Maior força de Dilma está nos segmentos de menor renda

Pedro do Coutto
 
A Folha de São Paulo publicou na edição de segunda-feira, como desdobramento de pesquisa que começou a divulgar sábado, a posição eleitoral da presidente Dilma Rousseff por faixa de renda, revelando que sua maior força reside entre os que têm renda familiar até dois salários mínimos e escolaridade mais rudimentar. Ela atinge a preferência de 40% dos que ganham até dois pisos salariais e alcança 41%, quase a mesma coisa, entre aqueles que possuem apenas escolaridade fundamental. À medida em que a renda dos pesquisados sobe, a presidente decai. O mesmo fenômeno ocorre entre as faixas de escolaridade mais alta.

Os números percentuais são interessantes e acentuam o processo certificado pelo Datafolha. Enquanto ela domina com 40 pontos entre aqueles cuja renda mensal vai até dois mínimos, sua preferência junto aos que ganham mais de 10 salários mínimos desce para 18%. Em matéria de escolaridade, enquanto domina com 41% entre os que possuem somente o ensino fundamental, desce para 21% junto aos que possuem formação universitária. São estes os polos que balizam as atuais intenções de voto registradas pelo Datafolha. Por região do país, a maior força de Dilma localiza-se no Nordeste, provavelmente efeito do programa Bolsa Família.

Existem vários outros segmentos nos quais os eleitores se acomodam. É verdade. Mas a grande maioria reúne os de renda e escolaridade menores. Daí a vantagem da presidente Dilma Rousseff. Por sexo, ela atinge a mesma percentagem (35%) tanto entre homens quanto mulheres. A divisão se registra assim por grupo de renda e por escolaridade.

MAIS DE 60 ANOS
Por idade, sua maior presença encontra-se junto aos que possuem mais de 60 anos. Mas a vantagem que livra sobre seus adversários não vem daí, pois é preciso considerar que os que passaram de 60 anos são somente, segundo o IBGE, 12% da população, portanto também 12% dos votantes. Ainda em matéria de escolaridade, ela está bem junto aos de nível médio (34%), quase a média geral de 35% que alcança no final da ópera, é bem menos que os 21 pontos que registra nos eleitores de nível superior. Em matéria de renda, ela registra 32% entre os que têm remuneração entre 2 a 5 salários mínimos. Junto aos que possuem vencimentos superior a 10 SM, Dilma desce para apenas 18% das atuais intenções de voto.

Discute-se então o seguinte: o que é mais fácil? Os adversários de Rousseff crescerem no universo de renda baixa, ou ela, Dilma avançar junto àqueles de renda mais alta? É claro que é bem mais difícil arrebatar pontos seus nos segmentos de menor renda do que ela avançar nas faixas de rendimento mais alto. Isso porque as necessidades são maiores nos degraus mais baixos e, por isso mesmo, mais difíceis de substituir. Vejam os leitores o que o corre no Nordeste, principal reduto do Bolsa Família.

As famílias que recebem o benefício temem perdê-lo com a mudança do governo. Acham, inclusive que poderão ser substituídas no cadastro  oficial se as urnas levarem outra candidatura, que não a de Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto. São pessoas pobres, que ao longo da vida acumularam várias decepções e, por isso mesmo, não se dispõem a arriscar qualquer mudança de rumo que acreditam não lhes acrescentará nenhum avanço social novo. Pelo contrário, podem retirá-lo.
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2 thoughts on “Maior força de Dilma está nos segmentos de menor renda

  1. O PT sempre foi muito forte nos segmentos de baixa renda e alta ignorância. Por isso não investem em Educação boa e de qualidade para esse pessoal. Preferem distribuir esmolas “viciando o cidadão” (como dizia Mestre Luiz Gonzaga)

  2. Isso só comprova a existência de um “curral eleitoral”, aquilo que o PT e, em especial, Lula sempre condenaram. Quem não acredita é só ver no YouTube o que Lula dizia sobre os programas assistenciais, posteriormente reunidos no Bolsa-Familia, antes de virar governo (e que voltará a dizer quando virar oposição). Hipócritas!

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