Marcelo Odebrecht decide falar e vai destruir o que ainda resta de Lula e Dilma

Emílio Odebrecht se aborreceu e mandou o filho falar

Carlos Newton

A maior parte das notícias políticas necessita de tradução simultânea. Um bom exemplo é a informação de que o empreiteiro Marcelo Odebrecht acaba de desistir de um pedido para revogar sua prisão, apresentado no início do mês por seu principal advogado, o veterano criminalista Nabor Bulhões.

A petição da defesa de Odebrecht havia sido protocolada na terça-feira passada, dia 5, e o advogado alegava que já não existem os motivos que levaram à prisão, decretada para que as investigações e o andamento dos processos prosseguissem.

O juiz Sérgio Moro recebeu a petição de Nabor Bulhões e pediu que o Ministério Público Federal se manifestasse, mas antes de os procuradores enviarem o parecer, a própria defesa desistiu do pedido e alegou que o motivo dessa nova posição deve ser mantido em sigilo.

Como se sabe, Marcelo Odebrecht já está condenado a 19 anos e quatro meses e ainda responde na primeira instância da Justiça Federal a duas outras ações penais.

CONTRA A DELAÇÃO – O fato concreto é que há dois meses e meio está em negociação o acordo de delação premiada, conforme notícia publicada aqui na Tribuna da Internet em absoluta primeira mão e confirmada no dia seguinte pela direção da Odebrecht, em nota oficial distribuída à imprensa.

Detalhe importante: o advogado Nabor Bulhões é contra a delação premiada e não participa dessas negociações, que foram autorizadas pessoalmente pelo patriarca Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. O criminalista seguia defendendo normalmente o empreiteiro nas duas ações que restam, mas agora recebeu a ordem expressa para se recolher, porque suas inoportunas petições acabaram dificultando a negociação do acordo com a força-tarefa.

O QUE FALTA – O problema de Marcelo Odebrecht é que, para fechar mais acordos de delação premiada, a força-tarefa precisa receber informações absolutamente inéditas. Não adianta que o novo delator queira apenas confirmar o que outros depoentes já revelaram.

Para aceitar a delação de Marcelo Odebrecht, a Lava Jato impôs várias condições. e xigindo que ele revele tudo o que sabe sobre os seguintes fatos:

1) seu relacionamento com o ex-presidente Lula, incluindo o pagamento por palestras que ele jamais pronunciou;
2) a permanente liberação de recursos para manter o Instituto Lula;
3) a compra do novo prédio para sediar o Instituto Lula na capital paulista;
4) a reforma do sítio de Atibaia;
5) as contas no exterior e o abastecimento do caixa 2 das campanhas para eleger Dilma Rousseff;
6) a armação da presidente Dilma Rousseff ao nomear Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, com a missão de relatar a petição a ser apresentada para libertar os grandes empreiteiros da Lava Jato;
7) o suborno do delegado federal Mário Renato Castanheira Fanton e do agente Dalmey Fernando Werlang, entre outros, para armar uma manobra destinada a anular as provas colhidas pela Lava Jato, com instalação de escuta na cela do doleiro Alberto Youssef e tudo o mais.

Outro detalhe: o delegado Mário Fanton e o agente Damley Werlang já foram denunciados criminalmente à Justiça pelo Ministério Público Federal, mas o depoimento de Marcelo Odebrecht é considerado indispensável para garantir a condenação deles.

FALANDO PELA METADE – Marcelo Odebrecht jamais quis fazer acordo com a força-tarefa. Ao depor na CPI da Câmara, no ano passado, foi enfático ao mostrar desprezo por delatores. Na época, ele julgava que seria facilmente libertado por seus advogados, com base na manobra do delegado Mário Fanton e em outras jogadas em curso, como a nomeação de Navarro Ribeiro Dantas para o STJ, mas deu tudo errado.

Há dois meses e meio, Marcelo Odebrecht enfim aceitou fazer a delação, mas desde então vem tentando embromar a força-tarefa, ao relatar as coisas pela metade. Foi por isso que na semana passada os procuradores pediram o prosseguimento das ações penais contra o empreiteiro, que tinham sido suspensas pelo juiz Sérgio Moro.

Diante disso, o patriarca Emilio Odebrecht perdeu a paciência, pegou o jatinho e foi a Curitiba ter uma conversa franca com o filho, inclusive ameaçando que iria depor, caso Marcelo não o fizesse. Somente assim, debaixo de pressão total, Marcelo Odebrecht resolveu contar tudo o que sabe. Sua primeira decisão foi afastar o criminalista Nabor Bulhões, que continua a representá-lo, mas terá de ficar quieto no seu canto, sem apresentar petições e recursos para tentar a libertação do cliente.

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PS
O empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, está na mesma situação. A Lava Jato só aceitará sua delação premiada se ele realmente contar o que sabe. Pinheiro está em prisão domiciliar e também vem sonegando informações. Se bobear, voltará para a carceragem de Curitiba. Quanto ao delegado Mário Fanton, a 32ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Caça-Fantasmas, teve como principal alvo justamente o irmão dele, Edson Paulo Fanton, responsável pelo FPB Bank, uma instituição financeira do Panamá que há anos atuava clandestinamente no Brasil, abrindo contas secretas. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

9 thoughts on “Marcelo Odebrecht decide falar e vai destruir o que ainda resta de Lula e Dilma

  1. Circula na praça uma outra versão. Estão querendo que ‘ diminuir ‘ a delação do Odebrecht, pois os seus 90 anexos tocam em TODOS os poderes.
    O fato de não ter ocorrido mais nenhuma operação da Lava jato e a substituição de 4 delegados, corrobora com essa versão.

    • “Obra sem propina? (O Antagonista)

      Brasil 14.07.16 09:21
      A força-tarefa da Lava Jato quer incluir uma nova exigência nas delações firmadas com executivos da Odebrecht: informações sobre obras em que não houve irregularidades, informa a Folha.

      O objetivo é facilitar a vida dos investigadores, economizando tempo e energia.

      Pelo histórico da empreiteira, contudo, não será fácil encontrar uma obra sem propina.”

  2. Enquanto isso, na terra da Olim piada, um cidadão que há 5 anos atrás ficou tetraplégico por ter ‘encontrado’ uma bala perdida, morreu na 3.ª pois encontrou outra….

  3. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está afiado com relação à Olimpíada. Desde o fim de junho, ele tem disparado opiniões sinceras sobre o megaevento esportivo. O HuffPost Brasil separou as seis declarações que resumem o que o prefeito pensa sobre os jogos:

    “As Olimpíadas são uma oportunidade perdida. Não estamos nos apresentando bem. Com essa crise econômica e política, com todos esses escândalos, este não é o melhor momento para estar nos olhos do mundo”, disse ao The Guardian.

    “Se muda pô! (…) Deixa de ser mal humorado, po. Toma um chopp, joga uma pelada, dorme cedo, vai a igreja, dá uma namorada. Domingo pode”, disse pelo Twitter à morador que reclamou de sua gestão.

    “Esse é o assunto mais sério do Rio, e o Estado está fazendo um trabalho terrível, horrível. O governo está falhando completamente em seu trabalho de policiar e cuidar das pessoas”.

    “Já deu. O estado já passou muita responsabilidade para o município. Eles já receberam dinheiro do governo federal. Está na hora de fazer gestão, de tomar vergonha na cara e cumprir com suas obrigações. É um absurdo um secretário dizer isso (fechamento de hospitais) a essa altura do campeonato. Vai aprender a gerenciar, vai economizar.”

    “A gente pede para que as pessoas não venham para cá esperando Chicago, Nova York ou Londres. Comparem o Rio com o Rio.”

    “O Rio não tem fortuna para fazer parque aquático. A prefeitura conseguiu fazer tanta coisa porque a gente recorreu ao setor privado. (…) Nada é mais justo do que o presidente Temer ajudar o Estado para vencer a crise. O Rio receberá os Jogos que não são só da cidade. O Brasil conquistou. Não fui sozinho a Copenhague (disputar ser a sede dos Jogos).”

  4. Como o BC, então comandado pelo Meirelles não soube do FPB Bank ? Entrei em sei site e eles ofereciam até cartões de crédito de várias bandeiras ???? Cartão de Crédito sem o Banco ter aval do BB ???

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