Meu Fla-Flu inesquecível foi no Maracanã, em 1963. Empate em 0 a 0.

Tostão (Jornal OTempo, de BH)

Hoje, temos Fla-Flu. Ontem, o grande clássico completou 100 anos. Nesta noite, sonhei com o tricolor Nelson Rodrigues, o mais exagerado e genial cronista esportivo brasileiro. Fiz a ele a tradicional pergunta: Quem vai ganhar hoje? Ele respondeu: “Desde ontem, o Fluminense. Só um cego, hereditário e póstumo, não enxerga o óbvio ululante. Faço um apelo aos tricolores, vivos ou mortos, para irem ao Engenhão”.

Assisti a um grande número de Fla-Flus pela TV. No estádio, meu Fla-Flu inesquecível, primeiro e único, foi em 1963. Empate em 0 a 0, na decisão do título carioca. O Flamengo foi campeão. Eu tinha 16 anos e acabado de assinar meu primeiro contrato profissional com o Cruzeiro.

Na sexta-feira à noite, eu e três amigos do bairro, todos menores de idade, pegamos um ônibus na rodoviária de BH para o Rio. Um tio do meu amigo, que morava no Rio, comprou nossos ingressos. Chegamos pela manhã. Ficamos hospedados em uma pensão, uma casa antiga e toda branca, em Copacabana, na avenida Atlântica. Atravessávamos a rua e estávamos na praia. Havia só uma pista para carros. Passamos o dia brincando com a bola na praia. Mais tarde, cansados e famintos, fomos para o restaurante Spaghettilândia, onde comemos uma mega macarronada.

No domingo, jogamos mais futebol, pela manhã, na praia, e pegamos um ônibus lotado para o Maracanã. O tio de meu amigo levaria as malas para a rodoviária.

Lembro mais da festa que do jogo. Ficamos na arquibancada, espremidos, no meio da torcida do Fluminense. Ninguém me conhecia. Éramos todos tricolores, não tão fanáticos para ficar tristes com a perda do título. Marcial, goleiro do Flamengo, médico, mineiro, que, anos depois, encontrei em um hospital de Belo Horizonte, agarrou até pensamento. Foi o maior público pagante da história do Fla-Flu e o segundo maior do Maracanã, com 177.656 pessoas.

Não imaginava que, seis anos depois, jogaria no Maracanã, para o maior público pagante da história do estádio (183.341), pela seleção brasileira, contra o Paraguai, na decisão da vaga para a Copa de 1970.

Do Maracanã, fomos para a rodoviária, ainda a tempo de comer um sanduíche, tomar uma cerveja e pegar o ônibus para Belo Horizonte. Chegamos felizes.

Não foi uma aventura irresponsável de quatro adolescentes. Na época, isso era mais comum. O mundo mudou. Ficou pior e melhor, mais criativo e mais medíocre, mais desenvolvido e mais atrasado, mais triste e mais alegre.

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CONTRATAÇÕES

Borges, Ceará e Martinuccio são bons reforços para melhorar o elenco do Cruzeiro, mas não acho que vão melhorar o time. Borges tem jogado mal no Santos e está no nível dos outros dois centroavantes (Wellington Paulista e Anselmo Ramon). Ceará é um lateral comum, já veterano, que ficou famoso por marcar bem Ronaldinho na final do Mundial de Clubes entre Inter e Barcelona. É melhor que Diego Renan. Martinuccio era reserva do Fluminense. Foi para o Villarreal, rebaixado para a Segunda Divisão. Jogou bem no Peñarol. Atua como Fabinho e Wallyson.

Já o Atlético, após as contratações de Ronaldinho, do lateral Junior Cesar e do goleiro Victor, ficou muito mais forte. Victor era o goleiro da seleção, caiu de produção e tem voltado a jogar bem.

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