Michel Temer joga a toalha e decide recriar o Ministério da Cultura

Caetano, de cacique, também exigiu a volta do Ministério

Daniel Carvalho
Estadão

Auxiliares do presidente em exercício, Michel Temer, dizem que o recuo que transformou a Secretaria Nacional de Cultura em Ministério da Cultura se deveu à pressão da classe artística e não da classe política. Nomes como o ex-presidente José Sarney, criador da pasta em seu governo, e do presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB, estavam pressionando.

De acordo com interlocutores de Temer, ele quis demonstrar que, “ao contrário do governo anterior”, sua gestão está aberta ao diálogo e não é “intransigente”.

O recuo foi acertado na manhã deste sábado, 21, em conversa por telefone, já que Temer está em São Paulo e Mendonça Filho, ministro da Educação, pasta à qual a Secretaria de Cultura ficaria atrelada, está no interior de Pernambuco.

Inicialmente, Temer era contra o recuo para evitar pressão de outros setores para que o mesmo ocorresse com antigos ministérios que, na atual gestão, foram transformados em secretarias.

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POR QUE UMA SECRETARIA SERIA SUFICIENTE?

Ramiro Batista
Comunicação & Poder

Possivelmente para debelar algum tipo de disputa política na Nova Iorque dos anos 30, o prefeito que virou nome de aeroporto, Fiorello LaGuardia, disse que não havia uma forma de direita ou de esquerda de varrer rua. “Existe a forma correta”. Também não sei se existe uma forma de direita ou de esquerda, conservadora ou progressista, de estruturar um organismo público de preservação e fomento dos bens culturais do país. Deve existir uma forma correta.

De que tamanho? Com que objetivo? Quais seus limites? Secretaria enxuta de definição de políticas ou Ministério superestruturado para atender demandas da indústria do entretenimento?

O problema é que não parece haver ninguém habilitado a responder, a começar pelos artistas.

NÃO É COISA DE ARTISTA

Como na frase famosa de que guerra é assunto muito sério para ser entregue a generais, parece que a discussão sobre as dimensões de um órgão como esse é assunto muito sério para ser entregue a artistas.

Porque não vi uma argumentação convincente em toda a polêmica que se arma nas invasões e nas redes sociais contra a transformação do Ministério numa pasta vinculada ao Ministério da Educação, como foi até 1985.

A defesa de figurões respeitáveis como Marieta Severo, Fernanda Montenegro ou Caetano Veloso não passa de chavões, tenta luta política para desqualificar o governo que julgam ilegítimo ou, num maior esforço de argumento, que se trata de um retrocesso à data em que foi criado, há 30 anos.

SERIA INTOCÁVEL

Por esse raciocínio dos artistas, o que foi criado não pode ser extinto e basta uma existência para justificar uma continuidade, mesmo que não sobrevivam mais os motivos que gerou. Mesmo que funcione mal, seja deturpado ou, como parece ser o caso, mal se sabe explicar para que serve.

Não tenho dúvidas de que é necessário uma estrutura de serviço público para garantir a preservação do patrimônio histórico e artístico — museus, monumentos, bens imateriais — e estruturar planos e projetos de estímulo à produção de entretenimento cultural, da mesma forma que existe para estimular a produção de soja, roupas e máquinas.

Quando trabalhei na Secretaria de Estado da Cultura, entre 1985 e 87, uma diretora de Planejamento muito brilhante horrorizou a classe artística ao defender que o Estado deveria pensar estruturalmente sobre suas prioridades de fomento na área de cultura da mesma forma que as definia para estimular a produção de leite, carne e minério de ferro.

CLIENTELISMO

A diretora de Planejamento queria dizer que o Estado não poderia ficar refém das demandas dos que tinham acesso ao balcão da Secretaria para conseguir patrocínio a seus projetos. Um clientelismo tal e qual o dos fazendeiros que tomam dinheiro do Banco do Brasil, pulveriza os recursos e prejudica o investimento numa política de investimento de fato abrangente e democrática.

Como no caso do BNDES nos anos Lula e Dilma: ao invés de o Estado definir em que áreas convém investir — tecnologia, infraestrutura ou turismo —, fica apagando incêndios localizados para atender demandas de balcão.

O atendimento por demanda e não políticas de Estado cria distorções como a do excesso de filmes produzidos ou espaços construídos sem público.

ALGUNS EXEMPLOS

Por um bom tempo no início dos 2.000, 1/3 dos filmes financiados com verba pública não conseguiram exibição, como se o ministro da Educação jogasse pela janela 1/3 da verba de merenda escolar.

Por conta do lobby pesado da indústria cultural, Belo Horizonte ganhou nos últimos anos quase um dezena de grandes teatros e centros culturais para os quais não há suficiente demanda, nem de espetáculos de qualidade e nem público, na mesma área nobre onde há décadas se pede por um posto de saúde ou uma delegacia de polícia decentes.

INDÚSTRIA E COMÉRCIO

Nessa linha, considerando a atividade cultural um ramo da produção tão importante como a de laranja, carne processada ou software, ela poderia estar, quem sabe?, no Ministério da Indústria e do Comércio. Seus bens culturais abertos à visitação pública, como igrejas, parques e museus, poderiam estar num Ministério mais agressivo como o do Turismo, por exemplo.

Considerando que seja destinado a apenas definir as grandes políticas que estimulem o setor — Precisamos de teatros? Precisamos normatizar o financiamento? Precisamos criar incentivos à aquisição de obras de arte ou a produção de filmes e peças de teatro? —, uma Secretaria enxuta deve bastar.

(artigo enviado pelo comentarista Wilson Baptista Jr.)

35 thoughts on “Michel Temer joga a toalha e decide recriar o Ministério da Cultura

  1. CAMBADA DE VAGABUNDOS!! QUEREM VIVER NA FARRA DA MAMATA POR CONTA DA LEI ROUANET!!! QUERO VER ARTISTA PROTESTAR CONTRA A SAÚDE PÚBLICA ÀS MOSCAS, ESCOLAS CAINDO AOS PEDAÇOS E SEGURANÇA ZERO!! NÃO QUEREM DEIXAR DE MAMAR AQUI PARA VIVER NO EXTERIOR! TEMER JÁ ESTÁ NOS DECEPCIONANDO SE DEIXANDO CEDER POR UMA CLASSE NORMALMENTE FORMADA DE INDIVÍDUOS IGNORANTES E SEM CULTURA! IRÔNICO!

  2. Esses bandidos travestidos de artista, tão nem aí pra cultura. querem mamar nas tetas do Estado e manter seu elevado padrão de vida;alienação.

    A propósito o que é feito do coco, do baião etc?

    • Estão preocupados com a Lei Rouanet que bancava o espetáculo. A bilheteria ia para o bolso dos artistas que até meio ingresso pretendem acabar, ou limitar que é o mesmo, pois quando for limitado o meio ingresso, nunca haverá nenhum disponivel. A bilheteria se encarregará de informar “esgotado”

    • Delcio, a volta do MinC não é culpa dos artistas sem cultura que só querem mamar nas tetas do governo e sim, de um partido político chamado PMDB que foi o capacho do PT por treze anos e que agora mostra a sua cara. Não existem diferenças entre o PT e o PMDB, pois seus políticos são todos corruptos, ladrões e bandidos.

    • Não se preocupe Virgilio, dona janaina em sua luta contra a corrupção, contra a gastança de dinheiro público já está preparando um Segundo Impitiz , agora contra o Segundo Presidente em Exercício., O Primeira Presidenta está Afastada pelo INSS..
      Quanto a cobrança, temos de ver com o FêFe Pé-na-Cozinha quanto quer gastar.
      O primeiro Impitiz custou 45 mil contos,
      Engraçado que é o mesmo número do partideco da Rainha da Corrupção Francesa
      Que Coincidência Homérica….eh!eh!eh!h
      Abraços…….
      Chuvas a estibordo das Caravelas do Cabral……

  3. O Ministério da Cultura deveria se chamar Ministério da Cultura, da Boquinha e do Pixuleco. Azelite de “artistas ” sempre mataram nas tetas do governo. Gente inútil, vagabundos, patifes e canalhas. Essa gente nunca se preocupou com a cultura do Brasil. Nunca vi nenhum deles defendendo o patrimônio histórico e artístico, a preservação dos arquivos de documentos históricos e nem dos museus e dados bibliotecas. O fim deles e do PT está chegando rapidamente. Esses patifes, que se dizem intelectuais e “artistas”, defendem o PT, a Dilma e o Lula, porque são a favor da corrupção, da impunidade e gostam de bandidos. Nada como um dia após o outro, como se diz em Minas. Não per de em por esperar. Os “guerreiros, heróis do povo brasileiro, vão terminar na cadeia”. Jô Soares, Caetano Veloso, Gilberto Gil, José de Abreu, Chico Buarque e tantos outros patifes hipocritas, safados e defensores e bandidos, estão com os dias contados. O fim está próximo.

  4. Gostaria quem alguém demonstrasse e provasse o que o Gilberto Gil fez pela cultura brasileira quando foi ministro da Cultura. É um grande picareta, inútil e que vive dos pixulecos, como os demais “artistas” e intectuais sem vergonha na cara.

  5. Isso é uma vergonha. Se é para economizar temos que acabar com esse “festival de gastança inúteis” , isso não é cultura, o país tá financiando a malandragem marxista bolivariana que defende governantes corruptos. Ou o Michel é macho para lutar contra os bolivarianos cleptômanos ou deixa como tá um roubo sem fim na Gestão Pública do Brasil. Repito, ISSO É UMA IMORALIDADE !!!!

  6. Não culpo a classe artistica que foi minoria a reclamar. A fusão teve aceitação de aproximadamente 90% da população. Só fico com receio de amanhã pedirem a volta dos 39 Ministérios e mesmo a volta da Dilma e o Temer ceder..
    Países desenvolvidos como França, Espanha, Alemanha, Austrália, Itália, Estados Unidos, Reino Unido e Japão não têm Ministério da Cultura e são polos culturais. Com uma semana de governo volta atrás de uma decisão por causa de chilique dos artistas. Lamentável esse recuo.

  7. Foi fácil, muito fácil, descobrir o ponto fraco do Temer: não tem firmeza nas suas decisões.
    O recuo não teve nada de ação estratégica. Foi medo do combate, mesmo. Perdeu uma importante batalha: a psicológica. Perderá outras, daqui por diante. Abriu o flanco esquerdo da área de defesa. Caput!

  8. Enquanto isso … os místicos e simbólicos sabem que aquí ainda é também Pindorama e suas poderosas Energias Ancestres. Quando Caetano colocou o Cocar (Poder) dos índios, ele estava incorporado.

    Se muitos imaginavam Temer linha dura enganaram-se, o Brasil é para ser levado aos poucos, sem pressa.

    Não se aferrem tantos aos seus conceitos/princípios de mundo ocidental. Não dá para fazer só uma leitura via EEUU, nem só via Europa, tem que ser via África e via Ameríndias …

    Culpa do teu/meu/nosso carma. Quem mandou nascer aqui? Da próxima negocie um lugarzinho diferente.

    • Talvez seja mesmo um carma, amigo Antonio Rocha… Um país com o potencial do Brasil, não consegue ir em frente, é desanimador. Países gelados, como os escandinavos, conseguem se desenvolver esplendidamente, mas nós…

      Vou-me embora para Pasárgada, como dizia o poetaço Manuel Bandeira, nosso vizinho aqui no edifício Zacatecas, na República das Laranjeiras.

      Abs.

      CN

  9. Não tem problema,já que recuou, a ordem deve ser dada ,não tem dinheiro, para este ministério simples assim,e uma devassa neste ministério, isso é o verdadeiro antro do comunismo…

  10. Li alhures que o velhote seria leitor de Maquiavel. Vejo agora que é um frouxo, um cagalhão. Estão comemorando a queda dele; dizem que irá à página dois. Que falta faz um bom marqueteiro, um Richelieu, um Duda Mendonça, um João Santana. (Devia ter mandado ouvi-lo na cadeia). Acho que Cunha teria desaconselhado; primeiro a extinção – bastava cortar as verbas; segundo a frouxura de agora. Estou com medo. Se estava péssimo, como é que vai ficar?

  11. Há uma forma de contornar o problema: basta o Ministério da Cultura cuidar da cultura e parar de distribuir bolsas-corrupção para bandidos travestidos de artistas.

  12. CAPITULAÇÃO, este foi o resultado do embate do temer com os aquinhoados de sempre.
    Não resistiu a sublevação do meio artístico e políticos ligados a ele.
    Já se dizia aqui no interior,” porteira onde passa um boi, passa uma boiada”. O Temer que se prepare para enfrentar o estouro da boiada de mamadores nas tetas da viúva.
    Deveria o presidente em exercício, deixar todas
    estas medidas mais fortes, para quando for o presidente de verdade.
    Como agora precisa fazer agrados, não convém
    se expor desta maneira e principalmente tendo
    que fazer recuos, pois ha ditado que diz,” quem muito se abaixa, o c. aparece.
    Deve o inquilino em trânsito do planalto, cuidar, não só dos atos, mas também das aparências.
    Demonstrar fraqueza nesta altura do campeonato, é pedir para levar “bola nas costas”.

  13. Bom dia , leitores(as):

    Senhor Daniel Carvalho, porque carga d’água esses PARASITAS e COMILÕES ” Marieta Severo, Fernanda Montenegro ou Caetano Veloso , etc…. ” de dinheiro público ,não vão pegar recursos no mercado para criarem / produzirem suas baboseiras artísticas , porque nenhum deles promoveram uma única manifestação pela melhoria da qualidade do ENSINO e de nossa EDUCAÇÃO como um todo e contra a roubalheira institucionalizada nos três poderes da República?

    • José Carlos, acho que eles também têm patrocinio de Bancos e empresas. Fui aqui em BH assistir a um show e lá estava patrocinio Bradesco. A Rouanet monta o espetáculo e eles embolsam toda a bilheteria, ainda chiando das meia-entradas.

  14. E, afinal, o que seria importante a educação ou a cultura? Claro que a educação é mais. Vejamos: a educação nos ensina que não podemos cuspir de público. Em restaurante? Nem pensar. No rosto do outro? Mil vezes não. Pois um artista de novela, desses que fazem cultura, pessoa culta, presume-se, não tem educação. Logo, a cultura estaria muito bem suprida, faltando bases mesmo na educação. Era botar esse cuspista como monitor de uma classe infantil, a ensinar aos jovens que não se deve cuspir, senão no vaso sanitário ou no próprio lenço, tal qual me ensinaram em menino, ainda que achasse que o melhor lugar fosse o chão de terra para despregar-lhe uma cusparada. Falta-nos educação; cultura? parece que temos até demais.

  15. Depois de mais um tiroteio caboclo , a cultura brasileira voltou a ter um ministério para chamar de seu. Todo o episódio é resumido como um desastre político para o novos inquilinos do poder. Porém…
    O fato é que continuamos sem saber qual será a política educacional e cultural do País, quanto do orçamento da União será alocado para a sua execução , quais serão os critérios e mecanismos adotados para a liberação de verbas públicas , e quem irá fiscalizar gestores da educação e os produtores culturais que receberão estes recursos.
    Aparentemente tais detalhes são desimportantes na luta contra o governo “ilegítimo”, que por sua vez não consegue perder de vista uma realidade básica ainda não abstraída por muitos: o Brasil está falido.
    Para acalmar os ânimos dos formadores de opinião, dos fazedores de cultura e dos seus próprios eleitores – afinal quem colocou Temer no Planalto votou em Dilma! – o presidente interino resolveu voltar a chamar de ministério o que nem secretaria conseguiu ser. E o fez como se afastasse de si uma mosca incômoda que , zumbindo em volta de sua pessoa , desviasse sua atenção dos verdadeiros problemas.Afinal com artista não se mexe! E a educação e a tal de cultura a gente vê depois!
    Parece-me que, na atual conjuntura , todas aquelas estrelas globais falando platitudes e lutando por seus projetos pessoais ,dentro de prédios públicos caindo aos pedaços, estavam garantindo muito mais Ibope para a “causa” política afastada do poder, do que os pneus queimados sobre o asfalto pelos sem teto, sem terra e sem qualquer respeito pelas leis deste país. Temer meteu a mão em um vespeiro desnecessário.
    Só que a superação das nossas imensas dificuldades , na minha opinião , se passam longe do nome de batismo ou do endereço da Cultura e não podem ser discutidas fora do tempo e do espaço falimentar crescentes, têm tudo a ver
    as duas áreas em pauta – educação e cultura – que precisarão ser , apesar da escassez de recursos, infinitamente melhoradas.
    É claro que a cultura é necessária para o desenvolvimento, pois só a cultura pode criar uma sociedade verdadeiramente humana , com tradições e valores e costumes, uma coletividade com alma, diversidade e imaginação.
    Porém a cultura a gente recupera no cotidiano já que ela é produzida pela vida. Ninguém duvida que não se pode educar pessoas sem atravessar a avenida da identidade , da história, das raízes culturais, mas é a educação o instrumento da transformação cultural .Por outro lado, não é possível , promover através da educação uma festa cultural , antes de garantir a dignidade da sociedade , ou seja, antes de transformar a educação em produtividade no chão da fábrica.
    Enquanto que a cultura nada mais é do que o nosso jeito de sentir, de pensar e de agir a educação vai além , apurando esses sentimentos , pensamentos e ações. Ela é a ponte edificada a partir das nossas raízes para o tal do progresso ainda nosso desconhecido.
    Então, há que priorizar a educação. Pois somente no processo de descobertas iniciado por ela , nas condições e situações de aprendizagem e nos desafios que ela provoca, se dá a descoberta da identidade, seja ela individual ou profissional, sem a qual não pode existir homem ou realização pessoal , nem tampouco cidadania e muito menos ainda qualquer realização social.
    Sobretudo para as crianças pobres, que tem na escola pública a única chance na vida e formarão amanhã a força de trabalho capaz de alavancar o Brasil do atraso ao tão esperado desenvolvimento.Não háverá , aqui ou na China, qualquer chance possível de crescimento sustentável para uma nação deseducada.
    O que toda essa gente bem falante parece ignorar nas manchetes dos jornais, é que a única chance que um cidadão brasileiro tem de melhorar de vida – a educação – no Brasil não tem qualidade nenhuma.Não temos um programa de ensino e , por óbvio , se não sabemos o que ensinar, muito menos podemos avaliar a educação que fornecemos .Sim , fala-se de escola integral, de 1 laptop para cada mestre, de um tablet para cada brasileirinho , em ensinar xadrez e teatro e música, em muitas velhas novidades. Mas não adianta colocar ingredientes certos na receita errada. Não adianta nem mesmo – caso o tivéssemos! – pôr mais dinhei­ro no sistema de ensino atual porque ele vai ser mal gasto. Antes de pagar dois professo­res que não sabem ensinar, melhor seria pagar somente um bom mestre.
    É preciso focar na escola básica e deixar de lado o que é folclórico, partidário e periférico.Eu queria que contratassem – urgentemente ! – em todos os ministérios gente que entendesse de demografia, por exemplo, e nos dissesse quantas crianças vão nascer nos próximos anos e, em consequência, quantas escolas precisarão ser abertas e como será possível não mexer na Previdência se estamos todos vivendo mais e fazendo menos filhos.É disto que se trata.
    Não se mudará o país , a educação ou a cultura se a politicagem continuar colonizando o sistema através de cabos eleitorais, se o corporativismo sindical não tomar tento, se não for erradicada das mentes o lixo ideológico , se metas não forem estabelecidas , se os currículos não forem unificados, se não passarem a ser praticados palavrões como avaliação e bonificação e se não começarmos a aprender a aprender.
    A esperança de mudança do Brasil , depende do improvável compromisso de Michel Temer – ou de qualquer outro governante – com as futuras gerações . Mais do que fusões ministeriais nascidas por canetadas burocráticas, já passou da hora de se tratar a educação seriamente.
    O tão decantado Ministério da Cultura da era petista , em 2014, por exemplo, entendeu que deveria patrocinar com R$ 700 mil a produtora cultural Patrícia Secco para que a figura editasse 600 mil exemplares do livro O Alienista, de Machado de Assis, com linguagem simplificada , frases diretas e palavras populares.O MinC reescreveu Machado para analfabetos funcionais e planejava mutilar , em seguida , outros títulos como O Cortiço, de Aluísio Azevedo, Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida e A Pata da Gazela, de José de Alencar.Pergunto: Não seria mais proveitoso para todos se o MinC em vez desse crime de lesa-literatura distribuísse 600 mil dicionários e tivesse políticas de incentivo à leitura?
    Essa simplificação do texto machadiano, além de ser um desvirtuamento da obra original e um estupro da linguagem , promove o nivelamento por baixo do conhecimento.
    Assusta-me o fato do Brasil estar lendo cada vez menos pois não existe uma única profissão que dispense o domínio do saber escrever, por mais técnica que seja esta profissão.E quem não lê não sabe escrever.
    É apavorante que 10% dos alunos brasileiros que se habilitam a um curso superior, vale dizer, ao passo inicial para exercer uma profissão, tenham recebido um ZERO como nota em uma simples redação no ENEM.
    Se houvesse à essa altura , necessidade de uma prova da falência do modelo educacional brasileiro tal resultado vergonhoso já bastaria como retrato fiel do descaso pela educação no Brasil.
    Por décadas a educação por aqui tem sido considerada, pelos governos, como custo e não como investimento.Para os governos, a educação se resume às estatísticas de quantos alunos estão em uma sala de aula, sem que tenha importância a qualidade do que nelas é ensinado.O nosso ensino básico é uma aberração que ignora todos os avanços educacionais já testados e aprovados pelo mundo afora.
    Nossos jovens não dominam sequer as duas vertentes de conhecimento mais básicas : a matemática e o domínio da língua pátria.
    Quem não sabe escrever não consegue expor o que pensa.Quem não sabe se expressar, não consegue entender o que lê.Quem não lê é um eterno dependente do que outros leem e lhe transmitem.Quem não escreve e não lê é analfabeto funcional , um eterno dependente, sem poder de síntese e de análise. Um refém de um mundinho com fronteiras , incapaz de questionar, de externar indignação ou de enxergar necessidade de mudanças.
    São jovens assim , com este arsenal cultural que chegam às portas da Universidade no Brasil.Ou da “facul” como hoje apelidaram a academia.
    Teria a universidade em quatro anos a capacidade de suprir o que não foi transmitido nos anos anteriores? A culpa é do ensino superior, ao formar tantos profissionais de baixíssima qualificação? O nosso desastre educacional fica evidenciado mais uma vez , na necessidade para o mercado de trabalho, de que se tenha uma pós-graduação. A graduação em si já não basta. Não se trata mais de aquisição de novos conhecimentos específicos pela especialização, mas de validar os que já se tem, que valem menos a cada dia.
    Um diploma universitário ou técnico já não é garantia de saber ou de ser profissional.De que vale um ensino técnico, a tal “bandeira mágica petista ” da educação no Brasil? Não existe fórmula mágica para formar o que foi deformado por tanto tempo. Trata-se de mais uma panaceia , de mais um ilusionismo feito com números para provar a teoria da farsa.
    Quantos livros lê um jovem de 15, 16 anos? Saberá ele definir conceitos básicos, que – somente como exemplo – um aluno do décimo ano em Portugal já tem, visto que constam da grade curricular, Sociologia e Filosofia?
    Alguém ainda, em pleno século XXI, acredita que decorar o teorema de Pitágoras ,sem entender que fazia parte de um processo filosófico de entendimento do mundo, sirva para um administrador ou para um médico? Que a tabela periódica de química será útil a um advogado civilista?
    O não ler é mais que uma deficiência. É um crime! Contra toda uma nação. Contra quem está em formação para um mundo novo que ainda não sabemos que novas necessidades terá.
    É a manutenção da ignorância, a aposta na transformação do ser pensante em uma mera peça da engrenagem. É o cimento sobre o qual qualquer tijolo pode ser colocado com gosma ideológica. Aceita-se tudo, tem-se falsos ídolos e certezas plenas baseadas na mera observação daquilo que se julga ser o único caminho.
    Prepara-se um jovem de hoje para um mundo de ontem. E retiram dele a capacidade de aceitar desafios ou ser intelectualmente curioso. É o incentivo institucional ao pragmatismo preguiçoso. À mesmice que já se comprovou inteiramente sem sentido.
    O não saber escrever nasce do não ler. Do desprezo ao que é, na essência, o processo civilizatório, a evolução que fez o caminho onde caminhamos. Para o não letrado, quem caminhou à frente não é sábio. É velho. Conservador ou ultrapassado. Dizem-se revolucionários, sem observar a etimologia da palavra. Revolução
    é evoluir com substituição. O que pode propor como alteração do status quo quem não lê e não entende o passado, a história e os autores que deram a vida intelectual em busca da
    EVOLUÇÃO ?
    A última novidade mais importante do mundo da última semana na net ? Ou o discurso de quem leu um resumo de algum livro – Lula se limitou a assistir o filme Lincoln ! – sem confrontá-lo com outro acerca do mesmo tema?
    Triste país onde dez por cento dos que estão – legalmente habilitados a escolherem uma profissão não leem. E por isso, não conseguem escrever algo que mereça um patamar acima de zero.Triste nação que perde tanto tempo e energia
    discutindo o MinC em vez da ignorância de seu povo.
    O pior da ignorância é que esta dá a sensação da sabedoria. Todo aquele que desconhece o mundo julga-se dono de verdades, por ouvir falar ou por observação própria, e as que conhece são mínimas e confortáveis. O problema é que a ignorância é míope. Ou cega.
    “Ter certezas é não estar vendo” dizia Fernando Pessoa.
    A cegueira impede que se veja um passo à frente.Prefiro a eterna dúvida.
    “Não tenho certeza de nada. Mas, desconfio de muita coisa…” ensinou-me Guimarães Rosa.
    E finalmente menciono, Umberto Eco , no seu livro O Eterno Fascismo , jurando de pés juntos que não interessa aos governos de vocação autoritária que seus jovens sejam capazes de articular mais do que …
    “Uma novilíngua baseada em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico”.
    Pelo andar da carruagem , estamos condenados à idiocracia, começando pela política.

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