Mais embaixo

João Gualberto Jr. (O Tempo)

Se os deputados são representantes do povo, por que o povo deve ser consultado sobre a possibilidade de mudanças na legislação? Essa tarefa de endossar ou refutar novas propostas, não a delegamos aos parlamentares? Ora, eles estão no Congresso, foram eleitos, têm ou vêm adquirindo conhecimento sobre a Constituição e as leis federais e o regimento da Câmara, certo? Ou seja, estão mais bem-preparados do que nós, que os elegemos, para discutir reformulações legais.

Será? O deputado mais votado do Brasil chegou lá admitindo que não sabia do que trata o ofício e pretendia descobrir. Não necessariamente, portanto, um parlamentar possui conhecimento sequer jurídico razoável. Mas também não tem que ter. Afinal de contas, o que se espera do Parlamento é que ele represente a sociedade, não que se transforme em uma sucursal da OAB ou da Associação dos Municípios Brasileiros.

Mas será que representa? O povo nas ruas, que elegeu a atual legislatura, anda dizendo que não. Há duas semanas, vem bradando, em quase 400 cidades, que os desejos dele por um Brasil melhor e, portanto, mais justo, não têm ressonância naqueles plenários de Brasília. Ou as pessoas que se manifestam se arrependeram das escolhas que fizeram, ou são elas que não representam o coletivo da sociedade. Mas pode também não ser nem uma coisa nem outra.

O problema pode estar nas regras do jogo, realmente. É a respeito delas que nos poderá ser dada a chance de apontar o dedo. Pelas decisões que toma, pelo que anda aprovando ou rejeitando nas sessões de votação, há um aparente, embora abissal, descolamento entre os representantes e os representados, ou pelo menos uma parte destes, que se importa mais sinceramente com o que fazem ou deixam de fazer aqueles.

POR QUÊ???

Só que, do outro lado do abismo, estamos preparados para decidir sobre alterações na legislação eleitoral? Por que a presidente da República quer nos consultar a todos sobre algumas propostas, que, há uns 20 anos, ou batem e voltam no Legislativo, ou acabam no limbo de suas gavetas? Será porque, desinteressados, os legisladores “não nos representam” ou não conseguem chegar a consenso?

Para ficar em só uma questão: voto facultativo ou obrigatório? Escolher autoridades para o Executivo e o Legislativo é direito ou dever? Não é de hoje que uma transição nesse sentido gravita nas órbitas legislativas. Cá para nós, só isso rende muito pano pra manga. E o que dizer do voto distrital? E o sistema em lista? E o fim da coligação proporcional? E a cláusula de barreiras? E o fim da suplência para senador? Quanta complexidade!

E tem mais: por que a restrição a temas eleitorais nessa discussão? E a representação, como fica? Pois, da campanha à execução do mandato, também existe outro buraco sombrio, muito mais embaixo. Sei não, acho que estão tentando engabelar a gente com essa história de plebiscito. Tem gosto de pão velho e duro para quem está faminto.

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3 thoughts on “Mais embaixo

  1. MPF & MPED, SÃO CORRUPTOS?

    POR QUEE?

    Os crmes de improbidades administrativas, são cometidos na cara dos procuradores das duas instituições.

    A saber:

    1)Renan usa avião da FAB para passear com custo pagos por Brasileiros

    2)Henrique Eduardo Alves, usa avião para passear com namorada.

    3)Sarney usa avião e helicoptero para passear.

    4)Romero Juca usa de tudo que é público e jamais foi ou será acusado.

  2. Senhor
    Jornalista João Gualberto Jr.
    Com a votação acelerada e a grande movimentação em Brasília, o Congresso merece um desconto com as viagens que tanto reclamam. Não há tempo nem para entrar nas filas dos Aeroportos, para compra de passagens, devido aceleração das votações que ocupam um imenso tempo dos congressistas.

  3. Porque eles simplesmente não tem altruísmo, para contrariarem os seus interesses pessoais em prol da coletividade!
    A função deles deveria ser realmente construir um país melhor. Faço uma analogia aos que fazem ações voluntárias, em prol da melhoria das condições de vida dos seu semelhantes, como por exemplo voluntários que dão aulas gratuitas para quem não pode pagar por elas, ou médicos que atendem, em parte de seu tempo, quem não tem condições de lhes pagar…
    Acho que deveríamos escolher nossos representantes mais pelo seu caráter do que por quaisquer outras qualidades!

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