Maia diz que Ramagem enfrentará dificuldades na PF pela polêmica envolvendo a sua nomeação

Maia elogiou André Mendonça que substituirá Sergio Moro

Danielle Brant
Folha

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira, dia 28, que o novo diretor-geral da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, enfrentará dificuldades na corporação pela controvérsia causada por sua nomeação pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O novo diretor-geral da PF era diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e é homem de confiança do presidente e de seus filhos.

Maia concedeu na tarde desta terça-feira entrevista ao programa do apresentador José Luiz Datena, na Band. Na conversa, o deputado afirmou não conhecer Ramagem, mas disse fazer a avaliação de que ele terá “dificuldade na corporação, na forma como ficou polêmica a sua nomeação”.

INTERFERÊNCIA – “A gente sabe que a Polícia Federal é uma corporação muito unida, que trabalha de forma muito independente. Qualquer tipo de interferência é sempre rechaçado. A gente viu em outros governos que foi assim. Mas eu não conheço [Ramagem]”, disse.

O escolhido para a PF substitui Maurício Valeixo, que foi exonerado por Bolsonaro em um episódio que levou o então ministro da Justiça, Sergio Moro, a sair do governo. O ex-juiz acusou o presidente de tentar interferir nas investigações da PF.

APROXIMAÇÃO – Delegado de carreira da Polícia Federal, Ramagem se aproximou da família Bolsonaro durante a campanha de 2018, quando comandou a segurança do então candidato a presidente. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é um dos seus principais fiadores e esteve diretamente à frente da decisão que o levou ao comando da agência de inteligência em junho passado.

Carlos é investigado pela PF, conforme revelou a Folha no sábado, dia 25, como um dos articuladores de um esquema criminoso para espalhar fake news. Bolsonaro quer Ramagem à frente da corporação que apura a conduta do próprio filho.

MENDONÇA – Na entrevista, Maia elogiou André Mendonça, que estava à frente da AGU (Advocacia Geral da União) e que vai substituir Sergio Moro no Ministério da Justiça e Segurança Pública. “O ministro André fazia um ótimo trabalho na AGU. Vai fazer um ótimo trabalho no Ministério da Justiça. É um quadro preparado, equilibrado”, afirmou.

O deputado também elogiou a escolha do procurador-geral da Fazenda, José Lévi, para a AGU. “São duas escolhas que podem, de fato, ajudar o governo do ponto de vista da sua interlocução, principalmente com o Poder Judiciário”, afirmou. Maia voltou a pedir paciência em relação aos pedidos de impeachment que se acumulam na Câmara —já são cerca de 30.

PRIORIDADE – “A gente tem que ter prioridade. Houve um conflito do presidente com o ministro, vai para impeachment… Não é assim. Nós temos que ter equilíbrio, paciência”, afirmou. Maia, hoje rompido com Bolsonaro, é o responsável por analisar de forma monocrática se dá ou não sequência aos pedidos de impeachment. Ele não tem prazo para tomar essas decisões.

Caso seja dada sequência, o caso é analisado por uma comissão especial e, depois, pelo plenário da Câmara. Somente com o voto de ao menos 342 dos 513 deputados é autorizado que o Senado abra o processo. Nesse caso, Bolsonaro seria afastado até a conclusão do julgamento — ele perderia o mandato caso pelo menos 54 dos 81 senadores votassem nesse sentido.

O Brasil já teve dois episódios de impeachment com base na lei de 1950 que regulamenta o tema: o de Fernando Collor (1992), que renunciou antes da decisão final do Senado, e o de Dilma Rousseff (2016).

CENTRÃO – Sobre as negociações de Bolsonaro com os partidos do chamado Centrão —grupo formado por partidos de centro e de centro-direita que reúnem cerca de 200 dos 513 deputados—, Maia fez avaliação positiva. O presidente tem se reunido com partidos como PP, PL, Republicanos e PSD para discutir a distribuição de cargos às siglas.

“É bom caminho o governo ter uma base de apoio, aliados, partidos que construam um apoio ao governo, principalmente nesse momento da pandemia”, afirmou o presidente da Câmara.

“O importante é o diálogo. Se o governo abriu o diálogo para estar mais próximo de uma parte do Parlamento, dos partidos que representam a Câmara dos Deputados e o Senado, acho que é bom”, completou.

 

9 thoughts on “Maia diz que Ramagem enfrentará dificuldades na PF pela polêmica envolvendo a sua nomeação

  1. “Delegado de carreira da Polícia Federal, Ramagem se aproximou da família Bolsonaro durante a campanha de 2018.”
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    Mais esclarecimentos do que isso? Diz tudo. É da turma! Que saudades da Dilma…

  2. O Nhonho só está dizendo o óbvio, o novo diretor-geral da PF terá o mesmo destino daquele que o Temer enfiou goela abaixo. Deu no que deu. Mais dia menos dia veremos o Nhonho de beijos e abraços com o boçal, “tudo em nome da governabilidade”.

  3. O careca do super supremo impede a posse do Ramagem. Alguém ainda duvida de que querem esconder a história do Adélio? O STF tudo pode? A ditadura vai continuar?
    Esta atitude contribui com a corrupção generalizada de Wirus Witzel, Dória, e outros estados, pois com a instabilidade da PF sem rumo o roubo continuará. Continuem protegendo o mecanismo.

  4. O corporativismo da atual PF poderá tentar proteger o Mecanismo. Será em vão, mesmo com esses atuais DPFs que estão à frente na direção da PF desde 2007. Isto vai ter que mudar. Mudou o comando. Agora tem que botar gente de CONFIANÇA (grifo não grito) do atual governo e não da confiança do governo anterior.
    Não são todos os DPFs que se referem a Dilma como “presidentA”.
    O então ministro Moro teve carta branca para nomear, e não salvo conduto para manter quem estivesse inoperante na visão do superior hierárquico.
    Sr Maia, não adianta querer botafogo na relação do novo DG da PF com seus comandados. Alexandre Ramagem é respeitado por seus colegas, isto é fato que independe de torcida pessoal. O cara ficou 1 ano á frente da ABIN… só pra lembrar..
    Quem vai ter dificuldades mesmo são os políticos vendilhões da pátria que estão com suas digitais na cena do crime (roubo ao erário)

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