Lula, já fora de Brasília, passando por São Bernardo, não podendo ficar quieto, foi para a Bahia. Assustado, recebeu a informação: “O PMDB terá candidato”

Esse fato mudará todo o roteiro, maliciosamente preparado pelo próprio Lula. Ficando pouco tempo no Brasil, era comunicado momento a momento, com a moderna tecnologia. E era sempre informado: “Sua candidata está absoluta, a base está toda com ela”. O presidente acreditava.

Na verdade o presidente tem duas convicções que ninguém consegue abalar. 1 – As pesquisas não falham, às vezes são contra ele, acha que tem mais de 80 por cento de popularidade. 2 – Tendo mesmo essa repercussão, vai transferir tudo para Dona Dilma, e não esconde: “Ela pode ganhar no primeiro turno. Vai depender de mim”.

Lula, sem base no PMDB

Não acreditou na “notícia do candidato próprio” do PMDB. É o maior partido da base, e o que tem voto mesmo. Mas veio a surpresa, e das grandes: tentou falar com algum “maioral da cúpula”, não encontrou ninguém. Ficou “meditando”: seriam as festas ou já estariam abandonando a cidadela que parecia inexpugnável? (Que palavra).

Em pleno ar, como sempre, começou a refletir se não seria melhor ligar logo para Requião ou Paes de Andrade (grande força no PMDB), saindo na frente dos adesistas? Retrocedeu, achou que não ficaria bem, resolveu esperar. E disse para um companheiro: “Não falo com os dois há tanto tempo”, parou por aí, não concluiu.

De qualquer maneira, política e consequentemente de forma eleitoral, a cara da campanha não está muito risonha e franca para o Planalto-Alvorada. Pelo menos para os que ainda estão lá. Para os que pretendem ocupar os dois palácios, o momento cresce em matéria de satisfação.

Efeito repetitivo

Até Serra se preocupou com a candidatura própria do PMDB. Já cooptou uma parte do partido, a que na certa se fortalecerá. Só que, como precisa decidir nos próximos três meses, se isolou, não quer conversas. Por enquanto.

No PMDB, a banda podre, reunida mas apavorada

Só que Requião e Paes de Andrade, como conhecem muito bem o partido (o único sempre, dos dois), acompanham os movimentos da cúpula, não se surpreendem. E aparentemente decidiram: “Assim que Lula reassumir, entre 9 e 11 deste janeiro, pediremos uma conversa com ele”. Ressalvam: “conversa e não audiência”.

A lista tríplice pode dividir mais a banda

Quando “indicou” Michel temer, Lula desagradou uma porção (um terço) do partido. Mudou para a já famosa “tríplice”, contrariou outro terço. Como pelo menos (pelo menos) um terço não quer nada com Lula, o morador do Planalto-Alvorada tem manobrado tão mal, que perdeu três terços do PMDB.

Mas alguns bajuladores dizem a ele: “Não faz mal, presidente, perdemos três terços, mas ficamos com resto”. (O presidente, que adora o “resto”, ficou satisfeito).

Unanimidade

Como os partidos não se juntam em nenhum momento, agora vibram com a notícia: “Todos estão contra Meirelles na vice”. Puxa, ponto a favor do candidato próprio e com chances de vencer. E mesmo os que são contra, dizem: “Esse candidato só pode ser o governador do Paraná”. Evitam pronunciar seu nome, mas já preparam a rendição, Ou melhor: a mudança de convicção, o apoio à CANDIDATURA PRÓPRIA.

Requião-Paes de Andrade e a sucessão de Lula

Roberto Requião é presidenciável desde 1994. Acabava seu primeiro mandato de governador do Paraná, foi ao mesmo tempo candidato a presidente e a senador. O partido não tinha audácia para acompanhar Requião, ele se elegeu senador. (Agora, a mesma opção, mas as coisas estão diferentes)

Tumultuou o Senado, se projetou nacionalmente, foi relator da CPI dos Precatórios, não “encampou” ninguém, indiciou todos. Em 2002, quando acabava seu mandato de senador, se elegeu governador. Se reeelegeu em 2006, agora tem de sair. Tem uma vaga segura para o Senado, pretende ser presidenciável, sempre pelo PMDB.

* * *

PS – A partir deste 2010, pretende percorrer o Brasil junto com Paes de Andrade. Este, que foi sempre do MDB e do PMDB, presidente e agora presidente de honra, só tem um candidato: Requião.

PS2 – Embaixador, acima de qualquer suspeita, pretende acompanhar o ainda governador pelo Brasil todo. Os dois virão ao Rio, espero que não visitem Sergio Cabral. Tem gente com mais voto (dignidade e competência, nem se fala) do que ele. O governador, apavorado com a (possível?) não reeeleição.

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