Lupi é a próxima vítima. Mas vamos ter de engoli-lo até a reforma ministerial.

Carlos Newton

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, já vai se despedindo do cargo. Sabe que será substituído na próxima reforma ministerial e não faz segredo disso. Motivos não faltam. Há meses são denunciados que há convênios celebrados pelo Ministério exclusivamente para beneficiar ONGs de militantes do PDT, partido do qual Lupi é presidente licenciado.

Agora é a revista “Veja” que joga a pá de cal, afirmando que integrantes do Ministério do Trabalho cobrariam propina para liberar repasses para organizações não-governamentais. Segundo a reportagem, funcionários e ex-funcionários de órgãos de controle da pasta exigiriam comissão de 5% a 15% do valor dos convênios para resolver “pendências” nos contratos.

Como há meses vem sendo noticiado, o esquema funcionaria da seguinte forma: o ministério firma contratos com ONGs para a realização de cursos sobre capacitação profissional e, depois, cria pendências que só seriam sanadas mediante repasse de comissão. A reportagem afirma que, ao procurar a pasta, os representantes das ONGs seriam informados pelos integrantes do esquema que só voltariam a receber o dinheiro se pagassem o “pedágio”.

Exatamente como fez o então ministro Orlando Silva, depois de publicada a reportagem Lupi também determinou a abertura de uma investigação interna. Ao mesmo tempo, afastou o coordenador-geral de qualificação da pasta, Anderson Alexandre dos Santos. Ele e o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), que até outubro era assessor especial de Lupi, são apontados pela revista como integrantes do esquema de extorsão.

O esquema também envolveria Marcelo Panella, ex-chefe de gabinete do ministro. Ele teria deixado a pasta após deputados do próprio PDT, partido de Lupi, terem denunciado à chefia de gabinete da presidente Dilma Rousseff o suposto esquema na pasta.

Uma das ONGs que aparecem na reportagem é o Instituto Êpa, do Rio Grande do Norte. Os dirigentes da ONG foram levados a Lupi pelo ministro Garibaldi Aves (Previdência). Garibaldi confirmou o encontro. “O Lupi chamou a assessoria dele e disse que não poderia atendê-los porque havia problemas na prestação de contas”, afirmou Garibaldi.

Lupi disse que “não vê fundamento” nas acusações. “Denúncia em que o denunciante não aparece é algo que nos deixa na dúvida de saber qual o interesse da denúncia. Quem denuncia tem que apresenta provas”, disse, acrescentando que o Ministério teria feito um pente fino completo dos convênios com entidades sem fins lucrativos.

“Eu repito sempre que sou como cana de canavial: nem facão nem a queimada arranca minha raiz. Vou até o fim”, afirmou, completando: “Tem muita gente graúda incomodada com a minha presença no ministério, mas pode dizer que eles vão ter que me engolir”, desafiou, parodiando Zagallo.

Com certeza, vamos engoli-lo pelo menos até o final do ano ou início do próximo, quando haverá a tão falada reforma ministerial. Como se sabe, o governo Lula Rousseff não demite ninguém. Espera que a imprensa o faça.

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