Minas 2010, um quadro político complicado

Pedro do Coutto

Segundo maior colégio eleitoral do país, sempre decisivo nas eleições de presidente da República, com base na recente pesquisa do Vox Populi, divulgada pelo Jornal da Band de quinta-feira, Minas Gerais apresenta um  quadro político complicado para 2010. Sobretudo porque a campanha no estado reflete-se na posição das candidaturas à esfera federal.

Vamos por partes. Foram colocados pelo Vox Populi dois quadros de candidatos ao Palácio da Liberdade, um com Patrus Ananias pelo PT. Outro com o ex prefeito Fernando Pimentel, aliás nome da preferência do governador Aécio Neves. Nos dois casos, o percentual alcançado foi de 18%. Helio Costa com 30 pontos, seguido por Itamar Franco registrando 28 e o vice Antonio Anastazia obtendo apenas 3. Muito fraco. É do PSDB, mas com esta pequena intenção de votos dificilmente será o nome escolhido pelo chefe do executivo como opção pessoal.

Os resultados do levantamento estão uniformes. Hélio Costa 30% nos dois panoramas. Itamar 28 no primeiro, 27no segundo, não há praticamente diferença, Patrus Ananias e Pimentel 18, Anastazia 3% nas duas hipóteses. Pode-se colocar que Itamar Franco, é mais provável, seja candidato ao Senado. Abre-se um espaço para governador, a ser preenchido por quem? Se Aécio e Pimentel conseguirem contornar a Lei Eleitoral, lei 9504/97, o ex prefeito de Belo Horizonte cresce. Isso porque nem o governador, tampouco o ex presidente, deverão apoiar Patrus. Ananias forma ao lado de Dilma. Aécio e Itamar na oposição ao presidente Lula.

Mas como ultrapassara barreira da legislação? Só  na hipótese de Pimentel, que não desempenha ,mandato, e portanto nada tem a perder, deixar o Partido dos Trabalhadores e ingressar em outra legenda. Ou no PSDB ou no DEM, ou então no PPS no qual Itamar  decidiu se filiar.

Nessa perspectiva, poderá ser uma solução para o governador mineiro e também para as oposições. Com Fernando Pimentel, elas podem conquistar o Palácio da Liberdade, que já foi ocupado por Juscelino Kubitschek, Magalhães Pinto e Tancredo Neves. Se permanecer no PT, deverá perder a convenção regional para Patrus Ananias. Lula seguramente exercerá influência decisiva na base petista mineira.

Minas torna-se assim fator decisivo para o Planalto. Principalmente porque em São Paulo a chefe da Casa Civil deve perder por boa margem de votos para o governador José Serra. Precisa compensar a diferença em MG, pois caso contrário terá perdido a disputa.Como escrevi outro dia, de 1945 aos dias de hoje, ninguém chegou à presidência da República se não venceu em São Paulo ou Minas Gerais.

O Rio de Janeiro, terceiro reduto de votos, não é suficiente para compensar os efeitos dos dois maiores colégios. Veja-se o exemplo de 89. Leonel Brizola perdeu disparado o segundo lugar para Lula tanto em São Paulo quanto em Minas. Derrotou-o amplamente no RJ e RGS. Mas não compensou as diferenças. Por 16 a 15%, Lula foi ao segundo turno contra Fernando Collor.

Portanto, o quadro mineiro, sobretudo agora, ganha uma importância extraordinária, já que Dilma Roussef enfrenta o governador paulista. Panorama complicado, visto da ponte no momento atual. E não deve se descomplicar. Lula e Dilma jogam o seu destino na terra de Tiradentes, berço da liberdade e também da habilidade política. Eis aí um enigma no rumo do Planalto.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *