Mais Médicos – fracasso ou estratégia?


Murilo Rocha

O programa Mais Médicos do governo federal – cujo um dos objetivos era diminuir o déficit de profissionais de saúde no Brasil, principalmente, no interior do país – à primeira vista fracassou. De mais de 16 mil inscritos, apenas 6% (938) dos candidatos chegaram até a etapa final e agora serão distribuídos para cidades cadastradas no programa. A demanda em todo o país chegava a 15.460 médicos.

Em Minas Gerais, por exemplo, apenas 37 municípios receberão 64 médicos. Inicialmente, 495 prefeituras mineiras haviam pleiteado profissionais. O insucesso aparente do programa, retratado na primeira página da maioria dos jornais brasileiros nesta semana, abre uma brecha para o Ministério da Saúde fazer valer a sua vontade inicial: importar médicos de outros países – Argentina, Cuba e Espanha entre outros – e validar o diploma de profissionais brasileiros formados em universidades de qualidade questionável fora do Brasil.

Ou seja, de uma só tacada, o governo federal retoma seu projeto original e ainda coloca contra a parede as entidades de classe dos médicos usando o argumento – em parte, verdadeiro – da preferência dos profissionais de trabalhar apenas nos grandes centros urbanos.

ACUSAÇÕES

Em defesa própria, entidades, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), acusam o governo Dilma de criar entraves para a inscrição dos candidatos no programa Mais Médicos, além de não fornecer condições mínimas de trabalho para quem quiser atuar no interior. As principais queixas são falta de estrutura e de equipamentos médicos e também ausência de um plano de carreira com estabilidade para os participantes do programa federal.

Como se vê há bons argumentos dos dois lados. Há, sim, a falta de vontade e o descompromisso de jovens médicos em atuar na rede pública, em especial, em cidades menores, como também é verdadeira a precariedade das condições de trabalho nesses locais.

Por isso, a baixa adesão ao Mais Médicos pode ser vista como um fracasso, por parte da categoria, ou como um sucesso, por parte do governo, agora, sim, com uma justificativa para a importação de médicos estrangeiros.

Em relação à população, essa mais uma vez está de mãos atadas assistindo ao debate e provavelmente só ficará sabendo do resultado mais à frente. Sem os médicos estrangeiros, a saída seria um novo plano do governo – não há nenhum indício de isso ocorrer tão cedo – e a disposição da categoria em trabalhar fora dos grandes centros. Esta última, também considerada uma hipótese remota.

Quanto à importação de médicos de outros países, medida mais próxima de ocorrer, fica a dúvida sobre a qualidade desses profissionais. A conferir. (transcrito de O Tempo)

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

11 thoughts on “Mais Médicos – fracasso ou estratégia?

  1. A conceituada jornalista Mônica Bérgamo, na rádio BandNews FM, falou da sua recente experiência na Venezuela. Segundo ela, nas cidades interioranas, muito pobres, trabalham 20 (vinte) mil médicos cubanos, que realizam as “Missiones”. Eles estão plenamente integrados à população, que os recebe com satisfação. Os médicos tomam cafezinho nas casas dos pacientes e dormem lá mesmo. Ainda segundo a Mônica Bérgamo, outros países são integrantes do Projeto Missiones, atendidos por médicos cubanos. Os médicos cubanos não são remunerados, por tratar-se de um acordo entre Venezuela e Cuba.

  2. os nossos médicos nem querem trabalhar no interior e também não querem médicos de outros países ,que belos cidadões formanmos e com espirito humanitário de dá inveja ao mundo.E o juramento que eles fazem deve ser com os dedos cruzados.É prepotência unida a arogância.Os caras querem é bater o ponto e não trabalharem.

  3. A página do UOL informa agora uma pesquisa Datafolha em que 54% são favoráveis a esse projeto do governo federal. Aqui no blog e nos formadores de opinião já constatei que a maioria é contrária ao projeto. A única razão que atento ao apoio popular é que ao povão não importa se o médico é cubano, venezuelano, boliviano, conchinchinês, se o governo do país deles é populista, entreguista, corrupto, enfim, de qualquer que seja a ideologia ou sistema econômico. O que o povão quer É ENCONTRAR MÉDICO QUANDO NECESSITAR. E para o povão esse projeto de importação de médicos é a luz no fundo do túnel. As pessoas das grades cidades apetrechadas com seus planos de saúde, quarto privado, etc., precisam atentar para as precárias e urgentes condições médicas do país, compreender a situação do povão entregue às baratas nos corredores dos hospitais e centros emergenciais e atacar os governos nas causas profundas, como modelo econômico, contingenciamentos orçamentários, privilégios ao setor financeiro, etc., que impedem e prejudicam a saúde da nossa população, ao invés de ficarem politicando com doutrinações ridículas que não resolvem a situação na prática.

  4. Não sou da área da saúde. Se há problemas crônicos no serviço de saúde dos grandes centros urbanos, o que dizer sobre o atendimento no interior? O Governo não preparou o terreno para garantir que a oferta de trabalho seja atraente: Condições plenas de trabalho e planos de carreira (o que leva a realização de concursos públicos). O Governo insiste em obter profissionais com uma relação precária de trabalho e em condições precárias de atendimento. Mesmo que os salários sejam atraentes, não há como médicos fazerem milagres.

  5. O programa mais médicos é demagógico, oportunista e hipócrita. É a cara dos governantes que o propõem. O Brasil precisa de saneamento básico e assistência primária à saúde a priri. A imensa maioria dos cubanos – que serão ‘importados’ – sequer podem ser considerados médicos, quando muito: paramédicos, pois tem um curso mínimo e incompatível com o de um médico mediano no Brasil. Mas tudo bem, finjamos que sejam…
    A grande questão é:
    1 – É necessário que se faça um REVALIDA, prova equivalente a um concurso para qualquer residência médica no BR.
    2 – Também necessário o CELPE-BRAS, mostrando o mínimo conhecimento da língua portuguesa, pois não hablamos espanhol. Como haveria comunicação entre o médico (paramédico) e o paciente?

    Poderiam atrair médicos brasileiros se houvesse um plano de cargos e salários para a categoria, mas não há.

    Ou então estendam a bolsa Sírio-libanês para todo o povo do Brasil!!

    • Sabe Hebe, essa coisa da língua espanhola parece que não tem a mínima importância, porque todas as pessoas c/ quem comentei esse empecilho, elas disseram que isso é um mero detalhe – também justificaram dizendo que assim haveriam mais empregos de tradutores e intérpretes – pode?
      Outros refutaram dizendo que nem os médicos brasileiros conversam c/ o paciente, então não iria influir no exame…
      Nessa hora fiquei com vontade de dar uma bolsada nas cabeças dessas pessoas estúpidas – que raiva, viu?

  6. A questão não é ser contra médicos estrangeiros, e sim liberá-los do Revalida. O CFM sempre disse que médicos são bem vindos, como os que já trabalham no Brasil, mas todos devem fazer o exame. É uma questão de qualidade. Se não for assim, podem importar curandeiros que tbém servem, pois é melhor que nada. O que todos sabem é que 80% dos médicos brasileiros formados em Cuba não passam neste exame. Aí está a questão: como esse pessoal que saiu do Brasil e estudou em Cuba vai trabalhar? Esses médicos não receitarão medicamentos? Qual será seu número no CRM? É rolo em cima de rolo.

  7. Alguma solução urgente e prática precisa ser dada. Quem não tem plano de saúde, quando precisa encontrar um ortopedista ou neurologista num hospital público, passa momentos infernais nos corredores porque esses profissionais somem nos plantões. Alegam salários miseráveis. So aceitam padrão de 20mil por mês PARA CIMA. Estou cansado de ouvir sobre essas omissões. Até mesmo quem dispõe de plano não consegue ser atendido na mesma semana ou encontrar horário urgente para ressonância magnética. Eu mesmo estou com problema de marcação com neurologista, apesar de dispor de um caríssimo plano que me cobra os olhos da cara. E consulta médica com esses profissionais estão na faixa de 500 e 700 REAIS aqui no Rio. Os conselhos corporativos não fazer p.nenhuma. Querem que os doentes SIFU. Não me interessa o que acontece ou deixa de acontecer em Cuba ou na pqp, que aqui só sabem citar. O que me interessa é o que acontece no momento nos hospitais públicos e ambulatórios do Brasil, que muitos já provaram na própria carne e outros sabem por noticiários, escutam pessoas próximas a dizerem e fingem ignorar por egoísmo e maucaratismo.

  8. A manchete do Globo, hoje:
    “Cariocas esperam até 4 meses por consulta”.
    Isto é crime!!! Isto causa mortes!!! Arregimentemos já, os médicos que pudermos!!!
    A jornalista Mônica Bérgamo esteve pessoalmente na Venezuela, seu depoimento é da maior importância!!!
    O Projeto Missiones é a salvação para os pobres!!!
    Alcança muitos países, com médicos cubanos!!!
    Projetos Missiones … JÁ !!!

  9. A saúde no Brasil tem sido a “mina de ouro” dos “mãos no cofre público”, são ongs, fundações, etc., pagando médicos a 15 mil e os da “rede” 1,5 mil. Em termos de RJ, Olha os hospitais do M.Rio,Estado, e Federal, geridos por essas entidades, sobre os milhões que entram em seus cofres e o serviço prestado tem a “cara de esmola” ao cidadão, – Pedro II – está na Mídia, resta à pergunta: onde estão os Conselhos no “Controle Social”, os Tribunais de Contas e Ministérios Públicos, a CGU,na omissão. O grande culpado dessa situação calamitosa na saúde chama-se Ministério da Saúde, cujo Ministro é o Presidente do Conselho Nacional de Saúde, portanto “Raposa no galinheiro”.
    Finalizando, que o Governo faça um projeto sério de levar MÉDICOS e Estruturas de exames, monte uma infraestrutura regional de atendimento, dinheiro HÁ, falta gestão séria Constitucional, é só não roubar!
    Esse plano do governo é demagogia e incompetência, é engodo ao Zé Povinho.

  10. Pingback: “Mais Médicos”: fracasso ou estratégia? | Debates Culturais – Liberdade de Idéias e Opiniões

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *