Militares suportam um governo destrambelhado, mas não querem ser cúmplices

Iotti: o guru | GaúchaZH

Charge do Iotti (Jornal Zero Hora)

William Waack
Estadão

Os militares que estão no governo aparentemente não comandam. Por motivo simples: uma coisa é a aptidão técnica e a formação intelectual para planejar e executar considerando meios e fins. Para isso os militares foram muito bem preparados em suas academias, que equivalem a escolas de business comparáveis às melhores lá de fora.

Outra coisa é o exercício da política, aprendizado que não está nos currículos dessas academias. Tem sido mais fácil para os militares no governo se apegar a seu padrão ético de “cumprir a missão”, “obedecer ao comando hierárquico” e “não abandonar o barco em dificuldades” do que enxergar que prestígio e respeito pacientemente recuperados pelas Forças Armadas após o regime que instauraram e conduziram por 21 anos estão naufragando pelo suporte que emprestam ao que hoje, sob Bolsonaro, deriva numa aventura rumo ao abismo.

DOIS EPISÓDIOS – O que os levou a pular para a carruagem do atual presidente, que estava longe de ser a primeira escolha deles, foi a noção de esgarçamento do tecido social e de desagregação institucional ilustrada por dois episódios significativos ainda no início da campanha eleitoral de 2018. O primeiro foi o fica ou sai de Lula da cadeia em Curitiba, devido a uma sequência de canetadas do Judiciário. Bagunça que por um triz não levou à desordem. O segundo foi a bagunça mesmo criada pela greve dos caminhoneiros.

A um candidato sem planos, além de frases de efeito, os militares levaram seriedade, confiabilidade e gente experiente em logística, gestão de recursos, planejamento, disciplina e hierarquia. Acharam que a onda disruptiva que destruiu a reputação de políticos, partidos, imprensa e várias instituições se traduziria num “momento” político capaz de fazer prosperar mesmo num Legislativo hostil a reformas, à transformação do Estado e por aí vai. Não estavam sozinhos nessa mescla de fé e esperança, combinadas a um pouco de cálculo.

FAZENDO TUDO ERRADO – Faltou o lado político, pelo qual Bolsonaro enveredou da pior forma possível. Preferiu renunciar ao exercício de seu maior poder, que é ditar a agenda. Preferiu concentrar-se no afago às suas parcelas de seguidores incondicionais, que estão diminuindo.

Jogou fora várias oportunidades de se tornar uma voz pregando convergência, união, pacificação, concentração de esforços. Perdeu tempo e, com a pavorosa crise do coronavírus, perdeu também a moral.

Na mais recente grande crise do governo, a da saída de Sérgio Moro, os militares encontraram como conveniente justificativa para tolerar um governo no mínimo errático a postura do STF de limitar as prerrogativas do Executivo. Além de legislar, o Judiciário em alguns casos até governa, ou não deixa governar. Há um forte debate jurídico e acadêmico sobre o tema, mas militares e políticos, e não só os do Centrão, avaliam esse fato como usurpação de prerrogativas.

FLERTE COM A CRISE – Portanto, sob essa ótica, é até “compreensível” o flerte nada discreto do presidente com a crise institucional que os militares não querem que aconteça. O problema político que eles não resolveram é traçar a linha entre o que é “suporte institucional” a um governo destrambelhado e o que é cumplicidade com o destrambelhamento. É o tipo de coisa, porém, que só fica bem clara depois.

Parece evidente neste momento que está além da formação técnica e doutrinária dos militares resolver um nó que é político na mais pura essência. O símbolo de tudo isso é um general, que não é médico, liberando no Ministério da Saúde um documento contendo protocolo de tratamento que médicos que o antecederam não quiseram assinar – e se recusaram a fazê-lo por razões técnicas, e o general o fez por razões políticas do presidente da República.

São razões que passaram a ser, por conivência, conveniência ou inércia, as razões também dos homens que vestiram ou vestem fardas.

11 thoughts on “Militares suportam um governo destrambelhado, mas não querem ser cúmplices

  1. William Waack é muito cômico: “Militares suportam um governo destrambelhado, mas não querem ser cúmplices”. A esquerda não vai aprender nunca. Isso é doença…Mas ninguém quer trabalhar e residir em Pyongyang…

    Agora aparece com pose sisuda e se recuperando do trauma, após tomar um ponta pé no traseiro da Globo.
    Volta a carga ainda mais pedante. Essa matéria em Estadão demonstra bem quem ele realmente é e que permanece viva a fábula do escorpião. Seu ar de “intelectual” circunspecto e cara feia mesmo, de nada valem. Quando CNN Brasil disser “tchau, querido”, volta àquela humildade que jamais terá.

    PS.: O destino às vezes oferece uma segunda chance, mas é para a gente melhorar e não piorar.
    https://revistaforum.com.br/comunicacao/demitido-da-globo-por-comentario-racista-william-waack-e-contratado-pela-cnn/

    PS 01.: O fantasma vai te perseguir sempre. O problema está dentro de você.
    https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/william-waack-se-atrapalha-e-cita-jornal-da-globo-na-cnn-brasil-veja-o-video-37096

    PS 02.: E ninguém larga a mão do presidente Bolsonaro. O único capaz de confrontar e derrotar esse sistema canalha e pecaminoso.

  2. Talvez os militares no governo ainda não tenham parado para refletir, como não refletimos os eleitores que O levaram ao poder. Ele tem limitações, já sabemos, mas. eu já disse isso aqui antes, no Congresso tem de tudo…menos bobo e, convenhamos, 28 anos de Câmara é um curso intensivo e bastante longo. Ele, reconhecendo sua débil estatura e postura política sempre se valeu de atitudes chocantes para conseguir alguma visibilidade entre os 513 e, especialmente, junto à mídia, que sempre o ignorou, daí o seu recalque contra a Globo e Cia. Na campanha, como o grande oportunista que é, buscou identificar-se com movimentos e personagens populares que depois de conseguido o objetivo ficariam pelo caminho. Assim vieram e se foram a luta contra a corrupção, o anti-petismo, a Lava-jato, Janaina, Magno Malta, Bivar, Bebiano, Moro, Regina…e futuramente…os militares que discordem ou não decorem bem seu gabinete.

  3. Acompanho a trajetória política de FHC desde o seu ingresso no PMDB, na condição de sumidade e reserva intelectual de SP e do Brasil, desde o início da década de 80, quando então, na condição de pupilo de Ulysses Guimarães e Franco Montoro, garfou uma vaga de suplente de senador na chapa de Montoro, se não me falha a memória, quando fazia o papel de “Príncipe dos Sociólogos”, admirado por todos nós ainda jovens, recém-formados, que estávamos encantados não só com o FHC, no campo intelectual, mas tb com a formação do PT, liderado por um operário, que tudo indicava um dia se tornariam presidentes do Brasil, quando então poderíamos fazer as mudanças de verdade: sérias, estruturais e profundas. Todavia, ambos chegaram lá, mas, infelizmente, revelaram-se grandes frustrações no que diz respeito às transformações que se faziam necessárias há trocentos anos, zero em termos de Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, ao qual não deram ouvidos. Mas como a Esperança é teimosa e não morre na praia, com o Brasil tomado pela inflação galopante enquanto praga nacional, pior ainda após o desastre Sarney-Collor, com o FHC alçado à condição de Ministro da Economia de Itamar, lhe sugeri, por carta cuja cópia ainda tenho arquivada com a reposta marota e sofista do Malan, o Plano ECODÓLAR, que poderia ser BRADÓLAR, ou qualquer outro nome, menos repetir o nome Cruzeiro, que lembra cruz, sacrifício, expiação, sofrimento, coisas das quais nós brasileiros já estávamos fartos, com o Ecodólar acoplado ao dólar na proporção de 1X4, para viabilizar a competitividade da produção nacional, sobretudo para estancar o monstro da inflação que a todos endoidecia, e dar um pouco de estabilidade, paz e tranquilidade, para que pudéssemos fazer as grande transformações necessárias, na Política e no Estado. Daí veio o Real (R$), que, aliás, me lembra uma certa padaria que produz as mais famosas coxinhas da região sul do estado de São Paulo, via URV, com o FHC garganteando e entregando o ouro na TV Globo dizendo que o nome da moeda tinha que ser real porque esse negócio de dólar na nossa moeda era colonialismo, esquecendo-se de que real é tb colonialismo, português. Enfim, não é o nome da moeda o mais importante, mas isto sim o fato de que o plano deu certo, FHC se elegeu presidente com ele, sob aplausos, mas o diabo é que ele se apaixonou pelo poder, esqueceu-se do prazo de validade do plano e dos seus efeitos colaterais, e, ao invés de usá-lo como um meio para as grandes transformações face ao clima satisfatório, ele simplesmente usou o plano como um fim eleitoral em si mesmo, inventou a reeleição e estourou o plano. Daí veio o Lula, que de bobo não tem nada, na balada do FHC, agarrou-se ao Meirelles, deram uma segurada inicial para recuperar o fôlego do real, e, por conseguinte, pisou no acelerador, coincidência ou não ouviram a nossa sugestão de fazer o dinheiro chegar no bolso do povo, domaram o congresso, e assim o Lula repetiu o script de FHC com mais sucesso do que ele, e poderia até ter inventado a tri-eleição, posto que tinha tudo em suas mãos, poderia ter se tornado um Evo Morales do Brasil, mas, neste aspecto, teve mais dignidade do que FHC, resistiu à tentação da tri-eleição em causa própria, que implicaria em nova emenda constitucional, e optou pela eleição de Dilma, valendo lembrar que todos eles ignoraram solenemente o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação. Esse foi, pois, o porre maior da república 171, e agora estamos todos curtindo a ressaca, que tb é gigantesca, que só terá fim com o Megaprojeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, que FHC, Lula, Dilma e Temer refugaram e até por isso levaram uma sova histórica de um Charlatão carreirista do baixo clero, o Zé Bonitinho de Xiririca, o rebelde de arque, sem justa causa, tipo monstro que criaram e agora não sabem como contê-lo. E tenho dito. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2020/05/fhc-diz-que-poder-e-pegajoso-e-que-militares-pouco-a-pouco-chegam-la-e-vao-gostando.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR0l3baVp00mN7TevGs7Y0ha7HKHL2mU1Jwvy0RMjlKJFO4XrexZ5bkAHJ8

  4. É hora de organizarmos movimentos antifascistas e antimilícias também.

    Estou aqui para comprar tacos de baseball para se juntar ao soco inglês e ao nunchaku

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *