se tentar mexer com a Dilma, estarão mexendo com milhões de pessoas.”

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