Marcos Valério tentou blindar Dirceu e fortalecer a tese do Caixa 2, mas as provas falaram mais alto.

Carlos Newton

Na reta de chegada do julgamento do mensalão, é interessante analisar o voto do relator Joaquim Barbosa, que confirmou as declarações do procurador-geral da República Roberto Gurgel de que as provas contra José Dirceu são abundantes.

Dirceu, à frente do esquema

Em seu voto, Barbosa mostrou que o publicitário Marcos Valério, operador do esquema, frequentava o Palácio do Planalto e “teve várias reuniões” na Casa Civil com José Dirceu.

O relator explicou que inicialmente Valério tentou proteger e preservar Dirceu, negando ligação com o ex-ministro, para “tornar mais plausível” a tese de Caixa 2 eleitoral e dissimular a compra de apoio político no Congresso nos primeiros anos do governo Lula (2003-2010).

Segundo o ministro Barbosa, as tentativas de negar envolvimento entre Dirceu e Valério chegam a ser inacreditáveis. “A defesa falta com a verdade. Até pelo histórico de Valério com Dirceu, a alegação da defesa já seria inverossímil”, frisou.

O relator sustentou que o então chefe da Casa Civil foi o mandante da compra de apoio político do governo petista e comandou a atuação do empresário Marcos Valério e do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, confirmando a denúncia do então procurador-geral Antonio Fernando de Souza, de que Dirceu era o chefe da quadrilha.

“É prova cabal […] tanto que os dois operadores oficiais do chamado mensalão [Delúbio e Valério] participaram de reuniões mantidas por Dirceu na Casa Civil com dirigentes de instituições financeiras. Restou na defesa de Dirceu dizer que não houve menção a obtenção de recursos”, disse.

Como dizia Manuel Bandeira, agora só resta a Dirceu cantar um tango argentino.

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