Michel Temer de presidente e Henrique Meirelles de primeiro-ministro

Temer e Meirelles encaminham um governo compartilhado…

Pedro do Coutto

Reportagens de Fernanda Krackovics, Renata Mariz e Eduardo Barreto, O Globo, e de Marina Dias, Dimmi Amora e Natália Cancian, Folha de São Paulo, edições de ontem, terça-feira, revelam que o presidente Dilma Rousseff recorre ao Supremo Tribunal Federal na última tentativa de impedir a votação, hoje, pelo Senado, da abertura do processo de impeachment afastando-a do Planalto.

Não existe a menor possibilidade de o recurso ser aceito. Em primeiro lugar, porque foi o próprio Supremo que legitimou o processo, na medida em que, ao homologar as regras de tramitação, legitimou a representação de Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaina Paschoal. Não há, portanto, hipótese alguma de uma reversão.

Em segundo lugar, de acordo com as duas reportagens, um dos argumentos da quase ex-presidente reside na procedência das justificativas do ato do deputado Valdir Maranhão. Esse ato, contudo, não mais existe, uma vez que o seu autor voltou atrás e anulou a própria iniciativa, que, aliás, caiu no espaço reservado ao ridículo.

UM ATO NULO

A decisão de Maranhão não se tratava, inclusive, de algo anulável. Era, na realidade, nulo por natureza. Logo, se ele era nulo e quem o assinou resolveu retirá-lo, evaporou-se qualquer materialidade que nele pudesse existir. Recorrer à Corte Suprema tornar-se-á mais uma da série de derrotas sobre as quais Dilma Rousseff vem caminhando na fase crítica em que se encontra, cuja atmosfera foi soprada por ela mesma através do tempo. E que se tornou mais densa e tensa no momento em que teve a infeliz ideia de tentar nomear Lula para uma co-presidência da República que não existe.

A campanha de Michel Temer, articulada no Palácio do Jaburu, ganhou corpo e vigor a partir desse instante. Uma campanha até então inédita, de um vice contra sua presidente da República. Deu certo. E se deu certo, motivos não faltam. Não fossem tais motivos, através da estrada da omissão quanto ao assalto à Petrobrás, e Dilma não seria afastada. Afastada para um julgamento definitivo não decorrente de uma condenação confirmada.

51 A FAVOR

A pesquisa feita pela Folha de São Paulo, na primeira página de ontem, assinala que 51 dos 81 senadores são favoráveis ao julgamento da presidente. Entretanto, apenas 43 antecipam seu voto pela condenação, que, aí sim, acarreta a queda definitiva.

Verifica-se assim uma diferença entre o julgamento e a pena. Isso porque, vale lembrar, para condená-la são necessários os votos de 54 senadores, dois terços da Casa. Diferente da aceitação de julgar, para o que basta maioria simples dentro da presença apenas de 41 parlamentares no plenário.

O julgamento, inclusive, pode se prolongar por até seis meses. Nesse espaço de tempo, vai despontar com força na imprensa o inevitável indiciamento do ex-presidente Lula, episódio a produzir diferentes reflexos no país.

Também reflexos deverão surgir quanto ao desempenho do quase presidente Michel Temer, cuja definição de rumos nesta altura dos acontecimentos, vai se deslocar mais do Palácio do Planalto para o Ministério da Fazenda.

Este sinal tornou-se claro, ontem, quando se revelou que Henrique Meirelles comandará não somente o Banco do Brasil, o Banco Central, a Caixa Econômica e o BNDES, mas também – surpresa para todos – a Previdência Social. Michel Temer, presidente, Henrique Meirelles, de fato, primeiro-ministro. Não há dúvida em relação â dualidade que se projeta no horizonte.

6 thoughts on “Michel Temer de presidente e Henrique Meirelles de primeiro-ministro

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO nos mostra que o provável Governo de União Nacional que começa amanhã, tendo na Presidência o Sr. MICHEL TEMER (75), PMDB, e como “Primeiro-Ministro” o Sr. HENRIQUE MEIRELLES (70), PSD, começa bem.
    O Presidente TEMER será o Maestro da Orquestra Sinfônica, e o Ministro MEIRELLES será o principal “Virtuoso” dessa Orquestra. Melhor ainda que o “Virtuoso” quer se Candidatar a Maestro no final do Mandato do Maestro, 31/Dez/2018.
    Mas o Virtuoso sozinho, mesmo que comande toda a sua secção da Orquestra, não fará muita coisa sem o apoio do Maestro, e do resto da Orquestra, “em aprovar no Congresso Nacional” as Medidas Necessárias para sairmos rápido da Recessão/Desemprego, nem o Maestro(a) sozinho ( como foi o caso da Presidenta DILMA) fará muita coisa, sem o apoio de “Virtuosos”.
    E os dois, mais do que ninguém, sabem disso.
    E depois, poucos Países no Mundo com +- 220 Milhões de Habitantes ( em População o IBGE sempre erra para menos), tem tantas PESSOAS DE TALENTOS travados/adormecidos, que quando liberadas tem capacidade de ” dar a volta por cima em curto tempo”. Abrs.

  2. Se o vice presidente Michel Temer aceitar a fusão do ministério da fazenda com a previdência social, será um grande erro, haverá enxurrada de protestos, a intenção já está clara, é tornar a previdência social privada, este ministro é um banqueiro, e já estão festejando esta mudança, nota-se que estão de olho nos bilhões de reais que a previdência paga a aposentados e pensionistas e haverá prejuízos, pois querem um projeto para pagarem apenas 1 salário mínimo ao trabalhador, já começará mal a gestão de Michel Temer.

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