Miller arrola Janot como testemunha, para provar que não ajudou a J&F

 enquanto ainda integrava o MPF (Foto: José Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Miller é suspeito de ajudar a J&F a fazer delação

Renan Ramalho
G1, Brasília

A defesa do ex-procurador Marcello Miller pediu nesta terça-feira (dia 12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, e outros integrantes do Ministério Público Federal prestem depoimento para falar sobre as suspeitas de que teria ajudado delatores do grupo J&F a negociar o acordo de colaboração premiada.

O objetivo dos defensores é tentar demonstrar a inocência de Miller e esclarecer se, em algum momento, o ex-procurador da República solicitou a cada um que “intercedesse de qualquer forma em favor” da holding controladora do frigorífico JBS.

NO MESMO PROCESSO – O pedido foi protocolado dentro na mesma ação na qual Janot STF solicitou ao STF para prender Miller. O pedido de prisão foi negado na última sexta-feira (dia 8) pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. No documento enviado ao STF, os advogados de Miller negam que ele tenha atuado dos “dois lados do balcão”, trabalhando na PGR e também para os executivos da J&F.

Além de Janot, Miller também pediu a Fachin oitivas com os procuradores Eduardo Pellela e Fernando Alencar, com o promotor Sergio Bruno, todos auxiliares de Janot na Operação Lava Jato.

O ex-procurador também pediu interrogatório com seu ex-assessor Marcos Gouveia, para que informe se recebeu pedidos dele para acessar dados, documentos ou informações do Ministério Público sobre as operações Lava Jato e Greenfield relacionadas à J&F. Por fim, também pediu dados da Procuradoria da República no Distrito Federal para verificar se Miller esteve no órgão entre outubro de 2016 a 5 de abril de 2017 – período anterior ao desligamento do ex-procurador da PGR.

À DISPOSIÇÃO – Miller se colocou à disposição para ser ouvido no processo novamente – ele já prestou depoimento à PGR na sexta (8) – e também informou abrir mão de seus sigilos bancário e fiscal.

Na manifestação ao STF, a defesa de Miller alega que ele decidiu deixar a PGR em fevereiro deste ano, após aceitar proposta de contratação pelo escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe. O desligamento só veio em 5 de abril porque, segundo os advogados, ele ainda tinha férias vencidas a serem gozadas. “O requerente jamais se utilizou de informações às quais tinha acesso em razão de sua posição para beneficiar quem quer que fosse”, diz um trecho do documento.

A defesa de Miller também diz que o fato de ele estar em “processo de integração” no escritório não o impedia de “prestar esclarecimentos ou tirar dúvidas de caráter geral de determinados clientes”.

SUPOSTA AJUDA – Um dos motivos apontados por Janot para pedir a prisão de Miller é sua suposta ajuda aos executivos da J&F na seleção de fatos e agentes políticos a serem delatados.

Em resposta, a defesa de Miller diz que ele “jamais sugeriu, orientou ou auxiliou de qualquer forma executivos da J&F a fraudarem documentos ou omitirem condutas criminosas”, negando crime de obstrução de Justiça.

No documento de 23 páginas, a defesa sustenta que Miller:não  recebeu ou pediu qualquer valor da J&F; estava afastado das investigações da Lava Jato desde julho de 2016; não acessou documentos ou dados do caso desde o início do ano passado e nunca investigou a J&F enquanto estava na PGR.

Por fim, negou participar de organização criminosa formada pelos executivos da J&F, como sustentou Janot em seu pedido de prisão. “De acordo com o que informaram os executivos da J&F, o requerente não os orientou a omitir rigorosamente nada de acordo de colaboração, até porque não tomou parte em tal negociação, tendo se limitado a fazer alguns esclarecimentos genéricos sobre o instituto e sua regulamentação”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enquanto isso, na Segunda Turma do Supremo, sem nenhuma prova e em demonstração de leviandade funcional, o ministro Gilmar Mendes acusava o ex-procurador Miller de ter redigido o pedido de delação premiada do ex-senador petista Delcídio Amaral. Como já registramos aqui na TI, o comportamento de Gilmar é muito estranho e está a merecer uma Junta Médica. (C.N.)

6 thoughts on “Miller arrola Janot como testemunha, para provar que não ajudou a J&F

  1. Enquanto isso se multiplicam os casos, em que os réus são inocentados por falta de provas.

    Turma do TRF tranca ação contra Pimenta da Veiga por falta de provas

    A ação penal que tramitava contra o ex-ministro das Comunicações Pimenta da Veiga foi encerrada, por falta de provas.

    Pimenta, que foi candidato ao governo de Minas em 2014 pelo PSDB, era réu em uma ação de lavagem de dinheiro.

    Segundo denúncia oferecida durante a campanha eleitoral pelo Ministério Público Federal (MPF), o tucano teria recebido “recursos de origem não comprovada repassados pelas agências de publicidade de Marcos Valério”. A decisão, pelo trancamento da ação penal, foi da quarta turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília.

    https://goo.gl/aszey2

    Se ainda acreditamos na justiça, podemos apenas dizer que erramos todos, quando deixamos nossa hipocrisia falar mais alto, acusamos com base apenas em nossas convicções.

  2. Caro Jornalista,

    O mais incrível foi perceber o quanto que um BANDIDO da marca de “JeF” tinha transito livre e intimidade com as mais altas AUTORIDADES dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário…

    É o que dizem por aqui: Somos (e sempre fomos) governados por uma quadrilha dividida em três poderosas, cruéis e abastadas facções. Por isso não nos compare com nenhum país do mundo. Somos, no mundo, um CASO PATOLÓGICO único de impunidade generalizada . Neste nosso rincão:

    -Bandido se confraterniza com juiz;
    -Polícia vende arma para bandido;
    -Direitos humanos acolhe o bandido e ignora a vítima;
    -Ladrão é chamado para a posse de autoridade no cargo mais alto da Justiça;
    -Mulher que defende o abrandamento de pena para estuprador é vista como defensora dos direitos femininos;
    -A preocupação é maior com a quantidade de criminosos presos do que com a quantidade deles nas ruas;
    -E a mesma Constituição que é sumariamente ignorada para garantir os mais básicos direitos do cidadão é chamada às rédeas para garantir os direitos dos criminosos.

    Abraços.

  3. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que acha ter sido gravado por Joesley Batista, afirmou nesta terça-feira, 12, que a conversa com o dono da JBS teria sido “institucional”.

    Em entrevista à Rádio Gaúcha, Gilmar afirmou que o áudio deve ser de abril, quando os dois se encontraram no Instituto de Direito Público (IDP), do qual é sócio e professor. De acordo com o minsitro, eles conversaram sobre as dificuldades do setor e o julgamento do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).

    Questionado se ele conheceria Joesley e como teria sido feito o pedido do encontro, o ministro se limitou a responder que “tem impressão” que teria vindo da diretoria do IDP.

    A um dia do pleno da Corte analisar a suspeição do procurador-geral, Rodrigo Janot, a quem Gilmar é crítico, o ministro avalia que não as delações não tem influência sobre o Supremo.

    “Não vejo nenhuma repercussão sobre o STF. Acho que o Supremo equivocou-se ao não colocar limites nas delações premiadas, nos abusos perpetrados, não fazer análise dessas investigações”, afirmou.

    Na entrevista, ele voltou a criticar a Procuradoria-Geral, a que disse que foi “utilizada” por Joesley, na delação da JBS. “Eu acho que o grande problema nesse contexto tem a ver com a Procuradoria-Geral. A PGR se serviu e também acho que foi utilizada pelo Joesley Batista”, disse.

    Fonte: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,gilmar-disse-que-conversa-com-joesley-supostamente-gravada-foi-institucional,70001990512

    • Caro Carlos Vicente,

      Sem dúvida a conversa gravada entre ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o dono da JBS Joesley Batista foi “institucional”. Conversa entre duas instituições STF e JBS.

  4. Casa em que não existe desprendimento e união entre irmãos em prol da grande Solução, todos brigam e ninguém tem razão. NA VERDADE, verdadeira, no fundo, no fundo, acreditem se quiser, o Leão deve ser o candidato dos sonhos do FHC e do Lula, embora ambos não tenham a humildade de dizer isso em público, pois o Leão, modéstia às favas, é o Estadista que ambos gostariam de ser, o cara do Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, da RPL-PNBC-DD-ME, do novo caminho para o novo Brasil de verdade, que fala e diz a que veio. E ambos não puderam ser o Estadista que o país precisa há pelo menos 127 anos, primeiro porque nunca conseguiram pensar o Brasil e a política além das bitolas estreitas do partidarismo-eleitoral, do golplismo-ditatorial e dos seus tentáculos, velhaco$, e depois por injunção, pressão das circunstâncias, tendo em vista principalmente a época e condições em que ambos herdaram o patuá da república 171, obrigados a se renderem à famigerada “governabilidade fisiológica”, “mensaleira”, enquanto herança maldita da famigerada ditadura militar. Contudo, é inegável que eles sabem das coisas, e com o Leão no poder eles sabem que este país estará em boas mãos, limpas, nas mãos do cara certo, da hora certa, no lugar certo, e que com o Leão o país vai descortinar novos horizontes e bombar rumo ao IDH número 1 do Planeta Terra, que, certamente, é o grande desejo de todos aqueles que amam o Brasil e o povo brasileiro. Venham comigo vocês tb, FHC e Lula, sejam bem-vindos à Nau da RPL-PNBC-DD-ME. Casa em que não existe desprendimento e união entre irmãos em prol da grande Solução todos brigam e ninguém tem razão. Sinto o destino gritar, Leão, Leão, Leão, Revolução, a Mega-Solução. https://www.brasil247.com/pt/blog/alex_solnik/316836/Temer-Padilha-e-Geddel-colecionam-malas-desde-o-govern

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