Mesmo sem comprovação, Bolsonaro diz que perda de 100 mil vidas poderia ter sido evitada com o uso da cloroquina

Bolsonaro afirma ser ‘prova viva’ da eficácia do medicamento

Emilly Behnke e Roberta Paraense
Estadão

Em visita a Belém, onde participou da cerimônia de inauguração da primeira etapa do Complexo Porto Futuro, na região portuária, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta quinta-feira, dia 12, o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da covid-19 e disse ser “a prova viva” da eficácia do remédio, que não tem comprovação científica.  

“Sabemos que mais de 100 mil pessoa morreram no Brasil. Caso tivessem sido tratadas lá atrás com esse medicamento, poderiam essas (perdas de) vidas terem sido evitadas; aqueles que criticaram a hidroxicloroquina não apresentaram (outra) alternativa”, disse. Diagnosticado com a doença em julho, o presidente disse ter feito o uso do medicamento.

DADOS – O País registrou na quarta-feira, dia 12, 1.164 mortes e 58.081 novas infecções de coronavírus, segundo dados do levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL com as secretarias estaduais de Saúde. No total, 104.263 vidas já foram perdidas por causa da covid-19.

A visita presidencial foi rápida e cercada de desrespeito aos protocolos de segurança estabelecidos para conter a pandemia do novo coronavírus. Bolsonaro foi recebido por uma legião de simpatizantes e correligionários, que se aglomeravam, muitos sem máscaras.  

Também sem a proteção, Bolsonaro desceu do carro na Avenida Visconde de Souza Franco, circulou entre as pessoas, trocou abraços e apertos de mão. Mas, com quase todos os políticos e autoridades fazendo o uso da máscara durante a cerimônia, Bolsonaro aderiu o equipamento no palanque e retirou-a apenas para discursar.

RECURSOS – “Tenho o Pará no coração. Foi o Estado que mais recebeu recurso para a covid”, afirmou. Ao lado do presidente, estava o deputado federal Éder Mauro (PSD-PA), partido do bloco chamado Centrão.

Enquanto falava no evento, o presidente  foi interrompido pelo protesto de uma mulher, que gritava “fora Bolsonaro”. “Tem todo o direito de falar ‘fora’. Vamos fazer silêncio para ela falar “fora Bolsonaro” sozinha. Deixa ela falar, fica à vontade. Tudo bem”, afirmou e, após breve pausa, prosseguiu com seu discurso.

O presidente lembrou a morte do pai, que completa 25 anos nesta quinta-feira. Segundo Bolsonaro, o pai era um homem que prezava pela a família e pelo conservadorismo. “Sabia que não seria fácil, como não está sendo, mas é uma missão. Eu carrego essa cruz juntamente com o povo de bem, povo que quer mudar destino da sua nação, e luto, assim como meu pai pela família”, disse.

OBRA – O projeto urbano Porto Futuro, iniciado na gestão do presidente Michel Temer, em março de 2018, foi inaugurado com sete meses de atraso. A obra foi um pleito do atual governador do Estado, Helder Barbalho (MBD), quando ele era titular do Ministério da Integração Nacional.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, foram investidos R$ 34,5 milhões.  O local, que passou anos abandonados pelas gestões municipais e estaduais, agora é um parque urbano com serviços de entretenimento, cultura e lazer.

O governador foi provocado por apoiadores de Bolsonaro, que gritavam “fora Helder” durante o evento. Helder não respondeu e falou em unidade entre os Poderes para o bem do povo. O emedebista tem se posicionado contra o presidente nas ações de combate ao coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGTem fundamento Bolsonaro querer ser garoto propaganda da hidroxicloroquina. Ambos não têm eficácia comprovada. (Marcelo Copelli)

6 thoughts on “Mesmo sem comprovação, Bolsonaro diz que perda de 100 mil vidas poderia ter sido evitada com o uso da cloroquina

  1. Ele não pode ser são, deve ter sofrido uma meningite mal curada na infância ou, então houve privação de oxigênio no parto e a família ocultou o fato. Ele deve ser submetido a um encefalograma urgentemente e deve ser vigiado constantemente. Ele solto é um perigo.
    Infelizmente não poderá ser responsabilizado, é um incapaz.

    • Sr. Moreno,
      Esse presidente não é maluco!!
      É muito mal intencionado e os piores pensamentos passam pelo cérebro maligno.
      Não é possível que ninguém pare o CRÁPULA!!
      Parece que comprou os políticos pra ficarem ao lado dele ou se fingirem de mortos.
      Todas as instâncias de justiça foram compradas e ainda teremos os paramilitares (milicias) sendo fortemente armados, com a anuência das FFAA.

      Teremos em breve mercenários terroristas pró -governo pra tocar o rebu e decretarem a tão sonhada ditadura do nefasto e seus rebentos ladrões.

      Hola,Venezuela, estamos llegando!!

      Vamos nos esborrachar!!

      Cordialmente.

  2. Fiquem à vontade para tacharem Bolsonaro burro, em quaisquer habilidade. Mas, em deboche e escárnio, o cara é um exímio! Ele destila sarcasmo e zombaria em tudo: mímicas, palavras, olhares, escolhas e até por telepatia!
    -Ontem, na capital paulista, enquanto se dirigia a uma clínica veterinária, para submeter-se a exames: aproveitou para visitar a viúva de um policial militar, morto por um falso policial civil; outros dois PMs morreram durante a emboscada.
    Hoje a Covid-19 já ceifou as vidas de mais de 100 mil brasileiros, muitos deles, eleitores de Jair Messias, Quantas famílias enlutadas o presidente já prestou solidariedade? Talvez apenas a avó da primeira-dama, que, segundo dizem, durante o período que dona Aparecida teve na UTI, Bolsonaro teria transferido seu gabinete pro mesmo hospital, só para ficar pertinho da “avó-sogra”, até o espasmo derradeiro!

  3. O método científico é uma forma de dar segurança à pesquisa, fazendo com que se alcance um grau de certeza pretensamente suficiente, a ponto dos resultados poderem ser compartilhados.
    Portanto, o método científico não é um fim em si mesmo. Ele é um instrumento usado para determinado fim.
    No entanto, há momentos que mais importante do que a segurança é a eficiência.
    É o caso da necessidade de uma cura para uma doença que esteja causando muitas mortes. Se ela está se espalhando rapidamente e precisa ser contida, clama-se por algo que possa fazer isso imediatamente.
    Neste caso, é necessário abrir-se um pouco mão da segurança para ter-se a eficiência.
    No caso da ciência médica, o protocolo de segurança existe principalmente para não prejudicar o paciente, causando-lhe danos desnecessários. Porém, se é certo que o paciente vai morrer antes da implantação do protocolo de segurança, manter este já não tem mais nenhum sentido.
    Por isso, quando cientistas levantam-se contra a aplicação da hidroxicloroquina nos casos de coronavírus, porque isso vai contra os melhores métodos científicos, simplesmente estão tornando o método como fim e não como instrumento, como deveria ser.
    Se a aplicação desse remédio tem a chance de salvar os pacientes, melhor administrá-lo já. Querer salvar o moribundo impedindo de aplicar a única esperança de curá-lo não tem nenhum sentido.

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