Lula não desencarna da Presidência. E faz como Zagallo: “Vocês vão ter que me aturar”.

Carlos Newton

Quando se fala aqui no Blog que o Brasil vive sob um governo bipolar, com  uma hidra de duas cabeças, Lula e Dilma Rousseff, há quem julgue que isso é exagero. Mas não há dúvida de que essa bipolaridade está mais do que explícita e vem ocorrendo desde o governo passado, quando Lula fazia um papel mais representativa e Dilma ficava com a parte administrativa.

De lá para cá, nada mudou. Quem montou o ministério? Foi Lula ou Dilma? Alguém ainda tem dúvida a respeito? Na verdade, desde o início do novo governo, Lula continua se metendo em tudo, dando ordens, reunindo-se com políticos e autoridades, embora tenha até prometido que iria “desencarnar” da presidência. Mais isso jamais aconteceu.

Em todas as crises do atual governo, Lula sempre se fez presente, chamando a si a responsabilidade, dando entrevistas e tudo o mais, como aconteceu no caso Palocci e depois nas demissões dos Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura), que foram  defendidos ardorosamente por Lula.

Agora o ex-presidente está baseado em São Paulo, despachando na sede do chamado Instituto Cidadania, uma ONG criada pelo PT e que jamais funcionou. É lá também que está gratuitamente sediada a promissora empresa de Lula, a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., que tem como sócio minoritário Paulo Okamoto, ex-presidente do Sebrae.

E Lula não desencarna. Na segunda-feira, por exemplo, despachou no Instituto Cidadania (ou será L.I.L.S?) com dois integrantes do primeiro escalão do governo Dilma Rousseff: o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e o ministro da Educação, Fernando Haddad. O assunto das audiências foi a demora na implementação do piso nacional do magistério, projeto que patrocinou em sua gestão. O ex-presidente queria explicações por que o piso ainda não entrou em vigor, embora tenha promulgado a nova legislação há três anos.

Então, quando dizemos aqui no Blog que estamos vivendo o governo Lula Rousseff, temos razão ou não? Lula não desencarnou nem vai desencarnar. Ele se tornou uma espécie de Zagallo da política, a nos repetir: “Vocês vão ter que me aturar”. E vamos aturar, mesmo. 

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