Metas traçadas para a inflação não costumam ser confirmadas pelos fatos

Charge do Pelicano, reprodução do Diário de S. Paulo

Pedro do Coutto

Reportagem de Eduardo Cucolo, Machado da Costa e Cassia Kastner, Folha de São Paulo, edição de sexta-feira, destaca as metas de inflação traçadas pelo Conselho Monetáro Nacional para 2016 e também para os exercícios de 2017 e 2018. Para este ano em torno de 9%. Para 2017 entre 4,5 a 6%. Para 2018, a previsão é mais rígida: 4,5%. Metas, na verdade, são como nuvens de pensamento: voam conforme a direção dos ventos e são sensíveis a fatores imprevistos que sempre acontecem. Mas não é esta a questão.

É preciso levar-se em conta outros aspectos. A redução inflacionária, em si mesma, não quer dizer nada. Fundamental é sua acumulação no tempo. Comecemos por 2015. O IBGE apontou uma taxa de 10,6%, relativa ao período de janeiro a dezembro. No plano salarial, a reposição dessa perda somente atingiu os que recebem o salário mínimo e os aposentados e pensionistas do INSS. Portanto, as demais categorias estão sendo atingidas pela defasagem real que incide sobre seu poder de compra.

O IBGE vem divulgando as comparações referente aos períodos janeiro-janeiro, fevereiro-fevereiro, março-março, abril-abril, maio de 2015 a maio de 2016. Tais comparações vêm apontando uma diminuição em relação ao índice referente a todo 2015. Nada significa. Pois é preciso computar, para se fornecer um cálculo efetivo, as taxas mensais de janeiro a maio do exercício em curso.

FÁCIL DE COMPROVAR – Basta ler os índices do IPCA publicados diariamente no caderno econômico de O Globo. Quem se der a esta tarefa simples, verificará que nos primeiros cinco meses do ano a inflação acrescentou 4,2%.

Como para 70% dos 100 milhões de assalariados do país, a queda de 10,6% não foi recuperada, para eles a inflação, de fato, agora, em julho, encontrar-se-ia em 14,8%. Porém, passa desta escala, quando é computada a inflação verificada no mês de junho. É que, no Brasil, não existe somente um índice comum de inflação. Um para os que obtiveram a reposição dos 10,6 pontos. Outro para a grande maioria, cujos vencimentos não conseguiram retornar aos valores de janeiro de 2015. Esta, sim, é uma questão essencial.

Por essas e outras é que as previsões tornam-se difíceis de concretizar. Sobretudo, considerando-se que os aumentos nominais de salários não incluem a reposição de perdas anteriores às datas em que as metas são fixadas. No papel, estão valendo como intenções. Os fatos concretos não as confirmam.

PODER DE COMPRA – O vento leva as metas para o espaço onde pensamentos e intenções habitam. Mas apenas isso. O poder de consumo da população brasileira não depende só de projetos, de pensamentos e de raciocínios sofisticados. Pelo contrário. Depende de dinheiro no bolso e acesso ao mercado de emprego. Mercado que foi detonado pelas desonerações tributárias que explodiram as contas públicas, as quais, por sua vez, tornam-se a fonte maior da inquietação econômica que abala o Brasil.

Indispensável acrescentar que as desonerações somam-se a uma colossal corrupção, fatores que catastroficamente possuem pontos de convergência entre si.

Primeiro desonerar, depois partir para roubar o máximo possível. As isenções de impostos e a corrupção sã fatores alucinantes. Ambos geram inflação e sua não compensação social. Pois tudo passa a ser pior do que antes. Projetar não significa compensar o tempo perdido.

2 thoughts on “Metas traçadas para a inflação não costumam ser confirmadas pelos fatos

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa as Previsões de Inflação medidas pelo IPCA-IBGE, feitas pelo Banco Central sob a direção do competente Econ. ILAN GOLDFAYN (50) ex-Economista Chefe do Banco Itaú SA, Doutor pelo MIT, Professor da PUC, agora também eleito para o Board of Directors do BIS (Bank for International Settlements), BC dos BCs com sede na Suíça, etc.

    Metas de Inflação do BC-Brasil: 4,5% aa com banda de 1,5%aa, para cima ou para baixo.

    Previsão BC:
    2016…………………..+- 9%aa.
    2017………………….. 4,5%aa a 6,5%aa.
    2018………………….. 4,5%aa.

    É difícil prever o futuro antes dele ter acontecido, mas sabendo-se que a Economia é +-70% Psicologia, e a INFLAÇÃO +- 90% Psicologia, (EXPECTATIVAS), se o Governo TEMER (75) tornar-se Efetivo a partir do Julgamento do Impeachment da Presidenta DILMA (68) em Agosto, em seguida APROVAR no Congresso as Medidas Necessárias “mostrando Força no Congresso, como já demostrou”, e tendo como Ministro da Fazenda um Banqueiro-POLÍTICO como o competentíssimo Sr. HENRIQUE MEIRELLES (70), PSD, que tem objetivo de concorrer a Presidência da República em 2018, as probabilidades das Metas de Inflação corresponder as Previsões, são bem maiores do que não.
    Independente da situação Econômica, um Governo FORTE POLITICAMENTE domina a Inflação, um GOVERNO FRACO, Não.

  2. Semana passada no desgoverno temer/dilma/2010, Cinco quilos de arroz (pcte) era mais barato que um quilo de feijão.
    Está semana já está beirando 10 quilos de arroz quase o preço de um quilo de feijão.
    Sem falar no alho, usado muito em temperos,
    Um quilo de alho é mais caro que um quilo de Contra-filé em bifes.
    Daqui á pouco o zépovão vai comprar Contra-Filé para Temperar o Alho…..

    Páis da Piada Pronta.

    VIVE LA FRANCE.
    Dona janaina, where are you….!!!

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