Mais um golpe contra a Caixa Econômica: PanAmericano, que era de Silvio Santos, aprova aumento de capital em R$ 1,8 bilhão

Carlos Newton

É um escândalo que começou no governo Lula e se eterniza no governo Dilma Rousseff. Parece que não vai acabar nunca. Agora, a diretoria do Banco PanAmericano aprovou um aumento de capital em até R$ 1,8 bilhão para financiar o novo plano de negócios da empresa. O aumento do capital social da companhia foi aprovado em assembléia extraordinária realizada dia 18.

É mais um rombo nas contas da Caixa Econômica Federal, que em 2009  foi obrigada pelo então presidente Lula a salvar o banco de Silvio Santos, associou-se a ele, minoritariamente, começou a injetar dinheiro e não parou mais.

Pensava-se que a sangria tivesse sido estancada em maio de 2011, quando foi anunciada a conclusão da compra do controle do PanAmericano pelo BTG Pactual. O banco de André Esteves adquiriu 67,2 mil das ações ordinárias (com direito a voto) do grupo e 24,7 mil das ações preferenciais (sem direito a voto), por R$ 450 milhões.

Parecia que essa novela financeira de Silvio Santos estava encerrada, mas na verdade ainda continua no ar, dando continuados prejuízos à Caixa Econômica.

Tudo começou em novembro de 2009, por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois de uma visita de Silvio Santos ao presidente Lula no Planalto, quando a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do PanAmericano.

O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano. Esses R$ 739,2 milhões da Caixa foram apenas a primeira ajuda. Não adiantou nada.

Depois, já em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez.

Detalhe importantíssimo: todos esses repasses foram irregulares, porque o Fundo tem função de apenas garantir o chamado seguro-poupança a investidores de até R$ 70 mil, não para socorrer bancos falidos,

Em 11 de fevereiro de 2011, já no governo Dilma Rousseff, veio a então prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anunciou que o banco estatal ia injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que já tinha como controlador o BTG Pactual. Por coincidência, depois que esse escândalo foi noticiado (e logo abafado), Maria Fernanda Gomes Coelho perdeu a presidência da Caixa, mas “caiu para cima”.

A presidente Dilma Rousseff imediatamente lhe arranjou uma bela mordomia, e a incansável executiva agora representa o Brasil no Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), em Washington, ganhando em dólar. Quanto à injeção de mais R$ 10 bilhões, silêncio absoluto.

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MAIS UMA SANGRIA NA CAIXA

Agora, o tal aumento de capital será feito mediante emissão de até 297.520.662 novas ações, sendo 160.582.377 ordinárias e 136.938.285 preferenciais.

Em comunicado, o PanAmericano informou que o objetivo de aporte de recursos é viabilizar o crescimento das atividades do banco, otimizar o aproveitamento do estoque de créditos fiscais atualmente detidos pela Companhia e possibilitar a realização de novos investimentos e aquisições, inclusive com relação à potencial aquisição da Brazilian Finance, a qual ainda depende da aprovação por parte das autoridades brasileiras.

Os dois principais acionistas do banco, o BTG Pactual e a Caixa Econômica Federal, subscreverão, por meio do exercício do direito de preferência, o montante mínimo de R$ 1,335 bilhão, “o que corresponderá ao montante mínimo do aumento de capital”, diz o comunicado, sem revelar quanto a Caixa gastará desta vez.

Ninguém sabe qual a situação do Panamericano. Em balanço divulgado em fevereiro do ano passado, o banco informou que além do rombo inicial de R$ 2,5 bilhões, “a administração identificou irregularidades adicionais de R$ 1,3 bilhão inicialmente informados e outros ajustes não relacionados a inconsistências no valor de R$ 500 milhões”.

Traduzindo: é um buraco sem fundo, que Silvio Santos cavou mas não entrou dentro. Preferiu enfiar o simplório presidente Lula, que pensou estar entrando numa brincadeira do programa Tudo por Dinheiro e jogou recursos públicos pelo ladrão, digamos assim.

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