Lula sugere consultar antes de anunciar

Carlos Chagas

No jantar meio enrustido de terça-feira, no palácio da Alvorada, a presidente Dilma teria  recebido do ex-presidente Lula alguns conselhos para refrear sugestões e projetos não amadurecidos junto ao Congresso e aos partidos da base. Consultar antes de anunciar sempre foi uma boa estratégia política, capaz de evitar dissabores como os que a presidente vem colhendo nas últimas semanas.

Afinal, desde o lançamento da proposta de convocação de uma Constituinte exclusiva para elaborar a reforma política, seguiram-se outros episódios onde Dilma está sendo  corrigida e até derrotada.  A realização de um plebiscito imediato para a reforma política valer para as eleições de 2014; a extinção dos suplentes de senador; a aplicação de 100% dos royalties de petróleo na educação; a extensão de mais dois anos nos cursos de medicina; o apelo ao vice Michel Temer para coordenar a bancada do PMDB na Câmara. E outros.

O presidente do PT, Rui Falcão, presente ao encontro, preferiu ontem ressaltar o perfeito entrosamento entre Lula e Dilma, desmentindo mais uma vez rumores de que o ex-presidente poderia ceder aos apelos da campanha para candidatar-se ano que vem ao palácio do Planalto. Para ele, a candidatura da presidente à reeleição está consolidada.

PAPELÃO

Não poderia ter sido diferente, apesar das esperanças: o Senado rejeitou o projeto que mesmo sem acabar com os suplentes de senador, estabelecia um só e não dois, como vai permanecer. No fim, prevaleceu o corporativismo, apesar do absurdo que é a existência de senadores sem voto. Muitas sugestões foram examinadas, mas no fim prevaleceu a decisão de ficar tudo está.  Afinal, os senadores precisam dos suplentes para financiar suas campanhas, com as exceções de sempre.  Além de preservarem o expediente de nomearem como suplente o cônjuge, o pai, o filho e o sobrinho – aberração que continuará muito bem, obrigado. De tabela, permanece o direito de um senador ser escolhido ministro sem precisar renunciar, assumindo um de seus suplentes por tempo indeterminado.

Até o ex-presidente José Sarney foi derrotado, porque era dele a emenda reduzindo os suplentes de um para dois e proibindo a designação de parentes. 

Felizmente, propostas ridículas também não foram aprovadas, como a de designar-se o deputado mais votado num Estado para  suplente do senador licenciado ou desaparecido. Imagine-se a hipótese de o senador pertencer ao PT e o deputado mais votado, ao PSDB.       

Confirma-se a previsão de que a reforma política, mesmo esticada para o futuro, jamais irá contrariar os reais interesses de senadores e deputados. Perfumarias poderão ser adotadas, mas nada do que poderá prejudicar Suas Excelências vai virar lei. Fosse para levar a reforma política a sério  e bastaria um simples artigo: “Extingue-se a figura dos suplentes. No caso de renúncia ou impedimento superior a três meses, a Justiça Eleitoral providenciará nova eleição.”

SEMPRE BOLSONARO

Na Câmara, o deputado José Genoíno exigia do plenário que aprovasse moção de repúdio aos Estados Unidos, por conta das denúncias de espionagem eletrônica sobre o Brasil e o mundo. Como não se tinha destacado durante a semana por suas singulares intervenções, o deputado Jair Bolsonaro interrompeu o orador para dizer que o PT é fiel quando se trata de apoiar países terroristas, mas  foi graças aos  Estados Unidos que não estamos  falando alemão até hoje. Confundiu alhos com bugalhos.

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6 thoughts on “Lula sugere consultar antes de anunciar

  1. Ignorância, talvez má fé, quem sabe isso e algo mais…
    Quem mais contribui para que o alemão não tivesse esse predomínio, foram foram os Russos.
    Até o desembarque da Normandia, que realmente foi uma batalha de bravos, e contou muito para a derrocada dos alemães, só aconteceu quando aconteceu porque os Russos chegariam sozinhos em Berlim, já que o Exercito Vermelho vinha empurrando as tropas de hitler de maneira avassaladora.
    Para se ter uma ideia disso é só ler um pouco sobre a Frente Russa durante a Segunda Guerra, e talvez se informar sobre as Batalhas de Stalingrado!
    Bolsonaro não merece credibilidade, muito menos votos. Péssimo como elemento de ditaduras, pior ainda como arremedo de Democracias!

  2. E facil falar do Bolsonaro, que todo mundo conhece e sabe de
    suas opinioes e o que defende. E do genuino, condenado pelo
    STF, esta fazendo o que ai na camara. Alguem pode responder.

  3. Newton, por isso mesmo que é necessário esse plebiscito. Você achar que os parlamentares vão votar contra si próprios é muita inocência. Vão continuar os suplentes, o financiamento por multinacionais, empreiteiras e bancos e nosso congresso entregue a interesses contra o povo. A reforma política que pretendem a maioria dos deputados é só pra inglês ver. Ou colocam-se os temas na televisão e INFORME a população(que colocará nas urnas sua vontade) ou continuará tudo na mesma. E o TSE diz que não pode perguntar ao povo o que ele não pode responder…rs Pobre povo brasileiro!!!

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