Mandar de volta a carta de Pero Vaz de Caminha?…

Charge do Lane (chargesdolane.blogspot.com)

Carlos Chagas

Não dá para calcular quando a corrupção começou no Brasil. Há quem suponha tenha sido com a carta de Pero Vaz de Caminha, que tentou descolar a nomeação do seu genro. Tanto faz, pois a verdade é que as vigarices começaram cedo. Houve, porém, um divisor de águas marcando a progressão. Foi a Nova República. Com a tragédia de Tancredo Neves, começaram a se desfazer a esperanças de ficarmos apenas naqueles percentuais tidos como naturais em quaisquer países ou regimes.

Melhor não fulanizar, mas ressalva-se a gestão de dois anos e meio em que Itamar Franco foi presidente, com sua intransigente luta contra os corruptos. Depois, e até agora, a roubalheira só fez aumentar. Espraiou-se por todas as atividades nacionais, atingiu setores públicos e privados, contaminou todas as instituições, tornou-se exemplo para as sucessivas gerações, que foram assumindo responsabilidades de comando. Com as exceções de sempre, é claro, mas atingindo o Congresso, o Executivo e o Judiciário, além do empresariado, quase sem faltar categorias, as direções sindicais, as organizações religiosas, os grupos filantrópicos e tudo o mais que se pensa.

NÃO ADIANTA – Bem que o poder público se esforça para investigar, julgar e punir quantos se dedicam a essa prática tão disseminada na sociedade quanto cômoda, mas pelo jeito não adianta.

Fica em aberto a conclusão: qual a saída para reduzir ao mínimo esse deletério comportamento que nivela a nação pelo que tem de pior? Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal?   Quando não se contaminam, acabam sufocados pela avalancha de corruptos postados ao seu redor.

Até mesmo fica insuficiente recomendar cadeia para quantos aderem à corrupção. A maioria escapa e ainda se vangloria. Aumentar as penas para os forem bissextamente condenados? Um palito de fósforo diante da cratera de um vulcão. Dar de ombros e julgar a corrupção inerente à Humanidade equivaleria apenas a estimular bandidos e vigaristas. Quem quiser que opine, porque solução não há. Talvez apenas devolver a carta de Caminha aos portugueses…

10 thoughts on “Mandar de volta a carta de Pero Vaz de Caminha?…

  1. …na impossibilidade de repovoar o Brasil, vamos repovoar a câmara federal, o Senado, a presidência, as prefeituras, as câmaras municipais a partir de 2016 e 18

  2. Caro Chagas, jeito há, o império romano, com seu poderio, que chegou no pico da corrupção dos cesares desmoronou do “dia para a noite”, a vinda de Jesus pregando e exemplificando a moral e honra, com seu evangelho de amor fraterno, determinou a mudança de parâmetros morais, infelizmente, o homem, em sua hipocrisia, materializou o sentido espiritual, e o resultado aí está, a humanidade,vivendo como animal irracional.
    Creio em Deus presente em nós, só que bancamos o surdo e cego, para não ouvir e ver, como se a vida material fosse eterna.
    A cada um segundo suas obras, é lei divina, cuja aplicação será além túmulo. Roguemos a Deus sua justiça que faz justiça.

  3. Ele tinha razão ao dizer que aqui se plantando tudo dá. Desde que os primeiros degenerados, bandidos, corruptos e assassinos vindos de Portugal, começaram a ser “plantados” aqui, nunca mais parou de nascer dessa corja por aqui…

  4. Julgamento sumário.
    Forca para os serial killer’s, ou seja corruptos
    Não tem um salafrário na cadeia que tenha tido um julgamento como tem tido esta cambada.
    Sã assassinos, matam milhares de crianças, milhares de adultos, milhares de idosos,
    Merecem alguma coisa da sociedade ?

  5. Acabar com a corrupção ninguém acaba, ela é inerente à atual condição humana. Agora, desinstitucionalizar a corrupção de nosso país só mediante uma revolução, porém o diabo serão os efeitos colaterais que virão com a reboque com tal revolução.

  6. É uma bobagem ficar pinçando na história a gênese da corrupção. Corrupção sempre existiu. Depois da Revolução de 1964 é que agravou-se. No governo do impostor Sarney a corrupção se avolumou de uma vez. É só lembrar os fardos de dólares perdidos por Roseana Sarney nos cassinos de Las Vegas. Jogadora compulsiva, perdia carradas de dinheiro. Quem pagava? Na eleição de 2003 ela deixou de ser candidata por ter sido descoberto uma grande falcratua em uma empresa que ela e o marido estariam envolvidos. Surgiu a versão que teria sido Serra o denunciante. Roseana era nas pesquisas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *