Marco Aurélio diz a Bolsonaro que ele é ‘presidente de todos’ e ‘deve corrigir desigualdades sociais que envergonham’

Ministro não poupou críticas e mandou o “papo reto” a Bolsonaro

Rafael Moraes Moura, Julia Lindner e Jussara Soares
Estadão

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), aproveitou nesta quinta-feira, dia 10, a solenidade de posse do ministro Luiz Fux, que acaba de assumir o comando do tribunal, para mandar um recado ao presidente Jair Bolsonaro, que também acompanha a sessão presencialmente.

“Vossa Excelência foi eleito com mais de 57 milhões de votos, mas é presidente de todos os brasileiros”, disse Marco Aurélio, primeira autoridade a se pronunciar na cerimônia. “Busque corrigir as desigualdades sociais, que tanto nos envergonham. Cuide especialmente dos menos afortunados, seja sempre feliz na cadeira de mandatário maior do País”, completou o ministro.

AUTORIDADES PRESENTES – Entre as autoridades que prestigiam a solenidade estão os presidentes da República, Jair Bolsonaro, e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além de integrantes do STF.

“Constatamos tempos estranhos, de controvérsia política, crise econômico financeira e efeitos de pandemia sem precedentes. Valendo-me da palavra do prêmio Nobel da literatura, Albert Camus, em meio aos flagelos, às agruras da vida, se aprende que há mais nos homens e mulheres a admirar, do que a desprezar”, observou Marco Aurélio Mello, acrescentando que “o horizonte é sombrio. Fora da Carta da República não há salvação, apenas arbítrio e autoritarismo.”

COERÊNCIA E INTEGRIDADE – Em sua fala, Marco Aurélio destacou que o Supremo “não mais apenas interpreta a Carta da República, mas o faz por todos os juízes e tribunais do país, sendo exigido clareza, coerência e integridade na fixação de teses, premissas e fundamentos de forma a orientar a máquina judiciária”.

“O brasileiro aprendeu o caminho da cidadania e confiando no funcionamento das instituições habituou-se a bater às portas da Justiça sempre que diante de qualquer incerteza sobre direitos. Buscam-se juízes e não semideuses encastelados em torre de marfim. O Judiciário não pode se fechar em torno de si mesmo, omitindo-se, furtando-se de participar dos destinos da sociedade. O magistrado deve ser sensível ao cotidiano da comunidade em que vive, mas sem fazer concessão ao que não é certo, sem se preocupar em agradar”, acrescentou o ministro.

“SENSATEZ” – O procurador-geral da República, Augusto Aras, relembrou o currículo de Fux e chegou a citar questões pessoais ligadas ao novo presidente do STF, como o seu apreço pelas artes marciais, citando especificamente o jiu-jitsu, e a sua torcida pelo time de futebol Fluminense.

Aras também destacou que a Constituição faz parte do “caminho pela sensatez” e colocou o MP à disposição do novo presidente do STF. “O Ministério Público brasileiro apresenta aos futuros presidente e vice-presidente do Supremo votos de muita saúde e sabedoria”, disse. “Contem com o apoio do Ministério Público brasileiro.”

10 thoughts on “Marco Aurélio diz a Bolsonaro que ele é ‘presidente de todos’ e ‘deve corrigir desigualdades sociais que envergonham’

  1. Marco Aurélio é de uma família rica e influente do nordeste. Conseguiu empregão na Justiça do Trabalho sem fazer concurso. Foi promovido para o supremo por nepotismo ( seu primo collor de melo o indicou). Me emociona a preocupação dele com os pobres.

  2. É o caso de lembrar ao iminente ministro Marco Aurélio de Mello que o Poder Judiciário NÃO promove a que talvez seja a maior das igualdades da cidadania: A IGUALDADE DE TODOS PERANTE A LEI! é fácil constatar isso; milhares de cidadãos estão presos, alguns há muitos anos, sem passar sequer por um único julgamento enquanto marginais que podem pagar por bons advogados nunca irão ser presos porque esse mesmo STF do qual ele faz parte decidiu que prisão é só após transito em julgado tendo que ser julgados por 4 instancias, ou seja, os vagabundos apaniguados amigos dos reis do judiciário, nunca serão presos. E ainda enche a boca de apontar as enormes desigualdades sociais do país, é de um cinismo acachapante de um desses super deuses do STF!

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