“Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso”, diz Maia sobre manutenção de Mandetta

Charge: Bolsonaro e Maia. -

Charge do Cazo (arquivo Googlw)

Francisco Carlos e Elizabeth Lopes
Estadão

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na manhã desta terça-feira, 7, que tinha certeza que o presidente Jair Bolsonaro não iria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

As declarações foram dadas em uma live promovida pela Necton Investimentos. Na segunda-feira, o ministro foi novamente alvo dos ataques do mandatário e circularam informações de que ele estaria fora do governo.

REDES SOCIAIS – “Bolsonaro não vai demitir um ministro popular como ele. A decisão de manter Mandetta não foi política, Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso”, disse Maia, destacando que o mandatário é uma pessoa inteligente, ao contrário do que muitos pensam, e como o ministro da Saúde conquistou a confiança da sociedade, sabe que não pode tirá-lo do posto.

Maia também defendeu que momento é de união com o Executivo, não de divergências. “O momento é de focar no principal que é saber como vamos salvar vidas, garantir empregos e recursos para empresas e para os mais vulneráveis. Olhar menos para as diferenças”, destacou.

CELERIDADE  – O presidente da Câmara disse que é necessário ouvir o ministro da Saúde. “É preciso ter previsibilidade”, cobrou, dizendo que o governo federal tem de ter celeridade na execução das medidas, como os repasses de recursos. E, em meio a tudo isso, é preciso cumprir a determinação das autoridades de Saúde de quarentena. “Vamos cumprir o que diz Mandetta e OMS. Se é isolamento, é isolamento.”

Na live, Rodrigo Maia disse que não apenas o Brasil, mas vários outros países, irão aumentar o seu nível de endividamento. “Me preocupa a segunda onda de gastos que o governo terá que fazer para retomar investimentos”, disse, destacando que, no longo prazo, as coisas voltarão ao normal, mas que, no curto, o governo terá que retomar investimentos.

FUNDÃO – Indagado sobre o uso do fundo eleitoral para o combate ao coronavírus, como defendem alguns segmentos, Maia disse: “Eu até acho que o fundo eleitoral já foi usado; debate é só para enfraquecer Parlamento”. E voltou a dizer que é o momento de o governo usar os recursos que dispõe em meio à crise. “Só não se pode pensar que eleição – para a democracia – não é importante.”

O presidente da Câmara utilizou a teleconferência para, mais uma vez, criticar o governo e o mais recente episódio de desgaste nas relações com a China, após as críticas do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

ATAQUE – Durante uma live com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do mandatário, o ministro disse que considera alta a probabilidade de uma nova epidemia surgir na China porque eles comem tudo o que o sol ilumina e não são como os brasileiros, que criam porco no chiqueiro. “Não entendo como, num momento de crise, um parente do presidente usa um ministro para atacar a China”, disse Maia.

Ele voltou a falar da importância da reforma tributária e de outros projetos, mas frisou que o momento é de foco na crise do coronavírus. “O momento agora é de dar tranquilidade às pessoas”, afirmou. “Vamos construir pontes para o diálogo e retomar a agenda reformista.”

11 thoughts on ““Bolsonaro ouve mais as redes sociais do que o Congresso”, diz Maia sobre manutenção de Mandetta

  1. “O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na manhã desta terça-feira, 7, que tinha certeza que o presidente Jair Bolsonaro não iria demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.”

    -Alguém sabe quanto é que foi que o Mandetta roubou?
    -Tá tudo mundo torcendo para ele ele seja demitido!

  2. Olhem bem a diferença das quedas dos ministros de hoje com as quedas dos ministros de ontem:

    “Eliseu Padilha – Ministro dos Transportes
    Denúncia: 8 de março de 2001. O ex-ministro de Fernando Henrique só caiu em 24 de outubro, mais de sete meses depois. Padilha foi acusado de envolvimento com esquema de remessas de recursos ilegais ao exterior. À época, as investigações assinalavam que o ex-ministro dos Transportes tinha informações sobre o pagamento de dívidas judiciais do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) pelo menos desde 1997.

    Élcio Álvares – Ministro da Defesa
    Denúncia: em 12 de outubro de 1999 apareceram indícios de envolvimento com o crime organizado. Élcio deixou o governo em 19 de janeiro de 2000. O ex-ministro da Defesa foi acusado de encobrir traficantes no Espírito Santo. Já pensou um Ministro da Defesa defendendo traficantes?

    Mauro Gandra – Ministro da Aeronáutica
    Denúncia: As transcrições dos grampos teriam sido descobertas por FH em 9 de novembro de 1995 e o ministro da Aeronáutica se demitiu no dia 19 de novembro. O ex-presidente do Incra, Francisco Graziano, teria ordenado o grampo telefônico, que acabou flagrando o então embaixador Júlio César dos Santos ao arquitetar a escolha da empresa que forneceria os equipamentos do projeto Sivam. Na gravação ele cita o nome de Gandra. O embaixador também foi afastado.

    Mendonça de Barros – Ministro das Comunicações
    Denúncia: Os grampos teriam sido feitos no dia 28 de julho de 1998, mas a crise só foi deflagrada em 8 de novembro. Mendonça pediu demissão no dia 21, 13 dias depois do início da crise. Durante a privatização da Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas de Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e o ex-presidente do BNDES André Lara Resende. Na gravação eles articulavam o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FH entrou na história. À época, especulou-se que o ex-presidente teria autorizado o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão.”

  3. Botafo-gol … Botafo-gol … Botafo-gol … até o final da crise, o nome do premiê da bandidocracia vai bombar na página principal da TI. Eis o placar, de hoje:

    botafo-gol: 21 X coronavírus: 28

    Apesar de estar perdendo nas citações pro vírus chinês, sabemos que o Botafo-gol é muito mais perigoso para os nossos bolsos.

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