Mercado de trabalho tem que compensar o total de demissões


Pedro do Coutto

Reportagem de Mariana Screiber, Folha de São Paulo de 22, com base em dados do próprio Ministério do Trabalho, analisa o comportamento do mercado de trabalho nas nove principais regiões metropolitanas do país e conclui que, de janeiro a julho de 2013, foram criadas 907 mil e 22 vagas, o resultado mais fraco para tal período nos últimos dez anos. O fraco crescimento da economia e o pessimismo do mercado são apontados como os fatores principais do resultado global. As regiões metropolitanas focalizadas foram as do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Fortaleza e Belém. Apenas nestas duas últimas registraram-se saldos positivos.

O tema emprego-desemprego é tão preocupante quanto complexo. Pois na realidade a taxa de ingresso de mão de obra tem de superar o das demissões. A dificuldade não termina aí. Tem que superar o índice de crescimento populacional, em torno de 1% ao ano, computados conjuntamente os nascimentos, de um lado, os falecidos, de outro. Além de tudo isso, deve-se observar, para uma análise honesta, se, de um ano para outro, a média salarial pelo menos empatou com a inflação anunciada pelo IBGE.

A complexidade da matéria começa através da comparação entre as admissões e demissões num mercado de trabalho de grande mobilidade como o brasileiro. Basta ler o relatório da Caixa Econômica Federal sobre o desempenho do FGTS no exercício de 2012. Está publicado na íntegra na edição de 31 de julho do Diário Oficial da União.

QUASE 20 MILHÕES

O texto revela terem ocorrido 19,6 milhões de demissões sem justa causa, as quais levaram a um saque de 41,1 bilhões de reais. Tais demissões correspondem praticamente a 20% da mão de obra ativa do país. Claro que as readmissões verificam-se igualmente em grande escala, pois, caso contrário, a taxa de desemprego teria sido muito maior que os 5% registrados. Mas a comparação tem de ser feita, uma vez que se trata de fator essencial para análise.

Um total de 19,6 milhões de dispensas equivale a 1 milhão e 600 mil de média mensal. Mantido o ritmo em 2013, e tudo indica nesse sentido, verificamos que a criação de 907 mil novos postos em 2013 não é suficiente para compor uma situação de equilíbrio, ainda que em moldes conservadores. Porém tem que se levar em conta também que os números contidos no relatório de 2012 de FGTS são nacionais e os de agora, do Ministério do Trabalho, referem-se a nove regiões metropolitanas. Esses diferentes não podem conduzir a uma comparação exata. Mas sinalizam para uma tendência socialmente crítica que precisa ser combatida e modificada para melhor pelo governo.

Porque um desemprego mais alto conduz a um consumo menor, portanto a uma queda nas receitas tributárias federais e estaduais, trazendo como consequência final a uma produção geral menor no país, partindo-se do princípio de que só se produz na direção do consumo. Claro. Empresa alguma vai nortear sua capacidade produtiva com base na capacidade de estocar. Até porque quanto mais demorar a estocagem de produzir sobe a escala dos custos de operação. E quanto mais acentuada for a retração das vendas, consequência do menor poder de compra, mais difícil se torna o realinhamento de preços pelo menos ao nível da taxa inflacionária apontada para o período. Para os últimos doze meses, por exemplo, o IPCA do IBGE aponta 6,2%.
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2 thoughts on “Mercado de trabalho tem que compensar o total de demissões

  1. O Governo Lula/José Alencar teve um bom crescimento Econômico médio de 4,5%aa. O Governo Dilma/Temer está obtendo um crescimento médio de 2%aa. Pouco menos que a metade. Parte devido a piora da conjuntura internacional, e parte por “falta de jogo de cintura no relacionamento com os Agentes Econômicos”. Agora está corrigindo e a tendência é melhorar. Como nos informa o Sr. Pedro do Coutto, o Mercado de Trabalho está compensando o total de Demissões, uma vez que o Desemprego via indicador IBGE caiu um pouco para +- 5% da Força de Trabalho. É verdade que os novos Empregos vem a um Salário nominal e principalmente real, abaixo dos anteriores. Mas estão vindo, e isso é o principal. Nas Estatísticas o Governo sempre “ressalta” a parte do copo que está cheia. Abrs.

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