Mais uma prova de que crianças transportadas em cadeirinhas no banco traseiro são salvas em acidentes

Milton Corrêa da Costa

Um bebê escapou da morte por estar preso numa cadeirinha, no banco traseiro de um carro que capotou na Avenida Brasil, na altura do Caju, na tarde de segunda-feira, no Rio. A menina Thaís Leite, de 1 ano e 4 meses, sofreu apenas escoriações. O acidente, com colisão seguida de capotagem, envolveu dois carros e um caminhão. Além do bebê, Helder Leite, de 35 anos, e Alexandre Leite, de 32, que usavam o cinto de segurança e que também estavam no veículo, não se feriram com gravidade.

Caso não tivesse sido cumprida a norma prevista na Resolução/Contran 277/08, que regula, desde 1º de setembro do ano passado, o transporte de menores de dez anos nos veículos com utilização obrigatória de dispositivos de retenção, além da obrigatoriedade do uso de cinto de segurança, o resultado do acidente poderia ter sido outro.

A Resolução 277/08, do Conselho Nacional de Trânsito, estabelece que as crianças com até um ano de idade deverão utilizar, obrigatoriamente, o dispositivo de retenção denominado “bebê conforto ou conversível”. As com idade superior a um ano e inferior ou igual a quatro anos deverão utilizar o dispositivo de retenção denominado “cadeirinha”. As crianças com idade superior a quatro anos e inferior ou igual a sete anos e meio deverão utilizar o dispositivo de retenção denominado “assento de elevação” (booster). E as crianças com idade superior a sete anos e meio e inferior ou igual a dez anos deverão utilizar o cinto de segurança do veículo.

Antes mesmo de entrar em vigor, tal norma preventiva, de extrema importância na segurança dos menores de dez anos, foi alvo de críticas por parte de alguns proprietários de veículos, que consideraram tratar-se de mais uma regra de circulação de trânsito cuja finalidade seria o lucro de fabricantes e a arrecadação de multas. Um outro argumento, dos que não se conformaram com a nova norma legal, foi que tais exigências não se aplicam a veículos de transporte coletivo, aos de aluguel, a táxis e aos veículos escolares.

No entanto, é preciso lembrar que uma norma de trânsito tem parâmetros e limites de alcance. É muito complexo generalizar normas de segurança de trânsito

Para comprovar, com outro fato concreto, a importância das cadeiras nos bancos traseiros no transporte de crianças, não custa lembrar o caso dos bebês gêmeos Ingrid e Igor. Por estarem afivelados ao equipamento escaparam ilesos de um grave acidente, no Aterro do Flamengo, no Rio, na tarde de 6 de julho de 2009, após a mãe das crianças ter perdido o controle do veículo que conduzia, rodopiar e somente indo parar na contramão de direção, colidindo violentamente com outro veículo. A motorista, por estar fazendo uso do cinto de segurança, resultou ferida apenas levemente. No entanto, as consequências daquele acidente poderiam ter sido trágicas para aquela família.

Tal e qual o capacete para os motociclistas, na proteção do traumatismo crânio-encefálico, a maior causa de morte nos acidentes com motos – só crianças acima de 7 anos podem ser transportadas em garupas de motos – o uso do cinto e das cadeirinhas nada mais são do que uma simples questão de hábito. Quanto mais se usa, mais rápida é a adaptação. Ressalte-se que as cadeiras e almofadas de elevação precisam possuir o selo de conformidade com as normas do Inmetro. É preciso verificar também a existência de identificação do fabricante.

O ideal é que se compreenda os benefícios do uso dos equipamentos de segurança na proteção da integridade física e consequentemente na defesa da vida. Trânsito é meio de vida, não de morte e tragédias. A cadeirinha nos bancos traseiros é muito bem vinda, tal e qual foi a Lei Seca. Quem ama seus filhos não pode deixar de cumprir as regras previstas na Resolução 277/08 do Conselho Nacional do Trânsito. As cadeirinhas, os assentos de elevação e o cinto de segurança salvam vidas. Os fatos comprovam.

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