Mansur defende que Cunha renuncie logo à presidência da Câmara

Charge do Renato Peters, reprodução do G1

Deu no Correio Braziliense

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, defende a imediata renúncia do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Não é possível que a Câmara continue sangrando deste jeito. Vai fazer 60 dias que a Câmara está acéfala. Por isso, eu defendo que Eduardo Cunha renuncie ao mandato de presidente da Câmara para que, em cinco sessões, nós tenhamos um novo presidente”, disse Mansur, que é um dos pré-candidatos à sucessão da Casa.

A seu ver, o impasse provocado pela situação do peemedebista não pode continuar atrapalhando o andamento dos trabalhos legislativos. “É importantíssimo que a gente dê um basta nisso”, voltou a defender.

GESTÃO TRIPARTITE – O primeiro-secretário lembrou que no dia 5 de julho completará dois meses do afastamento do peemedebista, que neste período a Casa foi conduzida pelo trio formado pelo primeiro-vice Waldir Maranhão (PP-MA), o segundo-vice Fernando Giacobo (PR-PR) e ele, mas admitiu que o modelo compartilhado de administração não tem dado certo. “Acho que esse sangramento da Câmara chegou num limite”.

Segundo Mansur, a Câmara precisa “de um nome de consenso” e “não importa discutir se será A, B ou C”. E emendou: “Só defendo que Eduardo Cunha renuncie nesses 60 dias que vão completar na semana que vem e que ele se defenda fora do cargo”. Mansur disse crer na existência de sentimento dele e de uma série de lideranças de que o peemedebista deverá renunciar na semana que vem.

Beto Mansur ressaltou que não falava por outras pessoas ao dizer que Cunha “deve renunciar na semana que vem”. “Não estou falando por ninguém. Estou falando por mim, que estou há cinco mandatos na Casa e sou primeiro secretário. Nós estamos precisando votar uma série de matérias importantíssimas para o Brasil e as coisas não andam porque você não tem um presidente que toque os trabalhos como tem de ser tocado”, observou.

APELO DE TEMER – O posicionamento  de Mansur está em consonância com o apelo que o presidente em exercício Michel Temer teria feito a Cunha no último domingo. Segundo relatos, Temer deixou claro sua insatisfação com a permanência de Maranhão na presidência da Câmara e reclamou que a instabilidade política está prejudicando as votações de matérias de interesse do governo.

Mansur enfatizou ainda que chegou a hora da Casa escolher um novo presidente. “O calendário (da defesa na CCJ) de Cunha não pode influir no calendário da Casa”, insistiu, dizendo desconhecer as negociações sobre um acordo para salvar o peemedebista em troca de sua renúncia. “Está muito difícil administrar a Câmara e tocar os projetos”, completou.

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