Maduro vai ganhar, mas o que esperar da sua administração, longe de Chávez? Aldir Blanc magistral: “Fora, Marin”, o que veio da ditadura para a CBF. O papa pede providências contra pedófilos e seus protetores.

Helio Fernandes

Apesar das tolices e da convicção de que o povo é idiota e não sabe das coisas, maduro vencerá facilmente a eleição para presidente. Parece absurdo e temerário fazer essa afirmação positiva sobre um candidato que garante na televisão: “Chávez esteve em Caracas como um passarinho”.

Maduro: “Como um passarinho”

O candidato adversário Henrique Capriles (é impossível chamá-lo de oposição) comete as mesmas idiotices, embora procure revesti-las com tom ou clima de suposta superioridade. Capriles, com o tipo de campanha que vem fazendo. Não chega nem perto do “presidente” que já está no cargo.

Vejam só estas declarações de Capriles, também na televisão. Textual, longo, mostrando o “amalucado” rumo que imprime à campanha: “Esta é uma luta espiritual de caráter divino. Todos na Venezuela admitem que estamos combatendo para destruir a barreira do mal”. Alguém entende?

Inacreditável o primarismo de Capriles, que assim, em vez de “destruir a barreira do mal”, fortalece tudo que vai sendo dito pelo ex-vice, inesperadamente “presidente”, que tenta ser presidente de verdade.

O PROBLEMA DE MADURO
NÃO É GANHAR, E SIM GOVERNAR,
OU MELHOR, REALIZAR

Maduro tem um eleitorado certo e atento, que acredita que Chávez deixou com ele a fórmula mágica (?) do sucesso e da prosperidade do povo. Maduro pode se dirigir a esse eleitorado, e fazer todas as promessas, mesmo as mais incertas e audaciosas. Só que ele não é Chávez, que transformou o petróleo na máquina de enganar a tudo e a todos. Menos a ele mesmo, que não tinha a menor dúvida sobre o que dizia e fazia.

COMO MADURO RESPONDERÁ
AO POVO, DEPOIS DA VITÓRIA E DO
MAIS QUE PREVISTO FRACASSO?

Esse diálogo de suavidade terminará quando Maduro estiver desperdiçando o capital deixado por Chávez, tolerado pelos cidadãos da Venezuela, pela adoração que tinham por ele. A inflação de 25 por cento, a falta de tudo, o desabastecimento, a miséria geral, com Chávez não provocariam protestos. Suportarão tudo isso com o medíocre, subserviente e carreirista Maduro?

Pode ser que sua trajetória seja prolongada mais um pouco pela falta de competência dos que se chamam de oposição. De qualquer maneira, haja o que houver, Maduro não perde a eleição. Vencer, facílimo. Governar, dificílimo. Realizar, com chavismo ou seu chavismo, impossível.

ALDIR BLANC,
JOSÉ MARIA MARIN E
RENAN CALHEIROS

Grande compositor, sua melhor composição foi feita agora e publicada ontem, em O Globo, com o título “Fora, Marin”. Esse é o poderoso e inatingível presidente da CBF, que serviu corruptamente à ditadura junto com Maluf.

Com depoimento de Ivo Herzog (ilho de Wladimir, assassinado pela ditadura), acusa Marin de ter (como “governador”) movimentado a TV Cultura, onde Herzog era jornalista.
Aldir termina magistralmente: “Muita gente acha que Fernandinho Beira-Mar causa menos prejuízo do que o presidente do Senado”.

TENTANDO VAGA NO
SUPREMO, TRIBUTARISTA
NÃO PASSA DE VAGA CREDENCIAL

Mudou muito a escolha de ministros. Mudou muito e se vulgarizou. Antigamente, pela Constituição, era exigido “notável saber jurídico e ilibada reputação”. Agora, basta ser tributarista, não há nenhum no Supremo.

Até 1926 e desde a Constituição de 1891, o sintético “saber jurídico”. Mudaram tudo, incluindo o tempo de permanência no mais alto tribunal do Brasil. Se for escolhido, aprovado e nomeado um “tributarista”, outros candidatos podem entrar com recurso no próprio Supremo, alegando discriminação, em defesa da vaga, podem alegar uma vaga justificativa.

O PAPA FRANCISCO
JÁ COMEÇOU A
DECIDIR?

Estava demorando. Enquanto marcava pontos com a humildade e com o excelente relacionamento pessoal, aumentava a angústia e a inquietação desses apregoados 1 bilhão e 200 milhões de católicos. Foi direto numa das questões mais criticadas por todos: a pedofilia e a proteção dos mais altos escalões a esses desvairados pervertidos.

Recomendou “punições severas e decisivas”, o que afasta a possibilidade de omissão e companheirismo. Mas isso é apenas o início. Nada a ver com a fé e a convicção, está longe.

Do ponto de vista do Estado da Santa Sé, é indispensável examinar ou reexaminar a questão do Banco do Vaticano. Três ou quatro dias antes da renúncia, bento XVI nomeou como presidente um empresário alemão, que está distante do perfil imprescindível para o cargo. Empresário da indústria pesada (armas, estaleiros etc), voltado para o lucro, como mantê-lo? Ou como substituí-lo?

A renúncia foi mesmo por causa da idade?

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PS – Desculpem, sei que muita gente não gosta de esporte, mas é importantíssimo. A vitória do vôlei do Rio sobre o de São Paulo, nada regional. Osasco era franco favorito, 4 jogadores da seleção, uma cubana excelente, a sexta também ótima.

PS2 – Começando com 2 sets a zero, parecia confirmar o que se previa. Mas o time do Rio, com garra, determinação, convicção e vibração, ganhou os três seguintes, sem qualquer dúvida. Um título de campeão, contrariando o favoritismo e as circunstâncias.

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