Lutar por seu direito é um defeito que mata, na visão crítica de Gonzaguinha

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O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , conhecido como Gonzaguinha foi, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. Sua obra teve, inicialmente, como característica sua postura de crítica à ditadura militar, conforme mostra a letra de “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (À Legião dos Esquecidos)”, que faz parte do LP De Volta ao Começo, gravado em 1980, pela Emi-Odeon.

Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória
(À Legião dos Esquecidos)

Gonzaguinha

Memória de um tempo onde lutar
Por seu direito
É um defeito que mata
São tantas lutas inglórias
São histórias que a história
Qualquer dia contará
De obscuros personagens
As passagens, as coragens
São sementes espalhadas nesse chão
De Juvenais e de Raimundos
Tantos Júlios de Santana
Uma crença num enorme coração
Dos humilhados e ofendidos
Explorados e oprimidos
Que tentaram encontrar a solução
São cruzes sem nomes, sem corpos, sem datas
Memória de um tempo onde lutar por seu direito
É um defeito que mata
E tantos são os homens por debaixo das manchetes
São braços esquecidos que fizeram os heróis
São forças, são suores que levantam as vedetes
Do teatro de revistas, que é o país de todos nós
São vozes que negaram liberdade concedida
Pois ela é bem mais sangue
Ela é bem mais vida
São vidas que alimentam nosso fogo da esperança
O grito da batalha
Quem espera, nunca alcança
Ê ê, quando o Sol nascer
É que eu quero ver quem se lembrará
Ê ê, quando amanhecer
É que eu quero ver quem recordará
Ê ê, não quero esquecer
Essa legião que se entregou por um novo dia
Ê eu quero é cantar essa mão tão calejada
Que nos deu tanta alegria
E vamos à luta.

6 thoughts on “Lutar por seu direito é um defeito que mata, na visão crítica de Gonzaguinha

  1. Gonzaguinha foi um crítico do regime militar. Canções de protestos marcaram sua música. Hoje ele cantaria sobre a vida pregressa dos que ai estão, objetos da Lava Jato.
    Ai vem uma mini série da Plim Plim “O dias eram assim” , tratando da ditadura militar, simplesmente para demonizar a direita e santificar a esquerda,
    Gonzaguinha, todos sabem, é filho do Gonzagão – cantor do baião;. Cantaram juntos Vida de Viajante – uma delicia de se ouvir. Também foi compositor e cantor de músicas românticas, como “Começaria tudo outra vez”, interpretada por ele, Simone e outros.

      • Gonzaguinha

        Começaria tudo outra vez
        Se preciso fosse, meu amor
        A chama em meu peito ainda queima
        Saiba, nada foi em vão
        A cuba libre dá coragem em minhas mãos
        A dama de lilás me machucando o coração
        Na sede de sentir seu corpo inteiro
        Coladinho ao meu
        E então eu cantaria a noite inteira
        Como já cantei, eu cantarei
        As coisas todas que já tive, tenho e sei
        Um dia terei
        A fé no que virá
        E a alegria de poder olhar p’ra trás
        E ver que voltaria com você
        De novo viver nesse imenso salão
        Ao som desse bolero
        Vida, vamos nós
        E não estamos sós
        Veja, meu bem
        A orquestra nos espera
        Por favor, mais uma vez
        Recomeçar.

  2. Sangrando
    Gonzaguinha

    Quando eu soltar a minha voz
    Por favor entenda
    Que palavra por palavra
    Eis aqui uma pessoa se entregando

    Coração na boca
    Peito aberto
    Vou sangrando
    São as lutas dessa nossa vida
    Que eu estou cantando

    Quando eu abrir minha garganta
    Essa força tanta
    Tudo aquilo que você ouvir
    Esteja certa
    Que estarei vivendo

    Veja o brilho dos meus olhos
    E o tremor nas minhas mãos
    E o meu corpo tão suado
    Transbordando toda a raça e emoção

    E se eu chorar
    E o sal molhar o meu sorriso
    Não se espante, cante
    Que o teu canto é a minha força
    Pra cantar

    Quando eu soltar a minha voz
    Por favor, entenda
    É apenas o meu jeito de viver
    O que é amar

    Se Gonzaguinha não fosse compositor de outras belas músicas, Sangrando o consagraria como um imortal da MPB

  3. “Se me der um beijo eu gosto
    Se me der um tapa eu brigo
    Se me der um grito não calo
    Se mandar calar mais eu falo
    Mas se me der a mão
    Claro, aperto
    Se for franco
    Direto e aberto
    Tô contigo amigo e não abro
    Vamos ver o diabo de perto
    Mas preste bem atenção, seu moço
    Não engulo a fruta e o caroço
    Minha vida é tutano, é osso
    Liberdade virou prisão
    Se é amor deu e recebeu
    Se é suor só o meu e o teu
    Verbo eu, pra mim já morreu
    Quem mandava em mim nem nasceu

    É viver e aprender
    Vá viver e entender, malandro
    Vai compreender
    Vá tratar de viver
    Viver e aprender
    Vá viver e entender, malandro
    Vai compreender
    Vá tratar de viver

    E se tentar me tolher é igual
    Ao fulano de tal que taí
    Se é pra ir vamos juntos
    Se não é já não tô nem aqui”

    Gonzaguinha – Recado
    (coisa de Mestre)

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