Lula em entrevista à Folha: “No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas”. Resposta de Dom Dimas Barbosa, da CNBB: “Cristo não fez aliança com os fariseus”. Nem Lula disse isso

São duas entrevistas numa só, do presidente Lula. A primeira, rigorosamente política, concedida ao jornalista Kennedy Alencar. A segunda, unicamente para provocar a “grande imprensa”, assinada por Clovis Rossi. Hoje vou analisar a primeira, sobre a governabilidade, se fosse seguida, entendida e consumada, cumpriria o que o Brasil espera desde Pedro Álvares Cabral, vá lá, a partir da República.

A outra, também importante, é deliberadamente contraditória, concebida e concedida para fazer a imprensa sair do esconderijo. Lula está vibrando com o que falou para Clovis Rossi, altamente polêmica e até contraditória, mas que não passará dessa fumaceira de ocasião, atinge apenas quem acredita que se livrou do vício, porque abandonou o cigarro.

Mas a que vai durar, principalmente porque ninguém entendeu, é a que fala em Cristo e Judas, e a “necessidade de COALIZÃO para governar o Brasil”. Lula não sabe nada de História, de Cristo, de Judas, de Bíblia, mas foi a sua melhor entrevista em 7 anos de governo. Confundiu a todos, foi buscar exemplos que nem conhece, deixou até potências da Igreja (e da política) exibindo espantosa falta de equipamento e despreparo para debates mais profundos.

Serra não entendeu nada, Artur Virgilio respondeu sem saber o que Lula queria dizer, outros fizeram o mesmo. O atordoante, foi Dom Dimas Barbosa perder o seu latim, perdão, o aramaico, a língua de Jesus Cristo, levando a discussão e o debate para um ponto inteiramente diferente do que o presidente Lula pretendia.

Depois de milhares de horas fazendo cultura no ostracismo religioso, o secretário-geral da CNBB, afirmou o seguinte, perguntando: “Estamos tão mal assim para governar o Brasil?”. Lula disse exatamente o contrário, não se referiu a personagens e sim à governabilidade para qualquer um governar com o sistema político vigente.

Traduzindo e esclarecendo o que Lula queria e quis dizer, confundindo Dom Dimas Barbosa, que teve até a falta de humildade de dizer, “estou defendendo Cristo”. E concluiu, “definindo” Cristo, Judas e fariseus. Todos agradecem a dedicação do líder da Igreja, mas a REPRESENTATIVIDADE eleitoral, que foi o que o presidente Lula pretendia defender, não ganhou nada com a aparição de Dom Dimas.

Sumarizando e resumindo o que o presidente deixou implícito, e se não ficou explícito a culpa não é dele, e sim dos que não entenderam, façamos a tradução.

1- Lula não soube dizer, mas era fácil compreender. Sem maioria na Câmara e no Senado, é impossível governar. 2- O que existe no Brasil, é um regime PRESIDENCIALISTA – PLURIPARTIDARISTA, que não funciona em país algum e nem existe mesmo.

3- Exemplificando: a Câmara tem 513 deputados, o PT quando elegeu muitos, elegeu pouco mais de 90, digamos 100 para ficar mais claro o fato. 4- Os outros 413, como obterá a não ser com ACORDOS ou COALIZÕES?

5- E esses entendimentos, só através de concessão de cargos. (Não faço concessões, apenas reconheço).

6- Por que existem 37 ministérios, quando 6 ou 7 seriam mais do que suficientes? 7- É porque esses 30 ministérios “excedentes” têm no mínimo uns 20 cargos só no gabinete, além de centenas e centenas no segundo ou terceiro escalão.

8- O PMDB entendeu muito bem que era o alvo do presidente, não deu nenhuma importância. 9- Serra que foi um dos maiores beneficiários do sistema esdrúxulo e apocalíptico que vigora no Brasil, criticou Lula, mas na verdade queria criticar FHC. 10- Foi 8 anos Ministro de várias pastas, depois de perder duas vezes para prefeito de São Paulo. Deixando na vaga o suplente-financiador.

11- Se quisesse, Lula até poderia explicar a razão do PMDB, o maior partido do país, “jamais lançar candidato próprio a presidente”. 12- na sua cúpula, quase todos já foram (ou ainda são) ministros, governadores ou senadores. 13- E não é nada raro encontrar peemedebistas que já foram as três coisas ou ainda exercem um dos cargos.

14- Então por que o PMDB não tenta eleger o Presidente da República? Elementar. Se elegesse o presidente, tudo o que recebe do ocupante do Planalto, teria que distribuir.

15- Dessa forma, além da hipótese de perder e diminuir o cacife, a certeza da responsabilidade de exercer o cargo, e de não garantir as belíssimas concessões que domina hoje.

***

PS- Lula poderia dizer: “No regime Parlamentarista, os congressistas são eleitos antes, e depois o Primeiro Ministro, que forma o gabinete , política e publicamente OFERECENDO os cargos. E aí, ninguém diz que é CORRUPÇÃO.

PS2- Finalmente para não dizer que não falei de flores (mortas) aceitei tudo. O ponto fraco da explanação do presidente Lula, é que ele SABE e deixou CLARO: com esse sistema político, PRESIDENCIALISTA – PLURIPARTIDARISTA, é dificílimo governar.

PS3- Então por que não muda tudo? Porque se deu muito bem, perdeu 3 vezes e ganhou duas, não deu a carreira como encerrada.

PS4- Para encerrar a TRADUÇÃO e deixando tudo bem claro. Cristo é o próprio Lula enquanto presidente, Judas é o PMDB, que não quer a presidência. A CNBB não entendeu por um motivo: lá só pode circular a Bíblia e não Maquiavel. Lula que não conhece os dois, ensinou até a Dom Dimas, Dom Serra, e Dom Artur Virgílio.

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