Mario Sergio quer que PM faça o que deixou de fazer

Pedro do Coutto

Ao assumir na quarta-feira o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na presença do governador Sergio Cabral e do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o coronel Mario Sergio fez na realidade um pronunciamento dos mais incisivos, comprometendo-se a realizar à frente da corporação exatamente tudo aquilo que deixou de ser feito ao longo dos primeiros trinta meses da atual administração do Estado.

Exagero interpretar assim seu discurso? Nada disso. Basta ler suas afirmações reproduzidas ao longo de excelente reportagem de Ana Cláudia Costa, O Globo de 9 de julho. Brito Duarte, por sinal, vale frisar, tornou-se o terceiro comandante a assumir o posto no mandato de Sergio Cabral. O primeiro, cel. Ubiratan Ângelo, foi substituído pelo coronel Gilson Pitta. Agora Gilson Pitta, visivelmente constrangido pelos fatos, passa o bastão ao novo titular. Sem dúvida este terá pela frente missão dificílima, sobretudo porque a segurança pública não depende só dele ou da PM, incluindo a participação da Polícia Civil.

Depende do sistema policial, sem dúvida, mas também de um conjunto social de fatores capaz de descomprimir a densa atmosfera de terror que envolve a população carioca e fluminense. Ele foi diretor do Instituto de Segurança Pública, órgão ao qual cabe elaborar as estatísticas da criminalidade. Ela avançou – disse ele próprio – cinco vezes (500%) nos últimos dez anos. No mesmo período, o total de habitantes do RJ aumentou 12%. O anel está se apertando terrivelmente, digo eu. O reflexo se faz sentir de maneira geral. Mas, antes de mais nada, vale a pena sublinhar as frases compromisso do cel. Mario Sergio.

Não foram proferidas por acaso. Ao contrário. Têm endereço certo. Exprimem um sentimento de revolta para com a inação que o antecedeu.

Vejam só o que ele afirmou:
1) o objetivo é frear o crescimento do número de assaltos que avançou 5 vezes em 10 anos. Logo, tal crescimento não foi contido;
2) Dar segurança definitiva às Linhas Amarela, Vermelha e à Avenida Brasil. Se ele se propõe a proporcionar segurança definitiva a estas vias de enorme circulação de veículos, é porque elas não receberam tal segurança. Caso contrário, Mário Sergio não se referiria a este aspecto do problema.
3) Mais mil policiais nas ruas. Assim, ele acentua tacitamente que mil policiais encontravam-se distantes das linhas de combate da guerra urbana que indiscutivelmente se trava no Rio.
4) A população, já na segunda-feira sentirá a diferença. O que significa tal assertiva? Que os mil policiais permaneciam fora das faixas de Gaza por imissão administrativa. Pois se assim não fosse, mil homens e mulheres não poderiam ser mobilizados para o enfrentamento efetivo em menos de uma semana.
5) Quero –afirmou- devolver à PM o papel de polícia visível e ostensiva. Estas palavras significam uma condenação ao fato de a PM ter deixado de ser ostensiva e visível. O que acha disso o governador Sergio Cabral, responsável maior pela segurança estadual?
6) A PM tem que estar nas ruas e evitar que os delitos aconteçam. A frase significa que, na opinião do novo comandante, ela até agora não estava nas ruas. O confronto de opiniões dentro do código binário de comunicação é incontestável.

É importante polarizar e traduzir o impulso e a motivação do novo comandante. Sua nomeação revela-se um passo importante para a população estadual. Afinal são 15 milhões de habitantes que vivem ameaçados pelas múltiplas faces do crime, seja ele organizado ou não. A matéria constitui um desafio profundamente complexo. Mas o cel. Mário Sergio  afirmas-se disposto e determinado. Amém, como dizia Nelson Rodrigues, o grande autor inspirado na tragédia carioca.

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