Lula loteou BR Distribuidora entre Collor e PT, afirma Janot

Charge de Jorge Braga (reprodução da internet)

Márcio Falcão, Rubens Valente e Aguirre Talento
Folha

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) concedeu ao senador Fernando Collor (PTB-AL) “ascendência” sobre a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, por volta de 2009, “em troca de apoio político à base governista no Congresso Nacional”. Na BR Distribuidora, segundo Janot, foi criada ao menos entre 2010 e 2014 “uma organização criminosa preordenada principalmente ao desvio de recursos públicos em proveito particular, à corrupção de agentes públicos e à lavagem de dinheiro”.

As afirmações de Janot integram a denúncia protocolada no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o deputado federal Vander Loubet (PT-MS). O caso está sob análise do ministro Teori Zavascki, que deve decidir, sem prazo, se acolhe ou rejeita a denúncia. Lula não é alvo da acusação da Procuradoria.

Janot não descreveu a origem de sua conclusão sobre o papel de Lula na distribuição de cargos da BR, mas o ex-diretor da Petrobras e da BR Nestor Cerveró disse em delação premiada, conforme a Folha informou nesta terça (12), que Lula havia “concedido influência política” sobre a BR a Collor.

Na denúncia, o procurador-geral escreveu que Collor nomeou os responsáveis pela diretoria de Rede de Postos de Serviços da BR, Luiz Claudio Caseira Sanches, e pela diretoria de Operações e Logística, José Zonis.

BASE PARA PROPINAS

Segundo Janot, as duas diretorias ocupadas por indicados de Collor “serviram de base para o pagamento de propina ao parlamentar”.

“Ambos [Sanches e Zonis] chegaram aos cargos por indicação política do PTB, em especial do parlamentar em referência [Collor], a quem prestaram a devida contrapartida, mediante favorecimento ilegal a empresas apontadas por ele e por seu ‘operador particular’, Pedro Paulo de Leoni Ramos”, diz a denúncia da PGR.

Na peça, o procurador-geral também afirmou que quando “parte da BR foi entregue ao senador” Collor, a Presidência era ocupada por Lula, do PT, e por isso outra parte da estatal foi “reservada” ao Partido dos Trabalhadores, que indicou Cerveró para a diretoria financeira e serviços e Andurte de Barros Duarte Filho para a diretoria de mercado consumidor.

Janot afirmou na denúncia que era “necessário o repasse de valores ilícitos” também para Loubet em razão da influência que o PT tinha sobre a BR.

A Procuradoria aponta ainda que Ramos “tinha plena liberdade para implementar o esquema criminoso na Petrobras Distribuidora [BR], chegando a atuar inclusive nas diretorias politicamente indicadas pelo PT”.

PEDÁGIO PARA COLLOR

A acusação diz ainda que “quem quer que tentasse realizar contratos de construção de bases de distribuição de combustíveis na BR Distribuidora tinha que pagar uma espécie de “pedágio” para o ex-ministro de Collor.

A denúncia de Janot diz que o esquema ilícito na BR ocorria em contratos com pelo menos quatro empresas nas áreas de bandeiras de postos de gasolina, engenharia civil, compra e venda de álcool e gestão e pagamento de programa de fidelidade.

Janot pediu ao STF que Loubet, sua mulher, Roseli da Cruz, Ramos e outras duas pessoas sejam condenadas por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa, além da decretação da perda de R$ 1 milhão em favor da União e da reparação de danos morais e materiais no valor de R$ 5 milhões.

De acordo com a PGR, parte da propina recebida pelo deputado teria sido utilizada para pagar dívidas contraída em sua campanha à prefeitura de Campo Grande (MS), em 2012, quando saiu derrotado.

A Procuradoria já denunciou Collor ao STF pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, inclusive, por suspeita de desvios na BR.

De acordo com os investigadores, o grupo do ex-senador teria recebido R$ 26 milhões em suposta propina do esquema de corrupção.

OUTRO LADO

O Instituto Lula afirmou, em nota nesta terça-feira (12), que os diretores da Petrobras e da BR Distribuidora “foram indicados por partidos” e não pelo ex-presidente Lula.

O instituto sustentou ainda que Lula não foi responsável pela indicação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a uma diretoria da BR Distribuidora e que nunca tratou “com qualquer pessoa sobre supostos empréstimos ao PT”.

Na nota, Lula afirma que fez apenas “duas indicações pessoais na Petrobras: os ex-presidentes José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli”. “Os demais diretores da estatal e de empresas controladas foram indicados por partidos”, diz trecho da nota.

5 thoughts on “Lula loteou BR Distribuidora entre Collor e PT, afirma Janot

  1. Ah é? Já que o Janot sabe de tudo isso, o que ele esta esperando para denunciar o lula? A permissão da Dilma?
    São passados já 5 anos , que o dito cujo deveria ter sido denunciado, mas estão brincando com a coisa. Para
    não fugir das características, o indivíduo é apenas tratado como informante. Como sempre foi.

  2. A conta que vamos pagar, por causa dessa coisa…

    Quarta-feira, 13/01/2016, às 17:45, por Beth Cataldo
    Governo enfrenta novos desafios para reativar a economia

    A missão proposta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de reativar a economia brasileira, ou pelo menos evitar que se acentue o quadro recessivo, ficou muito mais complexa diante do profundo corte de investimentos anunciado pela Petrobras, da ordem de R$ 130 bilhões, e do aumento das incertezas no cenário internacional. As propostas em fase de elaboração pela equipe econômica também precisam levar em conta as restrições fiscais e políticas, o que limita ainda mais a margem de manobra do governo.

    O anúncio feito ontem pelo conselho de administração da Petrobras recebeu críticas de interlocutores próximos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora não falem em nome dele. A maior preocupação é pela ausência de propostas do governo para compensar o forte impacto esperado na atividade econômica pela redução dos investimentos da estatal, considerada o motor da economia brasileira. “Mais recessão e mais desemprego” foi a tradução feita por esses interlocutores do novo cenário que passa a desafiar o governo.

    Na avaliação dessas fontes, a divulgação do corte no plano de investimentos da Petrobras, para o período que se estende até 2019, foi feita de forma burocrática, sem o devido cuidado com a enorme dimensão negativa dessa notícia para a economia brasileira. Essa situação chegou a ser creditada à passagem de comando no Ministério da Fazenda, de Joaquim Levy para Nelson Barbosa, que ainda estaria em fase de acomodação nas novas funções que assumiu.

    De qualquer maneira, Levy deixou como herança o estudo que trata da repercussão das atividades da Petrobras sobre toda a economia brasileira. Para cada R$ 1 bilhão cortado dos investimentos da empresa corresponderia uma redução de R$ 2 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB). Nessa conta, o corte de R$ 130 bilhões significaria uma queda de R$ 260 bilhões no PIB, como mencionou o jornal O Globo. A saída para evitar que esse quadro se concretize, segundo as fontes consultadas, seria a capitalização da estatal, o que esbarra, entretanto, nas restrições fiscais enfrentadas pelo governo.

    Ainda na visão dos interlocutores ouvidos hoje, o agravamento do cenário econômico, que já não era promissor, deve repercutir também na área política. Sem perspectivas de reanimar a economia e evitar o aprofundamento do desemprego, a presidente Dilma Rousseff poderá enfrentar novamente o recrudescimento da campanha pelo impeachment. A convicção desses observadores é que a preservação do mandato da presidente está muito ligada ao desempenho da economia brasileira. Daí a magnitude conferida à decisão da Petrobras.

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