Mantega admite ter uma conta não declarada na Suíça com US$ 600 mil

SÃO PAULO, SP, 09.05.2017: GUIDO-MANTEGA - O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega. (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)

A ficha caiu e Mantega começa a abrir o jogo

Estelita Hass Carazzai
Folha

O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega admitiu, em petição enviada nesta segunda (29) ao juiz Sergio Moro, que possuía uma conta oculta na Suíça, jamais declarada à Receita Federal. O saldo da conta era de US$ 600 mil, fruto da venda de um imóvel herdado do pai, segundo ele. O dinheiro teria sido recebido antes de Mantega assumir o ministério da Fazenda, em 2006. A defesa do ex-ministro afirma na petição que ele “não espera perdão nem clemência”, mas que demonstra “sua total transparência frente às investigações em curso”.

Na petição, o advogado Fábio Tofic Simantob voltou a afirmar que Mantega “jamais solicitou, pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza” na condição de ministro.

SEM SIGILO – O ex-ministro também diz abrir mão “de todo e qualquer sigilo bancário, financeiro e fiscal” em prol da investigação. Ele promete ainda entregar o extrato da conta assim que o receber da instituição financeira.

Mantega foi alvo da 34ª fase da Operação Lava Jato, em setembro de 2016. Na época, Moro chegou a determinar sua prisão temporária – mas, ao saber que ele acompanhava naquele dia uma cirurgia para tratamento de câncer de sua mulher, revogou a medida. O ex-ministro ficou cerca de seis horas detido.

Segundo o magistrado, o fato de ele acompanhar a esposa na cirurgia e em sua recuperação no hospital afastava o risco de que ele interferisse na colheita das provas. Para investigadores, a data em que a operação foi deflagrada foi “uma infeliz coincidência”.

EM ANDAMENTO – A investigação ainda está em andamento. O ex-ministro não foi ouvido pela Polícia Federal, tampouco denunciado pelo Ministério Público Federal até agora. Mantega é acusado de ter solicitado R$ 5 milhões ao empresário Eike Batista para saldar dívidas de campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. A acusação foi feita pelo próprio Eike, em depoimento espontâneo à Procuradoria. Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época do pedido, em novembro de 2012.

O ex-ministro também aparece em planilhas de Marcelo Odebrecht, delator e ex-presidente do grupo Odebrecht, com o codinome “pós-Itália”. Ele é acusado pelos delatores da empreiteira de solicitar doações eleitorais em caixa dois, também para a campanha de Dilma.

Mantega nega as suspeitas e, em entrevista à Folha, disse estar sendo vítima de uma humilhação. Ele afirma que as acusações são inverossímeis e que jamais “deu moleza” às empresas que agora o acusam de ter solicitado propina em troca de vantagens fiscais e tributárias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Essa revelação mostra bem quem é Guido Mantega, mas a conta na Suíça é apenas a ponta do iceberg, tem muito mais informações ainda submersas (por orientação de José Dirceu, as contas secretas dos petistas eram abertas no Panamá). A matéria só está equivocada sobre a prisão revogada de Mantega. A mulher dele não estava sendo submetida a nenhuma operação de câncer. A notícia da prisão foi “vazada” para o ex-ministro e o advogado armou a falsa operação. Mantega e a mulher saíram de casa antes da chegada dos federais e foram para a emergência do Sírio Libanês, onde ela se queixou de gastrite e foi encaminhada para fazer endoscopia. Na verdade, a mulher de Mantega estava bem de saúde e eles tinham marcado passagem para passear na Europa uma semana depois. (C.N.)

14 thoughts on “Mantega admite ter uma conta não declarada na Suíça com US$ 600 mil

  1. O Eduardo Cunha foi pego por uma conta no exterior, e o Mantega livre, leve e solto. O que de ter contas em nome de laranja esse povo o qual nunca iremos recuperar a totalidade do desvio ao cofres da nação. Melhor caminho é prisão mesmo dessa ratai ada.

  2. Um guabiru subitamente aparece com meio milhão de dólares na Suíça, art. 22, § único da Lei do Colarinho. A história está super mal-contada, toda misteriosa: como se deu o desvendamento? A Lava Jato pegou o ratanaz? Como foi? Teria repatriado fiscalmente? Aí, vem o “inocente” e diz: herança de finado meu pai… esquecendo ele que o art. 22 não lhe dá esse abano. Eu disse abano, de refrescar… kkkkk
    Art. 22. Efetuar operação de câmbio não autorizada, com o fim de promover evasão de divisas do País:
    Pena – Reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
    Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, a qualquer título, promove, sem autorização legal, a saída de moeda ou divisa para o exterior, ou nele mantiver depósitos não declarados à repartição federal competente.

    Veja a redação do tipo penal: promover a saída ou mantiver.

  3. Quando se deixa de declarar qualquer “mixaria” e a Receita Federal descobre através de cruzamentos, não há justificativa que faça o contribuinte ser perdoado.
    A punição é pesada e não ha o que fazer. Agora espera-se que as “sanções” ao ex ministro, seja a altura da sonegação, até porque na venda de imóveis, o IR é de 15%, talvez seja este o motivo do “esquecimento”.

  4. Se as declarações do Joesley Teve tanta credibilidade junto o PGR, porque não mandar prender Lula e Dilma, que segundo o delator receberam cada um R$150 milhões em contas na Suíça. Enquanto uns estão sendo arrochados, outros, como Renan Calheiros, Mantega, Lula, Dilma etc estão ainda por aí livres.

    • Eu também acho. Não se fala nos 70 milhões do Molusco e nos 80 milhões da Iolanda Maravilha. Renan continua livre e ainda com ares de líder.

  5. É possível que os 800 mil na conta do excelentíssimo sejam de uma casa vendida no exterior. Não é muito dinheiro.
    Só a minha meia-água em fundo de quintal vale uns duzentos. E fica em Bangu a umas duas quadras da linha do trem. Tudo é relativo menos o absoluto.

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