Mano Menezes não deve interferir no destino profissional de Neymar

Pedro do Coutto

Em artigo publicado no Caderno de Esportes de O Globo,  o jornalista Renato Maurício Prado critica o treinador da Seleção, Mano Menezes, por ter aconselhado Neymar a se transferir para o exterior antes da Copa de 2014. Sustentou que a mudança seria positiva a seu desempenho profissional. Maurício Prado tem razão. O técnico errou e muito. Não tem nada que se intrometer no rumo profissional do craque, tampouco no destino de qualquer outro atleta, especialmente dos que dependem de sua escalação para entrar em campo. O jornalista focalizou também idêntica manifestação de Ronaldo Fenômeno, hoje empresário esportivo, proprietário da Nine Promoções e Contratações.

A iniciativa de Ronaldo é tão inaceitável quanto a de Menezes. Por uma razão muito simples. Um, como disse há pouco, é o técnico da Seleção de Ouro. O outro integra a direção da CBF abalada pela atuação de Ricardo Teixeira, que renunciou, e pela posse de José Maria Marin no seu lugar. Deixaram a impressão de que representam interesses econômicos fortes e se encontram sintonizados no tema. Confundiram tudo.

Entraram na contramão da ética. Para início de conversa, referiram-se à Copa do Mundo de 2014. Esqueceram a Copa das Confederações em 2013, daqui a quatorze meses. Além disso, de forma indireta e imprudente, expuseram objetivos pessoais na medida em que buscaram (e buscam) antecipar uma transação financeira de vulto. Pois Neymar poderia tanto interessar ao Barcelona, quanto ao Real Madrid ou ao Milan.

Todos sabem que a negociação de passes de atletas profissionais envolve comissões. Agentes no esporte e na arte existem para indicar negócios que podem se tornar rendosos. Não cai nada bem tal papel nem no treinador Mano Menezes, nem no dirigente Ronaldo Fenômeno. O povo vê com natural desconfiança tal interesse e tal conselho. O episódio não acrescenta nada ao futebol brasileiro. Pelo contrário.

As transações milionárias acontecem. O futebol está pleno de exemplos não aparentes, porém – sabemos todos – bastante concretos. Trata-se de um mercado como o da Bolsa de Valores de São Paulo. Um dia, puxam ações para cima. No outro para baixo. Os verdadeiros ganhadores dos lances ocupam os dois lados. Profissionalismo, dirão alguns leitores. É fato. É verdade. Porém a extensão de tal comportamento ao futebol é diferente. O mercado de ações é frio, calculado, estratégico. O futebol é uma paixão. Um arrebatamento. A coisa muda de figura. Renato Maurício Prado está coberto de razão. Ele e todo o público brasileiro que acompanha a Seleção de Ouro e vive na aventura a que se lança sua própria aventura humana.

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A DESPOLUIÇÃO DA BAÍA

Um outro assunto. Leio na página 9 do Diário Oficial de 20 de março despacho do ministro Guido Mantega aprovando a concessão de garantia do governo federal para o Estado do Rio de Janeiro contratar crédito de 451,9 milhões de dólares junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, destinado a financiamento parcial para despoluição ambiental dos municípios do entorno da Baía da Guanabara. A iniciativa é extremamente importante, sem dúvida. Mas não constitui a primeira vez em que se tenta tal projeto. Falei em despoluição ambiental como poderia ter falado em saneamento. Mas é que no governo Marcelo Alencar, de 95 a 99, o Eximbank do Japão destinou crédito de vulto para despoluir a própria Baia.

Passaram-se os anos e os governadores, e nada foi feito. Incrível. Nem poderia. Como despoluir as águas se nas margens existem favelas que as transformam em depósitos de lixo e de esgotos sem tratamento? O fato me vem à lembrança quando um novo financiamento surge e a ideia ressurge. Vamos ver agora o que acontece.

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