Michel Temer enfrenta o desafio de reencontrar o tempo perdido

Charge do Samuca, reprodução do Diário de Pernambuco

Pedro do Coutto

O título, claro, está inspirado na obra imortal de Marcel Proust, e creio que cabe bem para sintetizar o maior desafio com que, a partir do instante em que substitui a presidente Dilma Rousseff, com quem se elegeu duas vezes, Michel Temer enfrenta na tentativa de reconstruir a economia brasileira, abalada, como revelou a repórter Flávia Barbosa, em excelente trabalho publicado na edição de ontem de O Globo, por resultados negativos que se acumularam especialmente no biênio 2014-2015.

Foi um desastre de grande dimensão. O PIB recuou 7,7% no período, enquanto a população cresceu 2%. Resultado: piorou gravemente a renda per capita, resultado da divisão do PIB pelo número de habitantes. Não há como negar tal evidência, pois os números em que se baseou Flávia Barbosa são do Banco Central e do IBGE.

E O DESEMPREGO?

O desemprego avançou 6,8% para 10,9 da mão de obra ativa. A mão de obra ativa brasileira é formada por 100 milhões de homens e mulheres. Praticamente metade da população total. O PIB projeta-se na escala de 5,6 trilhões de reais. Uma retração de aproximadamente 8% significa uma perda de produção e produtividade da ordem de quase 500 bilhões de reais.

Enquanto isso, a dívida do país voou para uma altitude de 2,8 trilhões, o que representa a metade do PIB. Sobre esse total, o governo paga juros anuais de 14,25%, taxa Selic aplicada aos papeis do Tesouro colocados no mercado. Como não há dinheiro para cobrir o montante anual dos juros, o Banco Central recorre à capitalização do resultado da taxa, através da expedição de títulos adicionais. O endividamento, assim, não para de aumentar de um ano para outro.

MONTANTE DA DÍVIDA

Nos últimos três meses, de acordo com o Banco Central, o montante da dívida cresceu de 2,8 para 2,9 trilhões de reais, como a reportagem de O Globo acrescenta. O governo, que não tem recursos financeiros para pagar pelo menos os juros, entretanto concedeu desonerações fiscais superiores a 500 bilhões de reais desde 2011 até hoje. Uma contradição absoluta.

Nem por isso, conseguiu expandir o mercado de trabalho e a renda global dos trabalhadores e funcionários públicos. Pelo contrário. Os empresários beneficiados não deram qualquer resposta positiva capaz de refletir no campo social. Foram recursos lançados ao vento.

O impasse está colocado à frente do governo Michel Temer/Henrique Meirelles de forma bastante nítida e concreta. Sim. Porque o presidente que assume, por vontade própria, encontra-se totalmente na dependência do êxito do ministro da Fazenda, que de forma integral comanda a área econômica do governo.

DESAFIO ENORME

O poder duplo que assume terá que retomar o crescimento do PIB, diminuir o desemprego, deixar de reduzir indiretamente os salários, evitando que percam para a inflação. Pois se continuarem perdendo a corrida contra o índice inflacionário, a consequência refletir-se-á diretamente no consumo e, portanto, na produção e comercialização.

Como fazer tudo isso ao mesmo tempo e, ainda por cima, a curto prazo? E isso é fundamental para reencontrar e reconstruir o país.

12 thoughts on “Michel Temer enfrenta o desafio de reencontrar o tempo perdido

  1. E já começou mal. Romero Jucá, Gedel Vieira Lima,
    Elise Padilha, Gilberto Kassab e tantos outros de
    triste memórias, sei não, acho que sera o mordomo do palácio.

    • O estoque da dívida pública federal em março bateu em R$2,886 trilhões, segundo informa o Tesouro Nacional.

      R$2,753 trilhões da dívida pública federal interna + R$133,0 bilhões da dívida pública federal externa.

  2. Perfil de vencimento da dívida pública federal (março de 2016):

    Prazo de vencimento……….Montante
    —————————————————-
    – até 12 meses………..R$653,80 bilhões
    – de 1 a 2 anos………..R$378,71 bilhões
    – de 2 a 3 anos………..R$402,29 bilhões
    – de 3 a 4 anos………..R$248,87 bilhões
    – de 4 a 5 anos………..R$352,58 bilhões
    – acima de 5 anos….…R$850,45 bilhões
    —————————————————–
    Total………………………R$2,886 trilhões

    Fonte: Tesouro Nacional

  3. O desafio do governo de Michel Temer é o de estancar a crescente sangria das despesas públicas que estão causando sucessivos déficits primários desde 2014, reequilibrando o orçamento federal de modo a reverter o déficit em superávit primário.

    Não será tarefa fácil nesses dois anos e meio que terá pela frente.

    Após reverter o déficit para superávit, terá de elevar o superávit para cerca de 2,6% do PIB, algo em torno de R$160,0 bilhões.

    É nesse patamar de superávit primário que o governo terá possibilidade de estabilizar a dívida pública em função do PIB.

    O desafio, então, será estancar a sangria do cofre público ao mesmo tempo em que se cria condições da retomada do crescimento econômico.

    O desafio é enorme!

  4. Neste ano de 2016, até fevereiro, o governo já acumula um resultado primário negativo de R$10,3 bilhões. Nenhuma ação concreta para reequilibrar as contas públicas está sendo tomada, pelo contrário, o governo vem trabalhando no sentido de flexibilizar a meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliando a margem de tolerância para a apresentação de déficit fiscal. A margem apresentada por Nelson Barbosa para este ano é, aproximadamente, de R$100,0 bilhões. A visão prática que este governo passa é de que não há nenhum limite para a continuidade da expansão do endividamento público brasileiro, e o governo vai seguir adiante neste intento, custe o que custar.

    A ortodoxia e até a heterodoxia econômica, indicam que o caminho para se seguir é exatamente o caminho contrário ao que este governo está tomando. Deveria buscar, de todas as formas, a começar pelo corte das despesas discricionárias que somam R$253,3 bilhões (4,3% do PIB), o caminho do superávit fiscal e do equilíbrio das contas do governo, de modo a permitir a recuperação econômica brasileira pelo aumento do confiança dos agentes econômicos e pelo retorno do investimento dos setores produtivos.

    Para recuperar a economia brasileira é necessária a retomada do superávit fiscal para tornar possível a estabilização da dívida pública.
    Para se conseguir estabilizar a dívida pública brasileira é necessário e suficiente o alcance de um superávit primário da ordem de 2,64% do PIB (ver cálculo logo abaixo). A supressão das despesas discricionárias é mais do que suficiente para isso.

    Cálculo do superávit primário para a estabilização da dívida: h = d x [(i – y) / (1 + y)] – s

    Onde, h = superávit primário em proporção do PIB; d = relação dívida (líquida) sobre o PIB; i = taxa de juros real da economia; y = PIB; e, s = senhoriagem (receita da União com a emissão de moeda) em relação ao PIB.

    Logo: (h) é o que queremos saber; (d) é igual 36,2%; (i) = 3,23%; (y) = -3,8%; e (s) = zero, já que o governo não está emitindo moeda.

    Portanto: h = 0,362 x [(0,0323 – (-0,038) / (1 + (-0,038)] – 0 = 0,362 x [(0,0703) / (0,962)] = 0,362 x 0,07307 = 0,0264,
    ou h = 2,64% do PIB. O equivalente a R$156,0 bilhões de reais.

  5. Espero que o Governo de MICHEL TEMER (75), de União Nacional, e que tem como Czar Econômico o experiente e competentíssimo Sr. HENRIQUE MEIRELLES (70),defina a partir de hoje a tarde, como Prioridade UM, acabar com a RECESSÃO/DESEMPREGO, e fazer a Economia voltar a crescer forte com JUSTIÇA SOCIAL.
    O Deficit Público deverá ser reduzido +- lentamente, e a Dívida Pública/PIB deve crescer ainda até a Economia atingir Velocidade de Cruzeiro, +- 4%aa.
    Sem crescimento Econômico/SURPLUS, não há solução.
    As METAS até 31 Dez 2018 deveriam ser elevar nossa Produção/Vendas até o bom nível de 2010.
    Na Construção Civil (Residencial/Comercial), nossa maior Indústria, produzir/vender +- 800.000 Casas e +-300.000 Apartamentos/Ano. Hoje estamos produzindo/vendendo +-500.000 Casas e +- 200.000 Apartamentos/Ano.
    Na Indústria Automobilística, nossa segunda maior Indústria, produzir/vender 4.000.000 Veículos/Ano. Hoje estamos produzindo/vendendo +- 2.300.000 Veículos/Ano.
    E assim por diante.
    Se por um lado as Dificuldades são grandes dentro da maior Recessão Econômica desde 1929, a capacidade de Produção/Consumo de +- 220 Milhões de Brasileiros, é GIGANTESCA.
    Tenho plena Confiança que o Governo de União Nacional do Presidente TEMER saberá rapidamente DESTRAVAR essa Capacidade de PRODUÇÃO.
    Abrs.

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