Maria Silvia aponta as causas da crise – não há planejamento e o Estado é fraco

Presidente do BNDES faz um diagnóstico perfeito da crise

Carlos Newton

Até que enfim, no governo Temer, que precisa ser de salvação nacional, aparece uma autoridade para apontar os maiores problemas do país – a falta de planejamento governamental e a fraqueza do Estado. Este diagnóstico preciso e irrefutável foi feito pela nova presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos, que diz ser inaceitável o fato de o Brasil ter se tornado um país que não tem planejamento em suas políticas públicas.

“A distração faz parte da vida. Você combate isso com planejamento, coisa que nem sempre as pessoas gostam de fazer, mas é fundamental. Eu me ressinto pelo fato do nosso País não saber aonde quer estar em cinco, dez anos”, comentou a economista, durante a reunião anual da Fundação Estudar, criada pelo investidor Jorge Paulo Lemann.

A CRISE É INTERNA – Reportagem da Agência Estado, publicada pelo jornal O Tempo, assinala que Maria Silvia Bastos também criticou a falaciosa argumentação de que a atual crise do Brasil veio de fora. “Vamos cair na real, nossa crise foi feita por nós”, afirmou, acentuando ter a sensação às vezes de que o País se tornou um pouco inviável. “O Estado cresceu de tal forma, a burocracia, os processos… Isso sufoca as pessoas”. Segundo ela, se o Brasil não parar para repensar de forma muito séria seus rumos, vai ficar “rateando”. “Nossa lei trabalhista é de década de 1950, e eu ouço falar de reforma tributária há décadas.”

Maria Silvia disse não acreditar que a mudança necessária venha do governo. Segundo ela, a inflação, por exemplo, só foi eliminada quando a população viu que estava insuportável. “A corrupção só vai acabar quando a sociedade se tornar intolerante”, afirmou. Para ela, o Brasil tem um Estado fraco. “O Estado forte não é grande, é o Estado que fiscaliza, controla, provê serviços essenciais. Hoje nós temos um Estado fraco”, destacou, segundo a reportagem do Estadão.

REPETINDO LESSA E DARC – Por coincidência, a economista Maria Silvia Bastos está repetindo, 13 anos, depois a mesma conclusão a que chegaram Carlos Lessa e Darc Costa, que em 2003 assumiram a presidência e a vice-presidência do BNDES e se surpreenderam ao descobrir que não existia planejamento no País e o PT do novo presidente Lula da Silva sequer tinha um plano de governo.

Diante dessa realidade, Lessa e Darc mobilizaram a equipe técnica do BNDES, que passou a trabalhar em conjunto com os especialistas dos diversos setores da administração federal, no sentido de traçar um programa administrativo que fosse capaz de colocar o país no rumo de um desenvolvimento sustentável.

Surgiram então a revolucionária política para apoiar sem burocracia as micros, pequenas e médias empresas, através do Cartão BNDES; a recuperação da indústria naval; o financiamento prioritário às indústrias de informática, de medicamentos e de inovação tecnológica; os investimentos em logística, para diminuir o custo Brasil; o apoio às exportações e outras medidas de incremento econômico.

DEPOIS, O DILÚVIO – Carlos Lessa e Darc Costa só dirigiram o BNDES por dois anos. Saíram no final de 2005, mas já tinham plantado as bases de um planejamento nacional que seguiu em frente e deu certo, propiciando o espantoso crescimento do PIB em 7,5% em 2010, no último ano no governo Lula.

Guido Mantega substituiu Lessa no BNDES e não teve como mudar a política do banco. Depois, foi substituído pelo economista Demian Fiocca, que também respeitou as diretrizes em vigor. Mas a partir de maio de 2007 o BNDES passou a ser presidido por Luciano Coutinho, que aceitou colocar o banco a serviço do governo e do esquema de corrupção implantando pelo PT.

Aos poucos, em obediência às ordens de Lula, Coutinho conseguiu desmanchar todo o trabalho de Lessa e Darc, transformando o BNDES num banco de fomento das empreiteiras no exterior.

NAS MÃOS DE MARIA SILVIA – O BNDES não tem status formal de ministério, porém é mais importante do que a maioria das pastas do governo. Agora, cabe à economista Maria Silvia Bastos refazer todo o planejamento perdido. Muitos técnicos do BNDES, considerados os melhores do país, já se aposentaram. Mas o trabalho deles está à disposição para ser consultado e seguir de guia a um novo programa de governo, que nem o presidente Michel Temer nem o ministro Henrique Meirelles se preocuparam em delinear.

O dado positivo é que Maria Silvia Bastos tem comprovada experiência, seu currículo é incomparável. Com toda certeza, saberá conduzir o BNDES para redirecionar o Brasil na retomada do desenvolvimento.

13 thoughts on “Maria Silvia aponta as causas da crise – não há planejamento e o Estado é fraco

  1. Não concordo que o “espantoso” crescimento de 7,5% foi fruto da política econômica virtuosa. Para mim foi a fraude da gastança deliberada, sem lastro no crescimento econômico, feita para eleger o poste dilma, que inchou o índice de crescimento. Tanto que logo após a queda foi vertiginosa, algo incoerente em uma economia saudável.

  2. CARO NEWTON, COM ESSA DECLARAÇÃO, SERÁ QUE ELA VAI CONTINUAR A PRESIDIR???, A CORJA, COMANDADA PELO RENAN COM MAIS DE 10 PROCESSOS, QUERENDO APROVAR PROJETO DE CERCEAMENTO DE LIMPEZA, ACOBERTADOS PELA SUPREMA, COM 8 MINISTROS PT, MELLO E TOFOLLI, ACABARAM DE FAZER MAIS UM ESTUPRO E VILIPENDIO AO PLENÁRIO, SOLTANDO ASSASSINO E LADRÃO DOS FUNCIONÁRIOS, MAIS OS MINISTROS ACUSADOS PELA LAVA-JATO, VÃO ACEITAR A DECLARAÇÃO PATRIÓTICA DA PRESIDENTE MARIA SILVIA!!?
    LESSA E EQUIPE, PELO SENTIMENTO DE HONRA E BRASILIDADE, FORAM DEFENESTRADOS PELA CORJA QUE NOS HUMILHA. QUE DEUS NOS AJUDE A SALVAR O BRASIL, PROTEGENDO A Drª MARIA, NESSA ÁRDUA MISSÃO DE SALVAR O BRASIL.

  3. “Vamos cair na real, nossa crise foi feita por nós”
    Nós, isto é, os politicos. Nós, o povão que paga imposto, é vítima. Muito legal o artigo da Sra. Bastos, ela foi muito bem como Presidente da Siderúrgica Nacional.

  4. Dona Maria só leu a apostila da escolinha de Chicago.Um Estado minimo por exemplo é o do Maduro na Venezuela.Os serviços públicos são fundamentais em um país das dimensões do Brasil.Jamais a iniciativa privada terá interesse público.E mais, a velha e anedótica revogação da “Lei da oferta e da procura” Não acontecerá pela lógica aristotélica,mas como qualquer lei poderá ser decadente.O artifício para burlar a velha lei econômica é pela manipulação dos valores das commodities.Fato incontestável e que não é permitido discutir.Os PIBs dos países satélites, são manipulados nas bolsas de valores em Nova york.

  5. Armando Temperani tens toda razão. Lamentavelmente muita gente não entende isso. É so ver o petróleo. EEUU e Arábia Saudita manipulam o preço na bolsa segundo suas coneiniência. Aumentam ou reduzem a produção a seu “bel prazer”.

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