Marcelo Odebrecht obedece ao pai e depõe durante 10 horas na Lava Jato

https://jbr-arquivos-online.s3.amazonaws.com/site/imagens/capas/20160323002945.jpg

Marcelo começa a falar e espalha o pânico na classe política

Cleide Carvalho, Renato Onofre e Thiago Herdy
O Globo

Em depoimento que durou dez horas, em Curitiba, o empresário Marcelo Odebrecht disse na quinta-feira a quatro procuradores da República ter a intenção de explicar, em detalhes, como fez pagamentos ilícitos a políticos de diversos partidos nos últimos anos. É a primeira vez que o herdeiro da maior construtora do país se reúne pessoalmente com integrantes da força-tarefa da Lava-Jato para tentar viabilizar um acordo de delação, que está em negociação desde maio.

O ponto central do depoimento foi sobre a motivação da Odebrecht para fazer as transferências: caixa dois de campanha ou propina ligada a obras públicas. O depoimento marca a reta final da tentativa da Odebrecht de firmar sua colaboração. Os investigadores já afirmaram que a proposta apresentada é “satisfatória”, mas ainda depende de documentação e detalhamento dos fatos. Nos últimos meses, dezenas de executivos vêm pressionando a empresa a colaborar com as investigações.

Há a expectativa de que 51 executivos e gerentes da empreiteira, incluindo o empresário, façam parte da proposta final de acordo de delação a ser apresentada ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Pelo menos 90 temas foram apresentados à Procuradoria-Geral da República, e Marcelo Odebrecht deverá detalhar o conteúdo de cada um deles.

VAI SER UM ARRASO – De uma forma mais ampla, a Odebrecht promete apresentar provas que envolvem, além de integrantes do governo federal, 35 senadores, 13 governadores e dezenas de prefeitos. O objetivo é destrinchar os pagamentos feitos pelo Setor de Operações Estruturadas, que ficou conhecido como “diretoria da propina”. O setor foi criado pela empresa para repassar valores a políticos.

“O acordo de colaboração ainda não está fechado. Ainda temos um longo caminho à frente” — disse ontem um dos procuradores envolvidos na negociação com a empreiteira. Um advogado também afirmou que ainda “há muito a ser discutido”.

Um dos pontos de embate é a discussão sobre a origem dos repasses a políticos. A Odebrecht defende a tese de que a maior parte dos pagamentos foi realizada como caixa dois de campanha, sem vinculação direta com obras ou contratos com governo. Os procuradores questionam a tese e cobram da empresa informações sobre a origem da propina, para verificar a relação com verbas desviadas dos cofres públicos.

EM NOME DO PAI – Apesar dos investigadores buscarem confirmar versões com Marcelo Odebrecht, a negociação já não passa mais diretamente por suas mãos. Depois de controlar a defesa da empresa durante o ano em que ficou na prisão (ele foi preso em junho de 2015), Marcelo deixou de dar a última palavra no acordo, agora conduzido pelo pai dele, Emílio Odebrecht.

Emílio convocou um grupo de cinco ex-executivos, que trabalharam diretamente com ele nos anos 1980 e 1990, para discutir o caminho a ser seguido. Foi assim que a ideia da delação ganhou corpo, no início do ano, e foi aceita por Emílio em março. Todos do grupo trabalharam diretamente com o empresário, mas já estavam afastados da empresa. Pelo menos uma vez por semana, se reúnem para discutir as estratégias da empresa.

OUTROS DEPOENTES – Além do depoimento de Marcelo, a PGR ouve em Brasília e em Curitiba executivos que não chegaram a ser presos pela Polícia Federal. A partir dos depoimentos os procuradores saberão o que eles pretendem relatar no acordo, para decidir pela validade ou não da proposta de colaboração.

O teor dos depoimentos deverá também balizar a negociação sobre o tempo em que Marcelo Odebrecht deve permanecer preso. Por enquanto, a expectativa é que ele cumpra, no mínimo, um ano em regime fechado depois da assinatura do acordo.

A Odebrecht não quis se pronunciar sobre o assunto. O advogado Theo Dias, que coordena a negociação do acordo, afirmou que não pode “nem confirmar nem negar” o teor do depoimento realizado ontem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O clima é de pânico. O empreiteiro Marcelo Odebrecht vai destruir o que ainda resta da imagem pública de Lula, Dilma e de grande parte da elite política do país. Pena que a maioria vai restar impune, porque o ministro Barroso já avisou que o Supremo não tem a menor condição de conduzir o grande número de inquéritos oriundos da Lava Jato que envolvem parlamentares e autoridades com foro privilegiado. A impunidade está garantida e muitos dos parlamentares corruptos continuarão na política até haver prescrição de seus crimes, como recentemente ocorreu com o senado Jader Barbalho, em função da lentidão dos trabalhos do Supremo. (C.N.)

12 thoughts on “Marcelo Odebrecht obedece ao pai e depõe durante 10 horas na Lava Jato

  1. Marcelo depondo = um suicídio.
    O o ministro Barroso colocou rede de proteção…
    Bum! Boóíing! Bate na rede, rebate, vai la no alto, tomara que acerte na cabeca do Lula lelé ao cair.

    Que pizza essa do Barroso

  2. O lula tido e havido com um exemplo de “esperteza” política, na verdade não passa de um burro que deu sorte, por ter engabelado outros mais burros que ele.
    Fosse um indivíduo realmente ladino, teria conservado sempre um mandato de deputado federal, garantidor da impunidade.
    Teria sido muito fácil se eleger por São Paulo.
    Preferiu ser apenas presidente e dono do PT, agora esta na “boca do jacaré”.
    Este é um dos casos que o excesso de esperteza, engoliu o esperto.
    Não quis fazer parte da escolinha do professor Maluf, lascou-se.

  3. É mais educativo, para o bandido rico, UMA SEMANA em uma cadeia, ouvindo, diariamente, o bater da porta de ferro e sentindo o cheiro da latrina, do que UM ANO de serviços comunitários!!!

    Por isso os ESQUERDISTAS brasileiros sempre defenderam a pena alternativa, a progressão de pena, a prisão só na última instância, o foro privilegiado, as medidas cautelares, a audiência de custódia… O negócio deles é roubar sem correr o risco de irem para a cadeia.

    BANDIDOS!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *