Mensalão: julgamento impõe cautela aos corruptos

Altamir Tojal

Independentemente das sentenças, o julgamento do mensalão provoca mudanças positivas na justiça e na política do país. Os poderosos estão mais cautelosos, menos seguros da impunidade na prática de corrupção. Políticos de reputação duvidosa estão tendo mais trabalho para captar recursos e obter adesões a suas campanhas eleitorais.

Na sessão de quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes se referiu à compra de apoio político como ataque à democracia. Essa mercadização da política não ocorre somente com o uso do dinheiro sujo, mas também com a troca de favores, nomeações e toda sorte de escambo envolvendo cargos, repartições, estatais e ministérios.

A ministra Carmen Lúcia apelou aos jovens para que não se desencantem com a política, que é uma das atividades mais importantes na sociedade e crucial para a democracia. O julgamento do mensalão é a dissecação do que há de mais podre na política e, ao mesmo tempo, uma afirmação da política no seu sentido mais grandioso, com a manifestação livre das instituições democráticas.

É lamentável que dirigentes e intelectuais do PT estejam desqualificando este processo, que chamam de “julgamento de exceção”, e apostando na desmoralização do STF, procurando jogar a opinião pública contra a justiça, exatamente no momento em que ela se renova no Brasil, estreitando o caminho da impunidade.

 (Artigo enviado por Mário Assis.
Publicado no blog De Olho no Mensalão)

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