Mais uma vez, surge no Rio uma mobilização popular contra a corrupção. Desta vez, disseminada pela internet. Agora, pode dar certo.

Carlos Newton

As tentativas anteriores de mobilização popular contra a corrupção e a impunidade não deram certo, infelizmente. Na esteira da série de escândalos que acaba de derrubar mais um ministro do governo (o quarto, em dois meses e meio), um grupo de cariocas está usando a internet para organizar um ato contra a corrupção, dia 20 de setembro, das 17h às 20h, na Cinelândia, o chamado “ponto político” do centro do Rio de Janeiro.

O movimento é denominado “Todos Juntos Contra a Corrupção” e não tem conotação partidária. Uma das coordenadoras, Cristine Maza, diretora de uma empresa de cenografia, contou ao repórter Emanuel Alencar, de O Globo, que a articulação começou há duas semanas, na rede social, pelo Facebook.

“A gente discutia na rede o porquê de não existir um movimento organizado contra a corrupção e a impunidade. Amigos embarcaram na ideia, as pessoas começaram a espalhar, virou uma loucura . Já fizemos duas reuniões, em bares”, disse Cristine, acrescentando que até quinta-feira 460 pessoas já confirmaram presença no ato.

Ela disse que a escolha do local foi criteriosa: “Queríamos evitar batuque e oba-oba, por isso não escolhemos a orla para a manifestação. O movimento é completamente apartidário. Vamos disponibilizar o logotipo do grupo para que os interessados possam chupar da internet e façam seus cartazes e camisetas. Todo o dinheiro investido sairá de nossos bolsos”.

Ainda de acordo com a empresária, o grupo chama a atenção pela diversidade. “São jovens, adultos, de diversas ocupações. Não dá para identificar um perfil de quem está aderindo ao movimento. Mas é claro que queremos participação maciça de jovens. Eles são a base dessa mudança. Eles precisam achar que não é bacana se corromper, que o bacana é ser honesto”, assinala.

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ABI APOIA O MOVIMENTO

Um dos entusiastas da frente anticorrupção lançada no Senado, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, disse ao repórter Emanuel Alencar ser fundamental que o movimento ganhe as ruas para conquistar legitimidade.

“Os que defendem interesses escusos estão encastelados. Não é fácil vencê-los. Para que a frente tenha êxito, é fundamental o apoio da população, como aconteceu no caso da Lei da Ficha Limpa. O Congresso teve que recuar e aprovar a lei depois da mobilização das ruas”, afirmou, dizendo estar otimista com o movimento, que, segundo avaliou, caminhará paralelamente a uma CPI da Corrupção, que os partidos oposicionistas ainda não conseguiram formar.

“Mas nosso grupo não tem o componente político-partidário da CPI”, ressalvou, lembrando a histórica atuação da entidade, no passado recente: “A ABI teve papel fundamental no processo de impeachment de Collor, por exemplo”.

O entusiasmo dos organizadores do movimento tem procêdencia. A internet é o mais democrático instrumento de mobilização política. Com o uso das redes sociais, este país tem realmente chances de recuperar a dignidade e se encontrar com o grandioso futuro que o aguarda. Vamos  torcer e colaborar para dar certo.

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