Lula está a um passo de vencer no primeiro turno as eleições de 2022

Charge de Nando Motta (brasil247.com)

Pedro do Coutto

Esta revelação surge de uma análise dos números contidos na pesquisa mais recente do Datafolha que apontou uma grande vantagem do ex-presidente Lula sobre o atual chefe do Executivo na sucessão presidencial marcada para daqui a praticamente 12 meses. Na edição de ontem, manchete principal da Folha de S. Paulo, foi destacada a provável vitória de Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro por 56% a 31% num segundo turno. A reportagem na Folha é de Igor Gielow. O Globo publicou também os mesmos números, reportagem de Sérgio Roxo. Mas o fato é que pode não haver segundo turno nas urnas de 2022.

O Datafolha analisou as tendências políticas em vários cenários para o próximo ano. O cenário mais lógico, que não inclui nomes que realmente não vão disputar o pleito, Lula alcança 44 pontos contra 26 de Bolsonaro, 11 de Ciro Gomes e 6 de João Doria. Ocorre que 11% anunciaram o objetivo de votar em branco ou anular o voto. Portanto, 89% passa a ser igual a 100%. Se Lula tem 44%, ele se encontra a um ponto percentual e um voto para conquistar a maioria absoluta no primeiro turno e assim dispensar o confronto numa nova convocação do eleitorado brasileiro.

OUTRO ASPECTO – Os números assinalam também um outro aspecto. O governador João Doria dificilmente vai renunciar ao cargo que ocupa atualmente para ser candidato ao Planalto. Com base nos números, ele certamente já sentiu que não há espaço para uma eventual decolagem sua. Custando a decolar também se encontra o ex-governador Ciro Gomes, do PDT, que vem repetindo a faixa entre 10% a 11% das intenções de voto a cada pesquisa realizada. Mas Ciro Gomes não tem mandato atual e assim não precisa renunciar para concorrer às eleições.

O fato é que no levantamento do Datafolha ainda pode-se especular sobre outra face do problema. Se João Doria não disputar e nenhum nome ocupar a sua posição, os números percentuais poderiam assegurar a Lula uma vitória no primeiro turno de forma ainda mais fácil. Portanto, o que se verifica é que o ex-presidente Lula da Silva encontra-se numa posição bastante favorável ao desfecho de 2022.

NONA DISPUTA –  Inclusive, vale frisar, um aspecto historicamente importante. Lula estará participando pela nona vez consecutiva de eleições presidenciais: perdeu para Collor em 89, perdeu para FHC em 84, novamente para FHC em 98, derrotou José Serra em 2002, venceu Alckmin em 2006, elegeu Dilma Rousseff em 2006 e conseguiu reelegê-la contra  Aécio Neves. Em 2018, o seu candidato Fernando Haddad foi derrotado. Somam-se, portanto, oito disputas presidenciais nas quais ele se envolveu diretamente. A de 2022 será a nona. Não há exemplo no mundo de um presidente ter participado direta ou indiretamente de tantas eleições.

A maior incidência encontrava-se no presidente Franklin Roosevelt nos Estados Unidos. Ele venceu as eleições em 32, reelegeu-se em 36 e 40, e mais uma vez em 44 na última disputa política da sua vida. Morreu em abril de 1945, dias depois do encontro com Churchill e Stalin já para tratar do fim da guerra que se aproximava. Mas tem um detalhe. Em 1944, para evitar que um presidente se eternizasse no poder, o Congresso americano aprovou uma emenda constitucional restringindo a reeleição a uma única vez só. Mas, o exemplo de quatro vitórias nas urnas alcançado por Roosevelt ficou na história americana e na própria história universal.

EXTREMA-DIREITAEm sua coluna de ontem na Folha de S. Paulo, Hélio Schwartsman analisa o quadro político brasileiro e manifesta surpresa com o fato de Jair Bolsonaro manter ainda a seu favor uma parcela expressiva do eleitorado em torno de 20%. Schwartsman tem razão. O desastre é muito maior do que a percentagem que ainda permanece favorável ao presidente da República. Até mesmo grupos conservadores que sempre apoiaram o poder estão se afastando do Planalto. Mas o enigma focalizado por  Hélio Schwartsman   na minha impressão só pode ser explicado pela paixão que a extrema-direita desperta em grupos sociais que só identificam a força como a solução de tudo.

Trata-se de um equívoco colossal e universal. Mas existe concretamente. Para os grupos de extrema-direita (a extrema-esquerda já desapareceu totalmente), não importa o fato de 26 milhões de brasileiros estarem vivendo uma situação de fome. Não importa que o déficit habitacional do país esteja em 6 milhões de unidades. Não importa nada disso. Eles são torcedores esportivos da competição política que nada tem a ver com confrontos de esportes. No esporte uma equipe derrota a outra, na política uma equipe pode derrotar a outra e também a população.

Na Folha de S. Paulo de sábado, Leonardo Vieccelli revela que 46 milhões de brasileiros e brasileiras estão sem renda do trabalho e vivendo de favores eventuais. Na mesma edição, Viecceli focaliza também o déficit habitacional de 6  milhões de moradias. São desafios que se eternizam e que não podem ser resolvidos nas quatro linhas de um gramado. Só pode ser resolvido com a valorização do trabalho humano e a redução do desemprego.

14 thoughts on “Lula está a um passo de vencer no primeiro turno as eleições de 2022

  1. “Valorização do trabalho humano e redução do desemprego”.
    Mas, não é ‘criando’ emprego sem trabalho só para maquiar os índices, como foi feito em 2013~2014, para a Dilma se reeleger.

  2. O Sr. Pedro do Coutto não nega que é Lulista.

    Realmente as possibilidades do ladrão Lula vencer a eleição no primeiro turno são bastantes altas.Mas as coisas podem dar uma reviravolta Política é política.

    Eu já perdi as contas de quantos artigos o Sr. Coutto( sobrenome esquisito) já postou aqui falando do Lula.

    Lula é nojento, repugnante.Só em ouvir o nome desse energúmeno , me dar vontade de vomitar.

  3. Bom dia , leitores(as):

    Senhor Pedro do Coutto , gostaria que nos informasse em quais ” CRIMES ” contra ás leis do país , os ministros/juízes do STF incorreram ao tornarem nulos ás sentenças e condenações contra o ex-presidente Luis Inácio da Silva (vulgo Lula) e torna-lo ” FICHA LIMPA ” e apto á elegibilidade .

  4. Deixa eu te atualizar, Pedro do Coutto: esse tal de Hélio Schwartsman é um dos cães de Pavlov que vivem salivando de desejo pela morte do Presidente da República. É tudo o que precisamos saber sobre a imprensa prostituída e seus jornalistas venais.

    • Depois, um comentarista publica que eu é que escrevo com ódio!!!

      “Cães de Pavlov, imprensa prostituída, jornalistas venais” … ainda no meu dicionário não são palavras amáveis, e muito menos respeitosas.

  5. Não vejo em Pedro do Coutto essa “torcida” por Lula, sinceramente.

    Leio o artigo de um jornalista bem informado, e que analisa os dados obtidos de pesquisas e opiniões de outros colegas, exercendo plenamente a sua profissão e liberdade de expressão.

    Particularmente, repito, não vejo Lula com esta margem que a pesquisa lhe concede sobre Bolsonaro. Acho exagerada.
    Por outro lado, a frequência de apoiadores do presidente dia 7 de setembro, muito menos exterioriza a vontade do eleitor.

    Surpresas?
    Não creio.
    A terceira via não tem mais tempo para se organizar e se tornar conhecida do povo.
    Sobra Ciro Gomes, em terceiro lugar, desde que não convide Datena como seu vice.

    Logo, Pedro do Coutto tem razão:
    a eleição em 2022 estará restrita a Lula e Bolsonaro, com as pesquisas já divulgadas anunciando o ex-presidente petista reunindo a preferência popular.

    Os apoiadores de Bolsonaro, robôs, patrulha ideológica, seguidores, fanáticos, que trabalhem alertando o atual presidente que, se quiser vencer, que se lembre do povo, do desempregado, da miserável, do pobre, da fome, dos mortos pela pandemia, então, sabe-se lá, se ele não altera os índices que lhe dão a derrota em 2022 e para Lula, ainda por cima?

    • Perfeita a sua análise, Francisco Bendl. Pedro do Couto, nosso emerérito jornalista é especialista em pesquisa eleitoral, uma dentre tantas capacidades de análise do mundo Político. Ele é um craque. O que ele escreve, pode anotar, que acontece.
      Também, comungo da convicção, que Pedro não e lulista e sim analista. Ele, Pedro é como um comentarista de futebol, que não olha a camisa do clube, mas, simplesmente o jogo nas quatro linhas.
      Bolsonaro já sabe que pelo voto, não ganha de ninguém e e disputar com Lula perde de lavada. Por isso, ele flertar com o Golpismo explícito. Esgarça as instituições, põe medo na sociedade com o Fantasma do comunismo, no entanto, até pelo golpe, ele não continua, pois se defraga- lo, o ditador será um general. Fora das urnas, só assumiu o poder, generais em sistema de rodízio. O último ditador civil, foi Getúlio Vargas, de 1930 a 1945.
      Se o golpe ansiado, tiver sucesso, o que não acredito, as FAA não entrarão nessa aventura, certamente não será Bolsonaro o comandante.

  6. Lula pode ter todos os defeitos mas aqui não se trata de eleger o melhor. Trata-se de eleger o menos pior. Boçalnato é um TRILHÃO de vezes pior do que Lula. É o cidadão mais antipático que Deus já botou no mundo. Ele, certamente, se acha o máximo. Mas a verdade é que é um ignorante, mal educado, desrespeitoso e não demonstra o menor interesse em resolver os problemas do país. FORA !!!

  7. O diabo é que Bolsonaro e seus rivais, direita, esquerda e centro, não dialogam com a Evolução (a Terceira Via de Verdade), mas isto sim apenas com o continuísmo da mesmice, o comunismo da elite delinquente e o retrocesso, infeliz e desgraçadamente. O “TRIÂNGULO DAS BERMUDAS”, os poderes e as ditaduras da república estão se olhando mutuamente, para ver quem pisca ou saca primeiro. TUDO e todos os golpes e eleições da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, terminam assim, no colo do centrão, amaldiçoando a escuridão. Dai a pergunta que não quer calar: será que não existe uma terceira via de verdade, outro tipo de gente e de sistema, além das ditaduras militar e partidária para nos governar ? Se não existe, urge inventar porque tornou-se humanamente impossível suportá-las. CÁ ENTRE NÓS, se a república que ai está, há 131 anos, é de fato ingovernável, como de fato é, na boa, na moral e no jogo limpo, como diz o atual presidente, aliás, um segredo de polichinelo, cujos governantes precisam sentar no colo e comer nas mãos sujas de bandidos, como aconteceu com todos os antecessores do presidente atual, inclusive com a famigerada ditadura militar armada até os dentes, então urge admitirmos que somos dominados por bandidos, à moda vítimas, reféns, súditos e escravos dos me$mo$, de modo que salvar esse tipo de república e de políticos é pactuar com a manutenção da comilança, da corrupção e da roubalheira pratica sob a égide da dita-cuja, face a qual o Brasil e o povo brasileiro não têm futuro e jamais será uma nação civilizada, e nunca será um povo de primeiro mundo, por razões óbvias e ululantes. https://www.youtube.com/watch?v=aq3WCuByG-k&t=3s

  8. Quando leio isso me vem à cabeça os comentários de analistas “sérios” e pesquisas “sérias” antes da eleição de Bolsonaro. Segundo quase todos o candidato perderia para qualquer um no segundo turno se passasse pelo primeiro turno. Não haveria a mínima chance para Bolsonaro, diziam. Hoje, a mídia tradicional porca, bate dia e noite, numa pauta única que atende pelo nome Bolsonaro. Ele sai às ruas e a multidão (real) confirma sua popularidade. O que ocorre aqui, na realidade mesmo, é que sem fraude Bolsonaro – sendo candidato – tem grande probabilidade (ele sim) de ser reeleito no primeiro turno. Lembrem-se que até o admirável Hélio Fernandes errou no prognóstico contrário, com toda a sua capacidade e competência para falar do comportamento de eleitores e políticos, bem informado que sempre foi e arquivo memória da vida nacional. Estivesse vivo gostaria de saber sua posição, sempre com base em fatos e não hipóteses.

    • Gilberto, as pesquisas refletem o momento, em que são coletados os dados.
      Eles podem mudar, os prognósticos, se as circunstâncias se mostrarem diferentes.
      Na época, a que você se refere, remontando ao final de 2018, o atentado contra Jair, em Juiz de Fora, mudou completamente a opção do eleitor. Ele não participou de nenhum outro debate. A campanha usou esse episódio, que mexeu com o inconsciente do eleitor, que foi preponderante para a vitória no primeiro e no segundo turno.
      Eduardo Gomes na eleição de 1950 estava na frente, mas, uma frase infeliz atribuída a ele sobre os marmiteiros, foi responsável pela sua derrota para Getúlio.
      A mesma coisa ocorreu no Rio, na eleição para governador em 1986. Darcy Ribeiro na frente e Moreira Franco em segundo. Praticamente já estava preparando o terno para a posse, quando tiraram mais de 1 milhão de cópias xerox e distribuíram nas comunidades, com uma passagem do livro O Mulo.
      Moreira venceu. O Rio perdeu a oportunidade de ser governado por um educador, honesto, e idealizador dos CIEPS. Sem ele vencesse, essa cidade maravilhosa estaria em outro patamar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *