Lula impõe ao PT a candidatura de Haddad em São Paulo, mas Aloizio Mercadante e Marta Suplicy ainda tentam sugerir a realização de prévias, que jamais serão promovidas.

Carlos Newton

Faltando quase um ano para o registro de candidatura, o ex-presidente Lula mostra quem realmente manda no PT, desconhece as pré-candidaturas de dois fortes concorrentes em potencial (o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e a senadora Marta Suplicy) e entroniza o ministro Fernando Haddad, da Educação, como candidato definitivo a prefeito de São Paulo, sem jamais ter disputado uma eleição.

O domínio de Lula sobre o PT e seus integrantes é tal ordem que na semana passada o ministro Haddad já comunicava oficialmente à presidente Dilma Rousseff que é candidato. Combinou que tirará esta semana de férias – já está em Cuba – e, na volta, começará a participar de eventos em São Paulo.

Sem se afastar do ministério, Haddad decidiu concentrar atividades nos finais de semana na capital e já havia iniciado a campanha antes mesmo de viajar para Havana, dando início a encontros com dirigentes partidários. O primeiro deles foi com o presidente estadual do partido, Edinho Silva, na semana passada, em Brasília.

É claro que a decisão antecipada de Lula causa contrariedade aos dois outros pré-candidatos. Timidamente, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante usam alguns correligionários para defender, dentro do partido, a possibilidade da realização de prévias para definir quem o partido lançará no pleito, mas isso jamais vai acontecer. Ninguém tem cacife nem audácia para enfrentar Lula dentro do PT, e no partido logo apareceu quem defenda que Haddad tem chances concretas de vitória, apesar de ainda neófito nas bases petistas, garantindo que ele é o único capaz de ultrapassar o teto histórico de votos da sigla na capital, na casa dos 35%, vejam só a que ponto Lula domina o PT.

Entre os argumentos dos que já defendem a candidatura de Haddad, está a de que a senadora Marta Suplicy sofre forte rejeição na capital paulista e que, como a legenda perdeu as últimas eleições em São Paulo, a cidade deve ser priorizada com nomes fortes para o próximo pleito.

Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, porém, ainda tentam resistir e a senadora cita o caso da presidente Dilma Rousseff como exemplo de que os índices de rejeição a seu nome podem ser reduzidos no decorrer da campanha. Mas na verdade a senadora vê cada mais distantes as suas possibilidades de conseguir legenda no partido. Como se diz popularmente, Lula falou, está falado.

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E AS ILUSTRAÇÕES DO KIT HOMOFOBIA?

Resta saber como reagirá o eleitorado de São Paulo quando os adversários do PT exibirem as ilustrações do chamado kit contra homofobia, preparado por Haddad no Ministério da Educação, para ser entregue a todos os estudantes brasileiros a partir dos 11 anos, cuja distribuição só não chegou a se feita por  determinação expressa da própria presidente Dilma Rousseff.

As ilustrações, a bico de pena e no famoso estilo Carlos Zéfiro, mostram dois casais em pleno ato sexual. Enquanto o casal de homem e mulher aparece de lado, com o homem nu sobre a mulher também nua, sem que sejam vistos seus rostos, a ilustração do casal formado por dois homens mostra os dois de frente, com o ativo de pé, penetrando o passivo que está em posição de gangorra, e seus rostos estão à mostra, sorrindo, em pleno êxtase.

Na comparação das duas ilustrações, a impressão que fica é de que o ato homossexual seria muito mais prazeroso do que o ato heterossexual.  O que é sabido não ser realidade, pois a relação anal quase sempre é dolorosa, razão pela qual a grande maioria das mulheres não aceita se submeter a ela. Mas esse detalhe, verdadeiramente, parece não interessar ao Ministério da Educação na gestão de Fernando Haddad.

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