Mesmo enfrentando retrancas, no Espanhol e na Copa dos Campeões, Messi não para de fazer gols.

Tostão (O Tempo)
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Na coluna anterior, falei da violência e da guerra urbana nas grandes cidades brasileiras. Há ainda o caos no trânsito. Por isso, por não querer ser punido pela lei seca, por encontrar tudo o que preciso perto de onde moro e por gostar de caminhar, além de fazer bem à saúde, raramente dirijo. Quando é necessário, pego um táxi. Até ao supermercado, vou a pé, com minha sacola.

No caminho, converso sobre futebol. Uma senhora, que, pela primeira vez, tinha visto o Barcelona jogar durante toda uma partida, estava encantada com a troca de passes do time, com a bola passando perto de milhões de pernas dos jogadores do Milan, sem perdê-la.

Um senhor disse que Messi não é nenhuma maravilha e que queria vê-lo no Brasil. Completou, dizendo que seria derrubado durante todo o jogo, como fazem com Neymar. Nos últimos tempos, aumentou bastante o número de pessoas, no Brasil, que só conhecem futebol pelo olhar bélico do confronto e pelo resultado. Para eles, o Barcelona pratica outro esporte.

Depois da partida, Iniesta, o terceiro melhor do mundo, ao lado de Xavi, em vez de dizer que o Barcelona calou a boca dos críticos, como diriam muitos jogadores brasileiros, falou que o jogo foi uma lição para o time catalão, que precisa jogar sempre dessa forma, contra grandes equipes. Só faltou Iniesta pedir desculpa pelas três derrotas anteriores.

TÁTICA

A variação tática usada pelo Barcelona, contra o Milan, com uma linha de três defensores (Piqué, Mascherano e Jordi Alba), Daniel Alves de ponta direita, e Villa de centroavante, já foi utilizada por Cruyff, Guardiola e Tito Vilanova. O interino Jordi Moura seguiu a receita. É a tática que o time usa quando quer arriscar mais. Ficam três no campo do Barcelona e sete no do adversário.

A maioria dos técnicos brasileiros escala três zagueiros para reforçar a defesa. Jogam sete atrás (três zagueiros, dois alas e dois volantes) e três mais adiantados.

Bastou o Barcelona perder três jogos, e Messi não brilhar, para dizerem que ele faz muitos gols porque joga contra fracas equipes da Espanha. Messi foi o artilheiro das quatro últimas Copas dos Campeões e, em poucos anos, já é o segundo maior goleador da história da competição. Os grandes craques hoje, ainda mais Messi, pelo Barcelona, enfrentam mais retrancas que no passado.

Na biografia de Messi, escrita pelo jornalista argentino Leonardo Faccio, as professoras e pessoas que conviveram com o menino falam que ele era muito tímido, tinha baixíssima autoestima e que vivia em silêncio. Muitos devem ter pensado: “Esse menino não vai dar nada na vida”.

Messi deve ter mudado pouco. Ele tem o perfil contrário dos vencedores dos manuais de autoajuda. Mas, quando entra em campo, se transforma, como se dissesse: “Eu sou o Messi”.

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