Militar e greve. Se a moda pega, o bicho vai pegar.

José Reis Barata

O mundo on-line mostra o rastro e saldo do terror de que massas descontroladas são capazes sob o signo de governos irresponsáveis.

Não me considero nem colocaria na lapela um deplorável distintivo de “politicamente correto” no sentido de enclausurado no sistema. Isto cheira a mediocridade. Tampouco o inverso, anarquista. No meio, que não seja ficar em cima do muro, está a virtude.

Todos os fatos da vida podem ser examinados por duas vias: a da moral e a legal. Moralmente, os policiais, se vistos como um profissional qualquer, fica difícil não apoiá-los dentro dos limites que alcancem o respeito ao próximo. Legalmente, e a realidade civilizada de um Estado Moderno exige a observância de todos, sem exceção, inclusive e principalmente do próprio Estado.

Fazendo greve, os militares se colocam fora da lei e da ordem, agridem e afrontam o Estado, ostensivamente aviltando sua razão de ser, ofendendo o que lhes incumbe e exige o dever prescrito no Regulamento Disciplinar Militar, que pode, em feliz e justa síntese, ser colocado como base da instituição: a hierarquia e a disciplina.

Transmudam-se em marginais. Justamente o objeto de sua ação. Militar, também, não é um profissional qualquer. Todavia, nem melhor ou pior: diferente. Têm um trato constitucional específico e diferenciado que abraçam ao ingressar na instituição e que diz respeito direto e inerente à profissão.

Desnecessário ir além, avançar.

Resta uma questão: mas quando o Estado, governos circunstanciais fazendo ouvidos moucos, de mercador não cumprem e insistem em não cumprir a parte que lhe cabe, levando não somente os profissionais da segurança, também os da saúde e educação a lindes insuportáveis?

Ademais é de se anotar que as Forças Armadas, fiel da ordem e da lei, estão politicamente afastadas do governo; aprisionadas em seus quartéis; em continuado processo de cooPTação de chefes tímidos e por meios velados, impublicáveis, que pressionam com a ortodoxia militar e angustiam os mais conscientes da verdadeira significação da lei e da ordem necessariamente apartadas do poder, exigindo legitimidade legal em todo o processo, isto é, da formação representativa à aplicação por governos circunstanciais que não podem se servir do poder como instrumento de servidão.

O momento é sensível e preocupante. Estão cutucando a fera com vara curta; ferir e matar é só começar.

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