Meia entrada é irreversível: problema são as fraudes


Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha, objeto de excelente reportagem de Cassiano Elek Machado, Folha de São Paulo de 6 de maio, focalizou com nitidez a questão da meia entrada nos espetáculos de arte, revelando que nada menos que 91% da população da capital paulista apoiam sua manutenção. Há vários projetos em tramitação na Câmara e no Senado, mas, como se constata, o benefício é irrevogável. Entretanto, o mesmo levantamento assinala  que 51% apoiam sua limitação. Uma das proposições em curso estabelece o limite na escala de 40%. Vamos por etapas.

Os que se posicionam favoráveis à limitação, no fundo, se colocaram contra as fraudes praticadas, como, por exemplo, a emissão falsa de documentos de estudantes. Isso é legítimo, já que ninguém pode se colocar a favor de fraudes. Entretanto, a barreira de 40% só pode se destinar às peças de teatro e não aos cinemas, museus, exposições artísticas. Isso porque os teatros possuem lugares a preencher na mesma sessão, geralmente em menor número que os cinemas. Até porque as sessões cinematográficas são em muito maior número, diárias, em vários horários do dia.

Assim, os defensores da restrição encontram-se motivados pela necessidade de combater fraudes, não pela limitação em si. Esta encontra-se prevista no projeto aprovado em abril pelo Senado que propõe a criação do Estatuto da Juventude. Precisa ainda ser aprovado pela Câmara e atende- acentua a matéria da FSP – reivindicação dos produtores culturais que apontam o excesso de meias entradas como a causa da alta do preço dos ingressos do espetáculo. Pode, certamente, existir uma correlação. Mas a correlação não esgota o tema. Pois o preço elevado dos ingressos, se de um lado aumenta a bilheteria nas peças mais procuradas, de maior sucesso, de outro sem dúvida influi para que o hábito de ir ao teatro de maneira geral. Uma questão de capacidade de o mercado adquirir ingressos com a mesma frequência.

O processo não segue um ritmo uniforme. Tanto assim que o próprio Datafolha Informa que, face a multiplicidade de ângulos, vai continuar realizando pesquisas a respeito do assunto ao longo do ano. Pois há pleno consenso quanto à meia entrada, mas não existe quanto a limitação, tanto assim que a parcela expressiva de 51% manifestou-se a favor dela. O assunto é complexo no que se refere a sua mecânica. Não quanto ao princípio, em vigor numa série de países. Existe, de outro lado, um descrédito quanto a hipótese de a restrição à meia entrada proporcionar diminuição do preço dos ingressos: o Datafolha ressalta que apenas 25% acreditam que isso acontecerá. E maioria relativa, na escala de 34 pontos, acha que, pelo contrário, eles, os ingressos, subirão ainda mais de preço. Idêntica parcela é de opinião de que tudo ficará como está.

A verdade é que, sem dúvida, a meia entrada é um incentivo à ida ao teatro, uma forma de incorporar os jovens aos espetáculos, o mesmo sucedendo quanto aos idosos. Inclusive, eliminadas ou pelo menos sensivelmente reduzidas as fraudes, os jovens de hoje deixam de ser estudantes amanhã e aí vão passar a pagar a entrada inteira. E outra face da questão. Relativamente aos idosos, a redução do preço, em muitos casos, lhes possibilita um acesso que, sem tal benefício, lhes seria difícil ou impossível, pelo menos em matéria de frequência habitual.

A FSP publica, no contexto, matéria de Juliana Gragnani sobre projeto aprovado pela Câmara que concede a UNE e à UBES o direito, que fora cancelado em 2001, de emitir as carteirinhas de estudantes. São entidades de classe. Tal tarefa deve caber a órgãos oficiais do MEC.

 

 

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2 thoughts on “Meia entrada é irreversível: problema são as fraudes

  1. ATENTAI BEM, BRASILIANOS!

    Foro de São Paulo manda Brasil importar 6 mil “médicos” cubanos para propagandear “socialismo”.
    … No Brasil, o Foro de São Paulo quer implantar a experiência ideológica bem sucedida na Venezuela de Hugo Chávez. Se a medicina cubana não foi capaz de curar o comandante do socialismo bolivariano do século 21, os médicos formados na linha ideológica dos irmãos Castro tiveram um importante papel no atendimento à população carente. Não só na prestação de serviços de saúde, mas, principalmente, como formadores de opinião e líderes ideológicos nas comunidades, propagandeando e fortalecendo as ideias chavistas.
    Mais, aqui: http://www.alertatotal.net/

  2. A conta é simples, preço de show para otário, como eu R$ 300,00, preço para os “espertos”, R$ 150,00. Isso por conta dessa maldita meia entrada. Se não existisse isso o preço ficaria em R$ 170,00.
    Agora eu, que não sou estudante e nem tenho carteirinha falsa sou obrigado a pagar o absurdo preço de R$ 300,00. Mais uma vez o brasileiro correto e honesto é quem paga o pato! Acabei de conversar sobre isso aqui no trabalho, o preço em questão é para o show do Black Sabbath. Reclamei do preço citando justamente que não tenho carteira de estudante, ouvi como resposta o seguinte, “faz uma pow, deixa de ser otário! Todo mundo tem!!”.
    É isso, infelizmente os valores nesse país estão totalmente alterados, os justos, que são vistos como otários, pagam pelos safados que são taxados como “espertos”. É por isso que sempre digo que nossa sociedade está muito bem representada lá em Brasília.

    Triste. Muito triste viver num país assim, com um povinho que se acha muito “esperto”.

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