Mais de 8,7 mil candidatos adotam menções religiosas no nome de urna

Charge do Genildo (Arquivo do Google)

Fábio Vasconcellos
G1

Mais de 8,7 mil candidatos nestas eleições adotaram títulos religiosos nos nomes que serão apresentados nas urnas. São esses nomes que, na maioria das vezes, eles utilizam para fazer campanha e conquistar votos. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo G1 com base nos registros de candidaturas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que ainda serão julgados nas próximas semanas.

Entre os títulos, o mais utilizado é o de pastor/pastora, com mais de 51% dos casos (4.426), seguido por irmão/irmã, com 41% (3.561). Como concentram a maior parte das candidaturas, os postulantes ao cargo de vereador apresentam também o maior número de títulos religiosos. Na sequência, aparecem os candidatos a vice-prefeito e, por último, os candidatos a prefeito.

REFERÊNCIA RELIGIOSA – Para realizar o levantamento, o G1 considerou os títulos que aparecem como o primeiro nome de urna dos candidatos. Por conta disso, não considera situações em que os candidatos usam em outra parte do nome da urna alguma referência religiosa. Após o primeiro levantamento na base, foi feita uma revisão para evitar situações que não remetiam a títulos religiosos.

Por lei, há poucas restrições para o uso de nomes nas urnas. De acordo com o TSE, o nome pode ter no máximo 30 caracteres. O candidato pode usar nome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou o nome pelo qual é mais conhecido. Mas é proibido usar nomes que gerem dúvidas sobre a identidade do candidato, que atente contra o pudor ou “seja ridículo ou irreverente”. Outra proibição, segundo o TSE, é o uso de expressões ou siglas de órgãos da administração pública de qualquer nível (federal, estadual ou municipal).

Na avaliação do professor e cientista político da Universidade Federal de Goias (UFG) Pedro Mundim, o uso de títulos ou expressões religiosas nos nomes dos candidatos segue uma tendência de aumento da participação de lideranças religiosas ou de políticos ligados a igrejas nos processos eleitorais do Brasil.

INFLUÊNCIA – “As instituições e seus membros, como é o caso das instituições religiosas, procuram meios de influenciar políticas públicas, leis, decisões de governo. Eles têm uma visão de mundo e querem refletir isso nas políticas. Desde os anos 2000, temos visto um aumento da participação de candidatos vinculados a grupos religiosos ou a igrejas”, explica Mundim.

Segundo o professor da UFG, especialista em comportamento eleitoral, os eleitores guiam suas decisões, muitas vezes, por sistemas de crenças. O uso de termos ou títulos religiosos pelos candidatos busca justamente oferecer um atalho para os eleitores, isto é, uma forma de processar a informação e tomada de decisão baseada na identificação religiosa.

“Em comportamento eleitoral, dizemos que, quando você tem mapeado o sistema de crenças, sejam elas de natureza política, religiosa ou moral de uma pessoa, você consegue razoavelmente prever como ela votará. Se uma pessoa tem alto nível de engajamento com uma crença religiosa, é mais fácil saber como ela votará. Então, se você tem um candidato apoiado por uma igreja ou um candidato que procura se identificar com esta ou aquela igreja ou denominação religiosa, maiores são as chances de ele mobilizar eleitores que se identificam com essa crença. O uso dos títulos religiosos nos nomes das urnas está dentro dessa lógica. Ou seja, de uma busca pelo candidato para que o eleitor o identifique rapidamente”, afirma Mundim.

5 thoughts on “Mais de 8,7 mil candidatos adotam menções religiosas no nome de urna

  1. O projeto de asno que é o nosso presidente ao mesmo tempo que choraminga a “ingratidão” do Biden sugere a “cooperação” entre o Brasil e os Estados Unidos na exploração amazônica, como se, por amizade com Trump, o Grande Satã possuísse algum interesse em gerar empregos para os amazônicos.

  2. Felipe Quintas (via Facebook)

    Em 1893, o inteligente monarquista Eduardo Prado já denunciava, em seu brilhante livro A Ilusão Americana, que a suposta fraternidade dos EUA com o Brasil e as demais nações latino-americanas era uma mentira, e fez todo um inventário das agressões e trapaças dos EUA contra o Brasil. De lá para cá, à exceção do governo Franklin Roosevelt, os EUA só fizeram confirmar a denúncia do Eduardo Prado. Quando Bolsonaro se diz surpreso do Joe Biden ameaçar o Brasil e precificar a Amazônia e, pior ainda, acusa o presidenciável estadunidense de ingratidão, ele só mostra que, além de vira-lata e colonizado, ou é cínico ou é boçal. Absolutamente inapto para presidir um país do tamanho, da riqueza e da importância do Brasil, tanto quanto os progressistas que enaltecem o Joe Biden e acham que ele realmente está preocupado com os bichinhos e as arvorezinhas da Amazônia.

    https://www.facebook.com/felipe.quintas.1/posts/1419989294864987

  3. Uma vez que não existe democracia plena neste país, mas um arremedo, a ponto que somos obrigados a votar (!?), penso que as eleições deveriam transcorrer sob a maior transparência possível.

    Por exemplo:
    candidatos que não colocam seus partidos nas propagandas ou santinhos;
    candidatos que se utilizam da religião para colher votos de fiéis daquela corrente;
    candidatos que usam apelidos os mais estranhos e exóticos para se identificar com o povão.

    Ou a coisa é organizada ou, além de uma pantomima, a tal festa popular ou o voto, trata-se de uma anarquia, uma baderna, um despeito ao cidadão já ofendido, atacado e insultado, por ser obrigado a sair de casa para anular o voto, podendo fazer o mesmo permanecendo no seu sagrado lar e descansando!

    Sim, pois a piada universal criada pelos brasileiros, e que repercute pelos cosmos, atingindo civilizações de outros planetas ou mais adiantadas ou até mais atrasadas que os terráqueos, é que anular o voto em casa não pode, e o eleitor é multado, mas, pode fazer o mesmo se comparecer às urnas!

    Em casa não, pois é denominado de “abstenção”.
    Curiosamente, o congresso quando vota seus projetos ou do Executivo, registra votos em abstenção, no entanto é proibido para o cidadão e pela democracia folhetinesca brasileira!

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