Lula pensa que vai convencer Marta Suplicy a desistir da candidatura em São Paulo. Mas ela vai dizer não. Podem apostar.

Carlos Newton

Está ficando eletrizante a disputa pela candidatura do PT em São Paulo. Todas as pesquisas apontam o favoritismo da senadora Marta Suplicy, mas nem passa pela cabeça do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ideia de desistir de tentar emplacar o ministro da Educação, Fernando Haddad, na prefeitura hoje ocupada por Gilberto Kassab (PSD).

Lula continua irredutível e quer evitar as prévias no partido, que são defendidas ardorosamente por Marta Suplicy e por José Dirceu, e discretamente pelo ministro Aloizio Mercadante, que também sonhava em ser candidato, mas morre de medo de Lula e jamais o enfrenta em cena aberta.

A alegação de Lula é de que o PT paulista é um barril de pólvora e uma prévia poderia causar uma explosão de grandes proporções. Marta Suplicy, seu ex-marido Eduardo e Dirceu acham que não tem nada a ver, pois prévias são um recurso democrático que pode servir justamente para evitar a cisão partidária.

A intenção de Lula é convencer Marta a abandonar a disputa por si mesma, sem dar demonstração de que foi preterida. O problema é o risco de tê-la como adversária dentro do partido, junto com Dirceu, o ex-marido Eduardo e diversas outras lideranças que apoiam as prévias porque não aceitam Haddad, que é considerado um estranho no ninho, e Lula tenta fazer com que o engulam sem regurgitar, goela abaixo.

Marta Suplicy até já passou a atacar Haddad pelos corredores de Brasília. Chegou a armar uma saia justa ao dizer publicamente que é a verdadeira criadora dos Centros Educacionais Unificados (Ceus), projeto popular em São Paulo. Haddad já tinha dito que fora ele o idealizador dos Ceus e até determinara à sua equipe o levantamento de informações sobre o tema para sua pré-campanha.

O maior entrave de Marta é o isolamento. Enquanto prefeita, ela tinha um núcleo sólido de apoio dentro do PT paulista. Mas muitos de seus antigos aliados não querem contestar Lula. Um desses ex-aliados, o sindicalista Luiz Marinho, que é prefeito de São Bernardo do Campo, já se tornou um dos maiores entusiastas da candidatura de Haddad.

“Não tem como ir contra o nosso presidente”, diz Marinho. O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), segue na mesma balada: “Não há como desprezar a força política que Marta tem em São Paulo, mas ninguém dentro do PT quer contrariar Lula”.

Lula ainda não pediu para Marta desistir da empreitada porque ela não faz outra coisa a não ser anunciar que é pré-candidata, usando como argumento o próprio fato de Lula jamais ter tentado desestimulá-la. Por isso, garante que continua “candidatíssima”. Com essa hábil estratégia, ela praticamente neutralizou Lula, que ficou meio sem jeito de lhe pedir que desista.

Para desestimulá-la, Lula então proclamou que “São Paulo precisa de uma cara nova”. Marta Suplicy fingiu que não ouviu e nem vai ouvir. Agora, só resta a Lula abrir o jogo e falar claramente. Mas quem conhece Marta Suplicy e sua arrogância de socialite, sabe que ela simplesmente dirá não a Lula. Ninguém manda nela. Perguntem ao ex-marido, senador Eduardo Suplicy. Quando Marta se separou dele, há alguns anos, a única reação do senador foi dizer: “Eu a amarei para sempre”. O amor é lindo, e a política, também.

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MARTA GANHA O PRIMEIRO ROUND

É interessante assinalar que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, veio a público afirmar que tudo caminha para a realização de uma disputa interna para a escolha do candidato do partido à Prefeitura de São Paulo. E até marcou data. A prévia deverá ser realizada em 27 de novembro.

“O objetivo é definirmos o nome ainda este ano, sobretudo porque se o escolhido for uma novidade é preciso que haja mais tempo para divulgarmos a candidatura”, diz Falcão, que não combinou nada disso com Lula e vai pagar um alto preço por esse modesto grito de independência, podem apostar.

A senadora e ex-prefeita Marta Suplicy aparece na liderança da pesquisa Datafolha, divulgada no início da semana, com média de 30% de intenção de voto, em diferentes cenários. Mas enfrenta a concorrência de outros pré-candidatos do PT, como os deputados federais Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, e principalmente, o ministro da Educação, Fernando Haddad. O ex-marido, Eduardo Suplicy, e o ministro Aloizio Mercadante, já desistiram.

Haddad oscila entre 1% e 2% na pesquisa, mas tem a seu favor o apoio do ex-presidente Lula. Rui Falcão afirma que as pesquisas são apenas um retrato do momento, o que também não significa, a seu ver, que Haddad possa ser beneficiado por uma transferência de popularidade de Lula, como ocorreu com a presidente Dilma Rousseff, na eleição do ano passado.

“Aqui em São Paulo é diferente. Dilma estava no mesmo governo de Lula havia sete anos, e tentou sucedê-lo para o mesmo cargo. Para a prefeitura, não há a mesma linha”, diz Falcão, falando exatamente tudo o que Lula não queria nem quer ouvir.

E agora, o que fará Lula? Vai aceitar as prévias? Só aceitará se forem de cartas marcadas, com vitória garantida para Haddad. Caso contrário, Lula vai rodar a baiana e ninguém sabe o que pode acontecer no mais importante diretório do PT, na capital de São Paulo. Só uma coisa é certa: o alienado Rui Falcão está com seus dias contados na presidência do PT.

 

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